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	<title>Vozes do Rádio - Famecos/PUCRS</title>
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	<description>Conheça a história da radiofonia gaúcha através dos depoimentos dos profissionais identificados com este meio que foi e sempre será o companheiro inseparável do seu ouvinte.</description>
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		<title>Apresentação</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 01:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G2_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Oziris Marins]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160; &#160; &#8220;Eu tenho o rádio no sangue”. É com essa frase que o jornalista Oziris Marins, de 48 anos, define a paixão por seu trabalho. Atualmente ancorando programas nas rádios Bandeirantes e Band News FM, Oziris olha para trás e percebe que percorreu um longo caminho para chegar aonde sempre almejou. Nascido em 4 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-7902" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/DSC_0320-250x161.jpg" alt="" width="250" height="161" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 60px">&#8220;Eu tenho o rádio no sangue”. É com essa frase que o jornalista Oziris Marins, de 48 anos, define a paixão por seu trabalho. Atualmente ancorando programas nas rádios Bandeirantes e Band News FM, Oziris olha para trás e percebe que percorreu um longo caminho para chegar aonde sempre almejou.</p>
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<p>Nascido em 4 de novembro de 1964, em Rio Grande, seu primeiro emprego em nada se parecia com a tarefa exercida aos microfones. Até se formar em Jornalismo, em 1990, era cabo-desenhista da Força Área Brasileira. Oziris não lidava com a notícia, mas tinha ela como sua grande paixão. A farda lhe proporcionava dinheiro para pagar a Faculdade de Comunicação Social da PUCRS. sempre almejou.</p>
<p>Já na metade de seus quase 11 anos na FAB, começou a dividir a carreira de militar com aquela que desejava. O jornal Timoneiro, de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi quem lhe abriu portas. Lembra até hoje de sua primeira grande manchete: “Hospital na UTI”, que se referia ao Hospital Nossa Senhora das Graças. Outra capa memorável contava sobre um incêndio na cidade, no bairro Mathias Velho, causado pelos próprios moradores. “Barricadas da Mathias Velho” era o título. Nascia, assim, um apaixonado pela reportagem.</p>
<p>A entrada no Rádio Gaúcha é curiosa. Já convencido a ir trabalhar no “Diário Catarinense”, de Santa Catarina, Oziris sofreu um acidente de moto. Quando estava sob os cuidados da família, recebeu uma ligação do professor João Britto, da Famecos. Britto lhe contou sobre uma vaga de produtor na Gaúcha, o que imediatamente chamou a atenção de Oziris.<a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/multimidia-2/dsc_0350/" rel="attachment wp-att-7912"><img class="alignright size-medium wp-image-7912" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/DSC_0350-250x166.jpg" alt="" width="250" height="166" /></a></p>
<p>Mesmo com o braço enfaixado, deslocou-se até o prédio na Avenida Ipiranga, e procurou por Luciano Klöckner e Cláudio Moretto. Conseguiu o emprego. Sua tarefa era produzir o Plantão Gaúcha. Trabalhava das 18h à 1h com Antônio Carlos Macedo, profissional que define como um “grande mestre”. Cita também Pedro Carneiro Pereira e Armindo Antônio Ranzolin, seu “pai e incentivador”.</p>
<p>O crescimento profissional de Oziris lhe rendeu oportunidades também no jornal Zero Hora e na TVCom, emissora na qual ancorou o “Jornal TVCom”. Como repórter multimídia da RBS, participou da cobertura da Guerra no Iraque, em 2003. Foram 73 dias enfrentando dificuldades com a comunicação e com as barreiras montadas pelos militares em Bagdá. Seu maior desafio, entretanto, foi conviver com a saudade do filho, Eduardo.</p>
