Wianey CarletApresentação

João Wianey Carlet nasceu no dia 16 de julho de 1949, em Três Passos, interior do Rio Grande do Sul. Adotou o nome Wianey Carlet profissionalmente por considerar mais radiofônico. Seu primeiro contato com o rádio foi com nove anos na escola primária, em Getúlio Vargas. A rádio funcionava no recreio e nas festividades do colégio, com um sistema de propagação através de caixas de som.

Profissionalmente, o radialista começou em 1969, na Rádio Sideral de Getúlio Vargas, que tinha sido fechada em 1964 e voltou a operar cinco anos depois. Carlet apresentou-se para trabalhar e foi incluído nos 5 candidatos contratados. Segundo ele, a experiência foi de grande importância, porque o interior implica versatilidade, é preciso alternar atividades como redação, reportagem, locução, seleção musical, técnica e narração.

Em seguida, Carlet foi para Erechim, onde trabalhou na rádio que levava o nome da cidade e integrava a rede de emissoras reunidas do falecido Frederico Arnaldo Balve. Depois voltou para a Rádio Sideral e de lá dirigiu-se para Porto Alegre. Na capital, trabalhou na antiga Rádio Cultura. Segundo o radialista, era uma rádio diferenciada, que voltava sua programação para músicas e notícias.

Na Rádio Cultura, ele fazia locução comercial das 5h às 10h. Ao fim do expediente ele recebia dinheiro para comprar dois jornais: Zero Hora e Correio do Povo. Carlet comprava apenas o Correio do Povo, ainda em formato standard, que garantia o gillete-press. Com o que sobrava comprava um pão com manteiga para seu café da manhã. À noite era um boêmio nato. Não dispensava os barzinhos porto-alegrenses, principalmente para ouvir a voz de Lupicínio Rodrigues.

Ao sair da Itaí, Pavinato, colega de pensão, foi para a Difusora e comunicou que havia aberto uma vaga para noticiarista na TV da emissora. Carlet que estava cansado de trabalhar em contabilidade decidiu aceitar o desafio. Mesmo aprovado no teste, a vaga já fora preenchida.

Saindo da Difusora, passou pelo Departamento de Esportes e falou com Flávio Dutra que disse existir uma vaga para repórter no setor do Internacional. Carlet mentiu conhecer as regras de futebol, fez o teste e passou. Entrou na Difusora em 1974 como setorista do Internacional.

Em 1982, em parceria com os colegas Pedro Ernesto Denardim, João Garcia e Paulo Mesquita criaram a Rádio Sucesso 1340. Fizeram um acordo operacional com o Cascalho e deram oportunidade para que sindicalistas, universitários e pessoas de diversas matizes políticas e ideológicas se manifestarem. A audiência, baseada no público estudantil, não era muito grande. Assim, não despertava o interesse de patrocinadores e a rádio quebrou em menos de um ano.

Neste período, a Guaíba estava passando por dificuldades financeiras, muitos profissionais haviam se transferido para a Rádio Pampa. Carlet queria realizar o sonho de todo o radialista: trabalhar na Rádio Guaíba, mesmo em situação de bancarrota. Quando estava pronto para assinar o contrato, Lupi Martins, que trabalhava na rádio, convidou Wianey Carlet para substituí-lo enquanto tirava férias. O convite não só foi aceito, como o radialista ficou 10 anos na emissora redigindo comentários e colunas no jornal.

Como a falência era quase uma realidade, os funcionários mobilizaram-se para tentar salvar a rádio. Trabalhando sem receber salários, apenas recebiam vales, mas, não permitiam que os equipamentos fossem tomados pelos credores da emissora. Lasier Martins liderou uma cooperativa de profissionais para manter o veículo funcionando. A situação estabilizou-se com a compra da empresa por Renato Ribeiro em 1985.

Wianey lembra que até 1957, quando foi comprada por Maurício Sirotsky, a Rádio Gaúcha AM não possuía uma característica própria, sua programação mudava a toda hora. Já a Rádio Guaíba era soberana e a Difusora fazia um trabalho de qualidade média para a época e para as ambições. De acordo com Carlet, a Gaúcha era a única rádio que tentava competir com a Guaíba.

Em seu curriculum o radialista tem seis Copas do Mundo: Argentina (1978), Espanha (1982), México (1986), Itália (1990), Estados Unidos (1994) e França (1998). Ele comandou a Copa de 1994, nos EUA, representando a Guaíba. Segundo ele, havia recursos escassos, pouco respaldo da direção: “Talvez eu não tivesse habilidade, qualificação para exercer o comando”. Carlet voltou dessa cobertura cansado e desapontado. Então, procurou Nelson Sirotsky e pediu para voltar para Gaúcha. O diretor da RBS aceitou a proposta, visto que o profissional correspondia ao perfil da empresa.

Logo que entrou no grupo RBS, Wianey Carlet foi trabalhar na Rádio Gaúcha AM. Acertou um contrato com o diretor de jornalismo da emissora Armindo Antônio Ranzolim, no qual ficaram estabelecidas suas funções: responsável pela área de criação e produção de eventos e produtos no Departamento Comercial. Além disso, no Departamento de Esportes, faria comentários e seria o âncora substituto de todos os programas. “No começo fui interino. No início, somos interinos até no amor, depois, se torna titular e, às vezes, não se torna”.

Em 1º de novembro de 1994, iniciou o período de férias o seu primeiro contato com o programa de debates esportivos Sala de Redação. Quando Rui Carlos Ostermann entrou em férias, foi chamado para substituí-lo em sua coluna na Zero Hora e no Sala de Redação depois substituiu o Lauro Quadros, Paulo Sant’Ana, Kenny Braga e demais integrantes. O bom desempenho resultou em elogios por parte de Ranzolim que decidiu trocar o contrato e colocar Carlet como integrante fixo do programa esportivo da Gaúcha AM. Até porque, sua produtividade no setor comercial era irrisória. Carlet lembra que demorou para desenvolver o raciocínio rápido necessário para a atuar no Sala de Redação. “Uma vez Pillavares definiu o programa como um moedor de carne e é exatamente isso que ele é”.

Para o radialista, não há nenhum programa parecido com o Sala de Redação hoje no Brasil, tendo em vista o tempo que está no ar e a repercussão. Considera, no entanto, que há uma guerra de estrelas, uma disputa de beleza diariamente. “Muitas vezes, provar que sua própria tese é a melhor não é o mais importante e, sim, que a tese do outro não é boa. Torna-se muito pessoal”. Conforme Wianey Carlet, seria mais interessante, se apenas as idéias fossem discutidas e com menos agressividade.

Atualmente, Tata (apelido pelo qual os colegas o chamam) segue integrando o time do Sala de Redação que vai ao ar de segunda à sexta-feira, do meio dia às 14h30min, e apresenta o programa Supersábado, aos sábados pela manhã ao lado da Denise Cruz, ambos na Rádio Gaúcha.

Atualizado em junho de 2015 por Priscila Araújo