Salvador CampanellaApresentação (por Geci D’Ávilla Campanella)

Ele era uma figura popular para os que viveram na época das grandes orquestras de rádio, tanto para os que ouviam a banda Municipal no antigo auditório da Praça da Matriz, quanto para o público dos concertos. Seu nome comporta uma história de vencedores. Quando era ainda uma criança, o vulcão adormecido perto de sua casa entrou em erupção. Ele estava sozinho, dentro da casa. A mãe, desesperada, afirmou que se ele se salvasse mudaria o nome que, ate então, era Tomazzo. Foi assim que nasceu Salvador Campanella. Nascido em três de janeiro de 1907, próximo a Nápoles, Itália, era de família de músicos. Seu primeiro contato com a música foi em casa. Aprendeu com o pai, ainda menino, a tocar clarineta, instrumento que utilizou por toda a vida. Na adolescência estudou por onze anos no Conservatório de São Pedro de Maiela em Nápoles, onde formou-se em clarineta, composição e regência.

Na juventude já formado, aventurou-se com o tio e veio para a América do Sul. Na Argentina teve seu primeiro emprego como músico, onde se radicou por algum tempo, atuando nas rádios Prieto e Belgrano. Lá tornou-se marinheiro através de um concurso, tocava na Banda da Marinha Argentina.

Por volta de 1932 a convite de alguns amigos músicos veio para o Brasil. Radicou-se em Porto Alegre, para aqui fixar raízes. Iniciou suas atividades na Rádio Gaúcha, onde trabalhou ao lado de Radamés Gnatalli e Luis Cosmi. Depois foi contratado pela Rádio Farroupilha para dirigir a orquestra, lançada por ocasião do centenário da Guerra dos Farrapos, em 1935, ano da inauguração da emissora.

Campanella esteve a frente da “Grande Orquestra” até sua extinção, nos fins da década de 60, e ali reuniu os melhores músicos porto-alegrenses. Na orquestra o repertório era vasto e tocava-se desde choros até aberturas sinfônicas. Como diretor, ele foi o primeiro maestro a ser televisionado em Porto Alegre e no Brasil pela TV Piratini. Isto aconteceu quando a rádio Tupi de São Paulo o convidou para assumir o cargo de diretor musical da emissora.

A Farroupilha foi o local onde Campanella permaneceu por mais tempo. No Radioteatro conheceu Geci D’Ávilla Campanella, que tinha 21 anos e cantava. Ele era o maestro de 54 anos. Com Geci viveu até o final de sua vida e teve uma filha chamada Lana Campanella.

Com o final da Farroupilha os músicos pediram ao maestro que formasse outra orquestra. Foi quando surgiu a famosa Orquestra Salvador Campanella. Era requisitada em todos os grandes bailes da cidade, com seus 18 músicos e quatro cantores. Durante quase quatro anos foram aclamados em várias cidades brasileiras.

Durante a atuação na Farroupilha, Salvador Campanella foi convidado pelo maestro Pablo Komlôs e Moysés Velinho para integrar a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre que estava surgindo. Nos primeiros anos, os músicos da Grande Orquestra ajudaram a Ospa que não tinha ainda sua propria orquestra. Depois é que a Ospa completou seu quadro.

Campanella regeu e atuou como diretor da Escola de Música da Ospa, da qual foi fundador. O maestro dividiu a quase totalidade de seus 45 anos de trabalho nesta cidade. Tinha orgulho desta terra que escolheu para viver e trabalhar, como salienta a esposa Geci D´Ávilla.

Entrevista gravada no estúdio da Famecos em 03 de maio de 2005.