<p>Após 15 anos de empresa, Oziris partiu para um novo desafio. Em 2006, aceitou o convite para integrar a equipe das rádios Bandeirantes e Band News FM, onde permanece até hoje, apresentando os programas “Tempo Real” e “Redação Band News”, além de manter um comentário no telejornal “Band Cidade”.</p>
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		<title>Multimídia</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 00:59:13 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Oziris Marins]]></category>
		<category><![CDATA[Famecos]]></category>
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		<description><![CDATA[Oziris Marins &#8211; Mensagem do filho em meio a uma cobertura tensa Oziris Marins comenta seu período no Exército Oziris Marins conta sobre a cobertura em Bagdá Oziris Marins conta problemas de sinal em cobertura na Argentina &#160; Vídeo: Raquel Saliba &#160; &#160; Foto: Rafaela Masoni]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ev7EIlFhPR4">Oziris Marins &#8211; Mensagem do filho em meio a uma cobertura tensa</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=DMZXeWbEEK0">Oziris Marins comenta seu período no Exército</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=7U8POqjL3l0">Oziris Marins conta sobre a cobertura em Bagdá</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=tDh6qE0Tdes">Oziris Marins conta problemas de sinal em cobertura na Argentina</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vídeo: Raquel Saliba</p>

<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/multimidia-2/dsc_0320/' title='Entrevista Oziris Marins'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/DSC_0320-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Entrevista Oziris Marins" title="Entrevista Oziris Marins" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/multimidia-2/dsc_0323/' title='Entrevista Oziris Marins'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/DSC_0323-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Entrevista Oziris Marins" title="Entrevista Oziris Marins" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/multimidia-2/dsc_0326/' title='Entrevista Oziris Marins'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/DSC_0326-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Entrevista Oziris Marins" title="Entrevista Oziris Marins" /></a>
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<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Foto: Rafaela Masoni</p>
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		<title>Entrevista</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 00:55:12 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Oziris Marins]]></category>
		<category><![CDATA[Vozes do Rádio]]></category>

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		<description><![CDATA[DEGRAVAÇÃO – VOZES DO RÁDIO COM OZIRIS MARINS Meu nome é Oziris Marins Grine, nome de guerra Oziris Marins. Eu nasci em 1964 na Santa Casa de Misericórdia de Rio Grande. Sou filho de militar com professora. Meu pai trabalhava na capitania dos portos lá, era militar da marinha. E eu vim muito pequeno para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>DEGRAVAÇÃO – VOZES DO RÁDIO COM OZIRIS MARINS</p>
<p>Meu nome é Oziris Marins Grine, nome de guerra Oziris Marins. Eu nasci em 1964 na Santa Casa de Misericórdia de Rio Grande. Sou filho de militar com professora. Meu pai trabalhava na capitania dos portos lá, era militar da marinha. E eu vim muito pequeno para Porto Alegre, vim com três ou quatro anos para Porto Alegre, quase me considero um porto-alegrense.</p>
<p><strong>Antes de optar pelo jornalismo, tu participou da forca aérea brasileira durante 11 anos. Então quando que surgiu essa ideia de mudança, de partir da força aérea brasileira pro jornalismo?</strong></p>
<p>Eu olho pra trás e vejo uma pagina que eu considero maravilhosa na minha vida. Uma página que eu olho com muito orgulho. Eu tenho muitos amigos ainda na forca aérea brasileira, alguns que foram tenentes e hoje são brigadeiros, um que já foi ministro, o ministro Juniti de Saito. Eu passei dez anos e nove meses na forca aérea brasileira. Quase cheguei a sargento. Fui cabo desenhista. Fiz um curso no ITA e de lá voltei como desenhista e fiz praticamente metade da minha carreira aqui no Aeroporto Salgado Filho em uma unidade que não existe mais. Era o serviço regional de proteção ao voo. Quando eu tinha 17 pra 18 anos eu tinha me alistado, e naquela época, queria sair de casa, então a primeira coisa que faz, acabei incorporando na forca aérea que me parecia, na época, a força que me permitira estudar. E realmente acabou me permitindo estudar. Aí eu fiquei 10 anos e nove meses praticamente pra pagar os meu estudo e garantir um nível de vida pra poder morar sozinho. E quando eu voltei com o curso de desenhista, eu fazia plantas de pistas, e cartas de voo pra aeronaves, carta de subida, carta de descida, servi nos padrões de caça da base na sala de navegação, depois no serviço regional de proteção ao voo. Eu era praticamente chefe de mim mesmo. Tinha dois civis que trabalhavam comigo. Eu trabalhava seis horas. Aí eu comecei a fazer direito aqui, jornalismo na Famecos de noite, e pra mim era muito cômoda aquela situação toda. Mas a partir do momento em que tu te forma, eu tinha isso muito marcado na minha vida, acabei optando. Dependia só disso. Eu ia sair mesmo do quartel, mesmo tendo carreira e mesmo não tendo emprego, para seguir no jornalismo porque eu queria ir atrás do meu sonho. Eu sempre tive isso em mente: persiga o seu sonho, que você vai chegar lá.</p>
<p><strong>Tu começastes teu caminho no jornalismo pela Rádio Gaúcha. Como que foi esse inicio? Tu chegou lá sem nenhuma experiência?  </strong></p>
<p>Na realidade eu comecei o meu caminho antes da rádio gaúcha, ainda como militar, por incrível que possa parecer. Eu tirava a farda, colocava roupa de cicivil e eu fui repórter do Timoneiro, em Canoas, que era o grande jornal local de Canoas. Era comandado pelo saudoso Canabarro Trois, irmão de um dos principais inxadristas do Rio Grande do Sul, campeão de xadrez, que era o Trois. E ele levava a cabo um jornal quase que guerrilheiro em Canoas. De muita prestação de serviços, de contestação a época do regime, de cobrança de serviço nas vilas. Então eu comecei a trabalhar por influencia de um amigo que era artista plástico e sargento da FAB, que era o Burkert Lucas, que fez os murais do aeroporto, fez muita obra de arte, fez capas da distel também. Por influencia dele, que era amigo do Trois, eu comecei a trabalhar como repórter do timoneiro. Ali foi meu inicio, lá por 86, 87. E aí, eu fazia muita matéria de vila, muita matéria de hospital. A primeira manchete eu jamais vou esquecer: “Hospital na UTI”, era o Hospital Nossa Senhora das Graças de Canoas. Essa foi a minha primeira grande matéria no jornalismo. Foi a capa do jornal de Canoas, depois a Zero Hora acabou copiando aquilo na época e o Correio (do Povo) também. Depois foi “Barricadas da Mathias Velho”, a população da Mathias em convulsão, tocou fogo nos barracos nas barricadas do shopping entrou lá e eu era o único lá naquele momento. Daí deu capa do Timoneiro e depois eles compararam a matéria e serviu para outros jornais. Foi aí o meu inicio. Comecei em jornal pelo Timoneiro. E basicamente, no final da minha formação aqui na Famecos, eu era repórter do Timoneiro e executava alguns frees de vez em quando para umas rádios do interior. Eu tinha um sonho ainda de ser narrador esportivo, que depois, com o tempo, a fita acabou indo pra lata de lixo, mas isso é um outro episódio que eu posso contar depois.</p>
<p><strong>Oziris, tu disseste que quando ainda era do quartel, tu já estava cursando jornalismo, da onde veio essa vontade de fazer jornalismo? Tu te lembra quando despertou esse desejo?</strong></p>
<p>Eu já fazia jornal no colégio, no Padre Réus, ali na Tristeza. A gente fazia um jornal de contestação, era quase final do regime militar, já tinha saído da parte do chumbo da Ditadura. Tinha um processo de distensão lenta e gradual que nos permitia contentar e fazer alguns tipos de protestos sem que a PE (Polícia do Exército) não fosse atrás da gente. E aí no grêmio estudantil do Padre Réus, eu comecei a fazer jornal. Comecei a escrever. Modéstia a parte eu escrevia bem, tirava boas notas em redação. Isso não necessariamente que você vai conseguir construir um texto lógico ou atrativo pro leitor, mas já eh um bom caminho pra fazer um jornal pro colégio. Então comecei por ai, no grêmio estudantil e basicamente escrevendo artigos, matérias, de esporte até prestação de serviço,.</p>
<p><strong>E o começo na Gaúcha?</strong></p>
<p>O começo na gaúcha eu tava pra me formar na realidade eu ia sair daqui ia com uma amiga Marcia de Vosque, agente ia trabalhar no diário Catarinense, porque aqui o mercado ta muito fechado,não existia os mercados de RP nem assessoria de imprensa, site não existia, nem internet , não tinha esses campos que existem hoje só tinha jornal radio tv no correio tinha entrado uma derrocada tava quebrado um diário do sul que era o jornal da gazeta que era um sonho para todos nos, tinha quebrado também acabou falindo e aqui só tinha zero hora e o correio do povo tentando se reerguer ou o jornal do comercio ainda na época da família Jarros e ai surgiu a oportunidade do diário catarinense que era o jornal da RBS lá agente tinha alguns amigos havia a possibilidade de trabalhar e eu praticamente tava acertado para trabalhar no diário catarinense de muda pra lá solteiro não tinha muito oque perder mesmo sabendo que a ilha da magia não tem tantas noticias assim é diferente aqui da nossa província.</p>
<p>Mas ai eu ainda era militar ai sofri um acidente de moto ali na são Pedro com a Benjamin eu tinha uma XL daquelas importadas e um caminhão passou por cima de mim passei dois dias em coma acordei no hospital da aeronáutica e quebrei umas costelas e uma clavícula, com a moto não aconteceu nada eu escapei porque estava usando capacete, a culpa foi dele ele passou no sinal vermelho, o caminhão.E quando acordei fui pra casa da minha mãe ela tinha que me cuidar, eu tava todo engessado ai tocou o telefone um belo dia um ou dois dias depois era o professor Joao Brito na qual eu tenho uma estima um carinho, um homem de radio tem radio no sangue, dos tempos do cine castelo dos programas da antiga gaúcha e uma pessoa fora de serio.</p>
<p>E ele me disse Oziris tem uma vaga na gaúcha de produtor e ai eu me apresentei eu disse: Não, eu vou lá só tenho que levantar da cama , porque doía tudo eu não conseguia dormi com as costelas todas remendadas ali.</p>
<p>Ai apareci na gaúcha todo engessado, com uma tipoia no braço algumas escoriações ne e me apresentei na redação e nunca vou esquecer ate hoje fui direto ao fundo era redação do fundo ainda não tinha o computador só maquinas as maquinas batendo num ritmo frenético pessoal montando os correspondentes da época os noticiários o gaúcha noticias e Ipiranga o pessoal da reportagem.</p>
<p>E eu perguntei quem e o Luciano Klockner e o Claudio Moreto todo mundo parou e me olhou e eu nunca vou esquecer o Edilson de Castros já aposentado era o editor olhou pra mim com aquele olhar incrédulo me viu todo engessado meio fardado ali naquela sala e numa sala envidraçada tava o Luciano Moreto que era o gerente dai ele me olhou e eu me apresentei, eu sou o Oziris, fui indicado pelo professor brito e ai começou a historia, eles me olharam eu tava meio esquisito, mas o professor Luciano já me conhecia o Moreto foi me conhecer depois e acabei iniciando na radio gaúcha como produtor fazia das 6 a 1 da madruga fazia a produção do plantão gaúcha com Macedo e foi uma grande escola pra mim era um tempo que não tinha computador,, celular não existia eu tinha uma coleção de listas telefônicas na minha frente do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, e por ai a fora. E garimpavam os entrevistados naquelas listas telefônicas e era assim que agente conseguia naquela época as pessoas tinham nomes em listas telefônicas. Você buscava Gabeira pelo sobrenome. E ai com uma determinada persistência você ia atrás dos entrevistados. E foi a minha grande escola.</p>
<p><strong>E lá na RBS tu transitou pela TVCOM, também escreveu pro jornal e rádio. Como foi esse teu trabalho em diferentes veículos do jornalismo? E o radio, é a tua grande paixão mesmo?</strong></p>
<p>É eu tenho rádio no sangue. É a minha grande paixão a rádio. Uma das grandes figuras que eu sempre admirei no rádio, Pedro Carneiro Pereira, hoje eu digo, eu tenho o prazer de ter trabalhado com Armindo Antônio Ranzolin. Foi o meu pai, meu incentivador, uma pessoa maravilhosa e um dos grandes homens de rádio desse país.  O maior narrador que eu vi narrar em rádio. Maior narrador esportivo e gestor fora de série. Um dos poucos e raros e episódicos exemplos de jornalista que se transformou em gestor com sucesso. Porque ele leva a radio gaúcho a um patamar de faturamento e reconhecimento que depois só precisou ser reciclado com os demais, depois que ele saiu. Ele foi fora de série.  E eu acho que tive a primazia um pouco por casualidade, ser o primeiro repórter multimídia da RBS. Foi em 2003, havia a necessidade de mandar alguém para front, com a invasão americana quase que inevitável em Bagdá, no Iraque. E aí eu fui escalado. Já tinha formação militar, tinha experiência de rádio, já trabalhava na tv, ouve tempos que fiz os três: rádio, tv e jornal. Fazia TVCOM, jornal Zero Hora, eu era o repórter do Barrionuevo, na pagina 10 e na rádio gaúcha de manhã. Uma vida de maluco. Tu tens que gostar muito. Mas era bom. E depois acabei optando só pela mídia eletrônica, porque o jornal acaba ocupando muito o tempo da gente.  E nessa época, em 2003, eu fui deslocado, minha base era em Amam, e eu tinha que produzir texto, áudio e vídeo, naquela época. E também material pros sites, que estavam iniciando. E eu alimentava os veículos do Rio Grande do Sul, do Grupo RBS e os veículos de Santa Catarina. E aí nos começamos a formatar maneiras de gerar esse conteúdo.</p>
<p><strong>Quais foram as principais dificuldades técnicas principalmente que tu enfrentaste nesse processo? </strong></p>
<p>Tudo era muito lento. Foi a primeira grande experiência de gerar imagem, sem precisar abrir um sinal de satélite, sem contratar um sinal de satélite. Pra contratar um sinal de satélite, eu me lembro na época, eu estava em Alcarama, no meio do deserto, em um acampamento americano com um hospital de campanha da crescente vermelha, que era a cruz vermelha árabe e ali estava o Nick Robertson, da CNN, ele originalmente era engenheiro e acabou se transformando em repórter. Um dia a CNN precisou, não tinha repórter, vai tu mesmo. E ele tomou gosto pela coisa e foi embora. Assim, ele abriu um canal de satélite a mil dólares cada meia hora, mas eles tinham isso. Agora tu imagina o custo pra uma empresa brasileira. Seria impossível. E ai nós começamos a usar um satélite, um telefone satélite ligado no computador. Eu tinha uma câmera Sony pequena, e eu fazia imagens, conectava, passava elas pro computador e gerava pelo satélite. Pelo telefone satélite por uma banda de internet. Claro, que pra gerar um minuto você levava trinta minutos, você filmava 50 segundos e ficava trinta aquele negócio carroceando ali. Que nem hoje vocês se enervam quando fica mais lenta a internet, imagina um minuto em uma banda que não é larga, numa conexão quase que discada, de 50 kbytes. Um mega era luxo, não existia isso. Mas deu certo, começou a dar certo. Tanto é que a Globo começou a usar, comecei a entrar no Fantástico. Entrava por essa engenhoca, um notebook bom ligada em uma câmera pequena Sony conectado a um telefone satélite. E a gente conseguia entrar no ar. Claro, ai a gente inventou o famoso videofone. Estava entrando no ar por videofone. Porque a imagem era multifacetada, quem conhecia o Oziris, identificava, mas era aquela coisa meio colmeia de abelha, mas dava pra ver o caminhão passando atrás, o deserto, o tanque, uma placa escrita “border Irac” (fronteira com o Iraque). E essa foi a primeira grande transmissão da época da banca curta, banda lenta. Mas funcionou, foi um sucesso. Inclusive, depois eu comecei a gerar e eles montavam aqui.  E depois começamos a entrar ao vivo também, claro, cortava o sinal, se hoje cai, imagina na época, mas funcionava.</p>
<p><strong>E quanto tempo tu passou lá nesta cobertura?</strong></p>
<p>Sessenta e três dias. Depois da segunda ou terceira semana parece que você foi abandonado. Porque tudo tem um ciclo. Então no inicio todo mundo quer noticia e depois o troço começa a minguar, os bombardeios são sempre a mesma coisa, não acharam o Sadan ainda, aquela coisa maluca. E ai vão escasseando as tuas entradas. Aí começa a bater a depressão.</p>
<p><strong>E fora a dificuldade técnica, o que era mais difícil?</strong></p>
<p>A dificuldade cultural. Eu tava em um lugar que se fala muito pouco inglês, eles não te entendem e tu não entende eles, e há uma cultura totalmente diferente da nossa. A comida é diferente, o relacionamento é diferente. Eu entrei pela Jordânia, eu tinha uma base em Amam, com um escritório montado da Globo e RBS em Amam, no Hotel The Royal, que era um hotel de luxo em amam, em um andar eu tinha um escritório com estúdio, com tudo. Aquela era a minha base, mas eu ficava mais em Alcarama, que era há 150 quilômetros pra dentro do Iraque. Era o máximo que nos permitiam ir. Era um acampamento americano ali eu dividia uma tenda com Passos Meireles. Saudoso Passo Meireles que era correspondente do O Globo em Washington. Já falecido, faleceu no ano que passou. E foi um dos grandes professores. Ele conhecia os generais americanos porque ele morava em Washington e ele fazia setor lá, ele conhecia, conversava, tinha muitas fontes, e eu tive o privilégio de dividir a tenda com ele. Então, quando ele sentava e chorava, eu sentava e chorava junto. Fora a cultura, porque mesma Jordânia sendo um país mais aberto, tu acaba tendo ali a Arábia Saudita, no Iraque mesmo, Síria: o tratamento com as mulheres é diferente. Nas esquinas tem fiscais com chicote para ver se as mulheres estão de luvas. Isso também impacta no teu dia a dia. E tu vai convivendo com essas coisas. Para tu chegar num local, tem doze check points. Daqui a pouco tem propina. Isso também vai se tornando uma dificuldade. Imagina tu gerar matéria de um lugar desses?!</p>
<p><strong>Trabalhar com jornalismo internacional para o estudante de jornalismo é estereotipado como glamour. Como fica essa questão do emocional? </strong></p>
<p>O lado emocional é muito complicado. Quando eu fui eu estava me separando. Tinha um filho de seis anos, o Eduardo, que vai fazer dezessete agora e havia esse componente todo – a distância do filho, à distância num apartamento, já estava morando sozinho também. Isso pesa no dia a dia, mas daí você enterra a cara no trabalho porque tem que gerar matéria pro rádio, pro jornal, pra TV e não pode ser a mesma. São textos diferentes, são objetivos diferentes e assuntos diferentes. E aí tu procura esquecer. O lado negativo é que eu fumava muito lá. Nunca fumei lá eu tinha um guia para minha segurança, destacado pela embaixada brasileira de Amã na Jordânia. Eles achavam que se acontecesse alguma coisa comigo ia pegar muito mal. O rei da Jordânia tinha muito medo que acontecesse alguma coisa com um repórter brasileiro porque pela Jordânia entrava todo o comércio do Oriente Médio. O Brasil exportava frango, por exemplo, para a Jordânia e ela distribuía. E esse guia era como meu segurança. Era um oficial da polícia secreta jordaniana que falava português de Portugal comigo e às vezes era meu tradutor das coisas árabes. Ele era minha segurança até determinado ponto. