Elio FagundesApresentação

Elio Egídio Fagundes fez seu nome no rádio como Elio Fagundes. Ele acha, hoje, que o nome mais comprido pode ser melhor, marca mais no rádio. O Elio assim, pelado, como gosta de dizer, sem “H” e sem acento. Nasceu em Iraí, em 10 de maio de 1941. Mas solidificou sua carreira em Santo Ângelo. O que leva muitos a confundir sua origem. Começou narrando os jogos de botão dos primos. Influenciados pelos campeonatos de Rio de Janeiro e São Paulo, foi pegando o gosto pelo rádio esportivo. Um profissional da Rádio Marabá, de Iraí, ouviu Elio narrando, de brincadeira, um treino do Juventude de Irai, e o convidou para fazer um teste.. Ele tinha então 15 ou 16 anos, entrou na emissora e começou a fazer de tudo, inclusive, algumas narrações. A curiosidade fez o menino de Iraí experimentar um mundo novo, ao qual está ligado até hoje.

Elio recebeu um apoio moral, quando veio a Porto Alegre. Levado pela vontade de conhecer as rádios da Capital, foi visitar a Rádio Princesa e a Rádio Cultura, lá na Galeria do Rosário. Chegou a fazer um teste para locutor. Não ficou, mas entendeu o incentivo. Ao voltar a Santo Ângelo, para servir o exército, se envolveu de vez com o rádio. O prazer começou a tomar as caras de profissionalismo. Mesmo com restrições, devido ao tempo no quartel, desenvolveu seu talento, como pode, dentro da Rádio Santo Ângelo. Fazia locução comercial, era operador e locutor esportivo. Viajou para algumas cidades do Rio Grande do Sul. Considera esse aprendizado essencial para o desenvolvimento de sua carreira. Entende que na Rádio Santo Ângelo teve espaço para buscar o talento nato de narrador. Para Elio, o talento da narração vem de berço, assim como o dom de cantar. A facilidade para decorar os nomes, a naturalidade dos comentários, a fluidez da narrativa não só se aprende, mas se aprimora. O narrador mais solto trabalha com liberdade e conquista, assim, seu ouvinte.

Toda essa absorção de conhecimento levou Elio à Rádio Guaíba, uma potência na época, em 1969. Veio à capital fazer um teste para locutor comercial. Ficou em quarto, de um total de três vagas. Voltou cabisbaixo para Santo Ângelo. Mas nem três meses se passaram antes que Elio voltasse a Porto Alegre. Seu colega, que havia passado no teste anterior, o avisou que a equipe de Pedro Pereira, chefe da equipe de esportes da Guaíba, estava precisando de um narrador. Enviou de Santo Ângelo a narração do gre-nal de despedida do Estádio dos Eucalíptos. Foi aprovado, contratado, em 1970, e só saiu de lá, por vontade própria, 26 anos depois. Elio tem a lembrança de Pedro Pereira como um dos maiores narradores do esporte gaúcho. Explica que se sentia um coadjuvante dentro da Guaíba. Teve aulas com quem considerava mestre, e até hoje respeita, como o Armindo Ranzolin, o professor Ruy Ostermann, e tantos outros.

Entre as lições recebidas, destaca os conselhos e a preocupação com o correto. Vindo do interior, trouxe muitos vícios de linguagem, que a editoria da rádio procurava amenizar. A experiência dos mais velhos era compartilhada entre os novatos, numa convivência harmônica. Aponta a importância dada às pronuncias de times estrangeiros, onde a equipe realizava reuniões combinando para que todos usassem a mesma pronúncia durante o jogo, criando uma unidade que transmitia credibilidade à emissora. Esse respeito era sentido nos jogos fora do Estado, onde as equipes admiravam o trabalho da rádio Guaíba.

No tempo em que ficou na Guaíba, fez mais do que narrar futebol. Em suas viagens, tinha liberdade, e a eterna curiosidade, de buscar assuntos tangentes ao futebol. Lembra de uma, em especial, quando foi cobrir uma viagem do Internacional, e um soldado de San Salvador veio lhe confessar que poderia atirar em um irmão durante a guerra. Elio ainda teve que se esquivar de um oficial que queria recolher a gravação do narrador/repórter.

Suas qualidades o levaram à televisão. Durante os anos 80 apresentou o “Jogo Aberto”, na TV Difusora. Esteve à frente de telejornais diários e,”quando viu”, estava mediando debates políticos. Um deles, dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre, quando Olívio Dutra foi eleito. Depois, junto com o colega Carlos Alberto Benck, comandou o “Camisa 10”. Diverte-se com os contratempos da televisão naquele tempo, e ressalta a diferença entre o painel esportivo e o debate político, aproveitando para dar uma dica aos apresentadores esportivos do ano 2000.

Durante sua vida, nunca abandonou o rádio. Fez jornalismo impresso, na Folha da Tarde, onde foi setorista do Internacional. Fez televisão, não só ligado ao esporte. Mas sempre manteve sua relação com a narração. Ainda nos anos 90 viajava, e passava muito tempo longe de casa. O peso desta distância e novos ramos profissionais, em conseqüência do rádio, o levaram a abandonar este companheiro. Mas só profissionalmente. Uma ligação tão longa não termina assim. A família, a esposa Edite e os três filhos, Leandro, Luciane e Larissa, sempre apoiaram, mas sentiam falta dele, nos aniversários, festas e datas em que o trabalho tirava Elio de casa.

Das memórias, conta da importante mudança que o radinho de pilha trouxe para a narração do futebol, quando os torcedores começaram a ouvir a narração e ver o jogo ao mesmo tempo. Decreta o essencial para um jornalista manter sua credibilidade com o público, conta para que time torce, suas relações com os técnicos na fase de repórter, deixando registrado um depoimento que mostra uma vida dedicada ao rádio.

Entrevista gravada no estúdio de rádio da FAMECOS-PUCRS em 27 de Maio de 2003

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