Kátia SumanApresentação

“O que é que a baiana tem?” O que esta música, composta por Dorival Caymmi e sucesso na voz de Carmem Miranda, tem a ver com a radialista Katia Suman? Apesar de falar como gaúcha e ter todo o jeito de quem nasceu no Sul, Katia é uma baiana nascida em Salvador, no dia 8 de julho de 1957. Todo esse lado gaúcho tem um motivo: ela veio para o Rio Grande do Sul com alguns meses de vida. Então, está explicado. É difícil ouvir o seu nome e não lembrar da rádio Ipanema, onde trabalhou durante vários anos. Katia e Ipanema pareciam pertencer uma a outra. Ela era a cara da rádio. Ou a Ipanema era a cara da Katia? Porém, de acordo com a mais batida das frases, tudo na vida tem um fim, e o capítulo final da história da radialista na Ipanema, rádio que ajudou a construir, aliás, também teve o seu.

Katia estudou no colégio Júlio de Castilhos – mais conhecido como Julinho –, onde fez um curso técnico de redatora publicitária. Com 18 anos, foi para São Paulo fazer uma faculdade. Acabou não cursando o ensino superior, mas trabalhou durante, aproximadamente, 4 anos em agências de publicidade. Cansou de ver toda a sua criatividade e energia direcionada para as vendas e largou tudo. Tentou o teatro, onde já havia tido uma experiência em Porto Alegre. Também cansou. Resolveu voltar para a capital gaúcha, após 7 anos em São Paulo. Totalmente sem perspectivas.

Foi quando numa tarde de pintura de parede na sua casa, ouvindo “uma tal de rádio Bandeirantes FM, onde tocavam umas músicas mais interessantes e o papo era mais normal”, ouviu aquilo tudo e gostou. Idealizou o programa LADO B e foi, na “cara-dura”, apresentar na rádio Bandeirantes, na época situada na Rua José Bonifácio. Fez um piloto, o pessoal da rádio gostou, mas não tinham como contratá-la. Ficou com a promessa de ser chamada mais tarde, pois a rádio estava em expansão e de mudança para o morro Santo Antônio. Acabou indicada para um estágio na rádio Atlântida. Foi o começo de tudo, e também onde inventou um estilo próprio, com uma fala mais pausada.

Terminado o estágio, foi para a rádio Litoral FM, de Tramandaí, trabalhar durante o verão. Logo após, a promessa da Bandeirantes foi cumprida. Das 20h às 24hs, na rádio Ipanema, o horário era da Katia Suman. No primeiro dia, deram a programação para ela cumprir. Não seguiu o roteiro e conquistou o direito de fazer a própria programação “na marra”, fazendo questão de institucionalizar este formato: quem estava no ar era responsável por tudo. Desde as músicas até as notícias. Foram 16 anos de Ipanema FM, apresentando programas como Talk Radio e Folharada (Folharada1) (Folharada2) (Folharada3), que também virou programa de TV, entre outros. Por isso, sua saída repentina (sem muita explicação dos responsáveis) foi um choque para a sociedade gaúcha da época. Aproximadamente um mês depois, Katia já estava nas rádios Pop Rock, Cultura e na produção cultural da Usina do Gasômetro, locais onde ficou cerca de 3 anos. Sua última rádio foi a Unisinos FM, onde trabalhou durante 3 anos também. Katia é formada em Ciências Sociais pela PUCRS e sua tese de Mestrado é sobre “Jabás em FM”. A sua cara, não é mesmo?

Aliás, a comunicadora não se enxerga mais dentro desse perfil. Hoje é uma trabalhadora autônoma, dona de sua própria webrádio, engajada mais do que nunca nas questões que envolvem o lugar onde vive.KatiaSuman61

Já se foi o tempo em podíamos ouvir sua voz na extinta rádio Ipanema, aliás foi difícil pensar  uma Kátia Suman sem Ipanema. Ela era a cara da Ipanema ou a Ipanema era a cara da Katia? Com o sotaque gaúcho que reverbera pelas ondas do rádio, se admira quem descobre que Katia é baiana, ainda mais de Salvador. Canceriana nascida no dia 8 de julho de 1957, é cheia de personalidade – conhecida por suas ideias, inquietações, dicas culturais ou apenas sua refinada curadoria musical, ela já deu provas de que pensa  além de seu tempo e talvez por isso esteja fora desse cenário mais comercial do rádio gaúcho.

Hoje o foco é a Rádio Elétrica  uma webrádio tão diferenciada que tem um programa que fez o caminho contrário da tendência atual. Enquanto as rádios FM estão migrando para a web, Katia  transmite seu programa diário através da web e também compartilha seu sinal com a Unisinos FM.  “Eu transmito para FM, compartilhando o meu sinal de rádioweb para FM, acho que não existe um case desses no mundo, de uma rádio web que migrou para o FM, o contrário é comum, mas uma rádioweb que transmite para o FM eu não tenho notícia de nenhuma”, ressalta.  Boa música, inteligência, irreverência e olhar crítico são marcas registradas da comunicadora que vai contra a mesmice dos grandes veículos de comunicação e inventou seu estilo próprio.

Página atualizada por Gabriela Klaus e Tiago Decker Medeiros em maio de 2016.