Holmes AquinoApresentação

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O rádio também tem, além do pessoal do microfone, gente que faz essa parte técnica funcionar. Um desses grandes nomes no rádio do Rio Grande do Sul é Holmes Aquino.

Gaúcho, nascido em Pinheiro Machado, no dia 06 de novembro de 1928. Seu Holmes, como é conhecido no meio do rádio, começou num serviço de alto-falantes na cidade de Rio Grande, que ficava instalado na praça Xavier Ferreira. Além de notícias, esse serviço dava recados e até tocava músicas.

Logo após, Holmes passou dois anos na rádio Cultura, também de Rio Grande, uma emissora que praticamente passava dedicatórias para músicas o dia inteiro.

O primeiro grande trabalho veio em 1950, ainda em Rio Grande, na rádio Minuano. Holmes, nesta passagem, viveu momentos importantes e outros nem tanto, mas alguns foram muito curiosos.

Em 1958, transferiu-se para a rádio Camaquense, de Camaquã, onde participou da retransmissão da Copa do Mundo acontecida na Suécia naquele ano.

Em 26 de maio, Holmes veio para Porto Alegre trabalhar na empresa da qual se orgulha de trabalhar até hoje. Ele acabou de completar 41 anos de trabalho na rádio Gaúcha, do grupo RBS.

Holmes aquino no estádio do São Paulo

Futebol Clube, de Rio Grande, em 1958

Histórias Curiosas:

Os Jangadeiros

Um grupo de jangadeiros saiu do Ceará, da praia de Iracema, em protesto contra o governo de Getúlio Vargas por causa as condições dos pescadores nordestinos. Os jangadeiros vieram descendo a costa brasileira. No Rio de Janeiro, um repórter de O Globo entrou na viagem. Um avião do jornal dava cobertura aos pescadores, comunicando as coordenadas à Capitania dos Portos. Sabendo que um rebocador da Marinha do Brasil iria encontrar os jangadeiros, surge a idéia de uma cobertura em alto-mar.

Os jangadeiros cearenses

Holmes e os repórteres Roberto Eduardo Xavier e Walter Broda embarcaram nessa aventura. “Fomos para alto-mar de rebocador. Tanto andávamos na vertical como na horizontal, tenho até um talho na mina cabeça, dentro daquele rebocador, e a patrulha procurando a jangada. Os marinheiros ficavam de binóculos, de luneta, procurando. Até que três ou quatro dias fora da barra, um marinheiro grita, lá pelas nove horas da manhã ‘tenente, aquela vela não é do Rio Grande do Sul! Devem ser eles!’ Aí o coitadinho do marinheiro já passou a ser secundário”.

Preocupados com as condições da rádio, Roberto e Walter não sabiam se o que falavam estava sendo transmitido. Eles consultaram Holmes para se fazer um apelo.”Vamos fazer porque eu tenho convicção de que estamos chegando”, disse ele. “Quando nós nos aproximamos da Barra, aquela quantidade de canoas de pescadores embandeiradas nos esperando, aquela quantidade de público nos moles, no porto. Nos emocionamos, porque valeu aquele chamado de alto-mar”.

Visita do Presidente Vargas

No ano de 1952, o presidente Getúlio Vargas foi à Rio Grande inaugurar um estágio da Companhia Brasileira de Petróleo. A rádio decidiu fazer uma grande cobertura, que culminava num jantar de 300 talheres no hotel Atlântico, no Cassino. Holmes havia se instalado em um posto perto da mesa onde o presidente iria discursar. Mas o tenente Gregório, o famoso guarda-costas de Getúlio, decidiu complicar: “Tens que tirar esse equipamento daí”. Holmes tenta explicar ao tenente que a cobertura iria ser feita também pela Agência Nacional, mas não adiantava. Depois de muita conversa, o tenente Gregório decidiu deixar Holmes em seu lugar.

Em determinado momento, Holmes teve que dar um aviso ao presidente: “Quando ele sentou, eu cheguei correndo perto dele e disse ‘Com licença senhor presidente, eu quero informar ao senhor que esse microfone que diz Minuano é o que vai transmitir, e o outro vai gravar’. E ele diz assim ‘Deixa comigo meu filho. Muito obrigado’. Essas palavras. Eu falei com o presidente Vargas, não interessa como, mas eu falei com o presidente Vargas”.

Fantasma da Moron

Em 1953, os moradores da rua Moron, em Rio Grande, começam a se assombrar com um fato estranho. Uma residência da rua estava sendo apedrejada durante a madrugada. A rádio Minuano decide fazer uma cobertura sobre o fato. Holmes vai a casa e instala o equipamento com um microfone em cima da casa. À noite, o circo estava montado. “Se já despertava a curiosidade só no boca a boca, ouvido a ouvido, a partir do momento que a rádio começou a divulgar, já tinha uma quantidade de gente, até já tinha carroça de cachorro quente, pipoqueiro, já estava organizada uma festa, e as pessoas lá dentro sofrendo”, conta.

Chegou a meia-noite, e nada. O horário passava, e nada do fantasma aparecer. “E numa dessas, eu estou com os fones e entra um ruído. Terrível. E o locutor ‘Holmes, você tem que entrar no pátio’ e eu digo ‘Aqui, ó!’, coloca. No outro dia, averiguando o caso, ele viu que o microfone havia apenas se desprendido e caído. O fantasma nunca mais apareceu e o mistério continuou no ar por muito tempo.

A Vida na Rádio Gaúcha

A chegada na rádio Gaúcha foi no dia 26 de maio de 1960. Holmes veio direto para fazer o programa Maurício Sobrinho, do dono da rádio. Era um programa de auditório, realizado no cine Castelo, onde artistas famosos, orquestras e diversas atrações faziam parte desse mundo que se ouvia aos domingos. Nesse tempo, Holmes conviveu muito com o criador do grupo RBS. “Ele era um homem de rádio, ele tinha começado também num serviço de alto falantes, lá em Passo Fundo. Como ele entendia também de rádio era um homem fácil de trabalhar, desde que tu cumprisses à risca, desde que tu vestisses a camiseta, porque ele gostava das coisas bem feitas. E sabia e entendia de rádio, não era possível enganá-lo, ele entendia das coisas. Ele foi um grande amigo e era um comunicador genial, um homem que sabia se comunicar”.

Holmes é jubilado por seus 40 anos de Rádio Gaúcha em 2000

A Legalidade

Um ano depois o Brasil era sacudido pela revolução. Os conservadores não queriam a posse do vice-presidente, João Goulart, após a renúncia do presidente Jânio Quadros. Então o governador do Rio Grande do Sul na época, Leonel Brizola, montou um aparato radiofônico nos porões do palácio Piratini, em Porto Alegre, e começou a transmitir a Rede da Legalidade, onde várias rádios do Brasil inteiro aderem ao movimento.

Holmes foi um dos operadores da rede da legalidade. “A partir de sete, oito horas da noite, eu entrava na rede da legalidade e só saía no outro dia ás oito horas da manhã daquele porão, com uma quantidade imensa de operadores, locutores e comunicadores, era uma população”, coloca. Um dos grandes desafios foi a transmissão da rádio em outras línguas. “Usamos as duas ondas curtas da Rádio Gaúcha, as duas ondas curas da rádio Guaíba e as duas ondas curtas da rádio Farroupilha mas nós tínhamos que separar, não é verdade? Para o AM, para a onda média, seria a programação normal. E como fazer essa separação? Como é que eram os links para esses locais? A Farroupilha estava na Ponta Grossa, o transmissor, mas estava em cadeia pela onda média da estação. A Guaíba era mais fácil, talvez, porque ela já tinha linha telefônica aqui para a Ilha da Pintada. E a Gaúcha tinha os transmissores no Sarandi, mas como ela tinha dois links, nós conseguimos fazer isso”.

Copa do Mundo de 1962

Em 1962, veio a transmissão do campeonato mundial de futebol no Chile, onde Holmes afirma que haviam grandes dificuldades técnicas: “chegamos ao Chile com um pacote de válvulas, que eu entregaria a um engenheiro chileno, que era o mestre das comunicações do Chile e que havia conseguido um transmissor com antena dirigida para o Brasil. Mas como ele ia atender uma rádio no Paraná, duas rádios no Rio Grande do Sul e uma rádio em São Paulo, a Record, a rádio Paranaense, em Curitiba, e as rádios Gaúcha e Guaíba no Rio Grande do Sul. Mas não ficou dirigido para o Rio Grande do Sul, ficou mais para o Paraná. E tinha os Andes ali, aquela quantidade de gelo”.

Um dos grandes problemas era a comunicação com a rádio Gaúcha, mas que foi resolvido com jeitinho. “Eles estavam sintonizando a rádio Guaíba que tinha um receptor especial. Aí eu peguei o microfone deles e disse ‘Com licença. Atenção Porto Alegre, atenção colegas da rádio Gaúcha. Estou ouvindo muito bem. Então automaticamente o teste que está feito para a co-irmã está sendo feito para nós. Então me dêem dois ou três minutos que eu sairei com o rádio e irei para o campo ouvir a resposta’. Aí me responderam”, conta Holmes.

A Evolução do Rádio

Holmes destaca a evolução técnica do rádio, desde os tempos onde começou até os dias de hoje. “A evolução é uma coisa maravilhosa, a cores, veja a televisão a cores. Coisa espetacular. Ela não faz parte do rádio, mas tudo o que não tem fio, é radio, transmite! Olha, eu tenho o meu telefone sem fio dentro da minha casa, eu tenho um rádio transmissor dentro da minha casa. O celular, a televisão, o sinal não vem por cabo, é rádio, tudo vem por rádio. Tu tens que te orgulhar de pertencer ao rádio. Está certo, muito antes da rádio já existia a humanidade, mas o rádio revolucionou…”

Entrevista na Íntegra

Download da Entrevista – em .RTF

Portal do Seu Holmes – http://holmes.eg.st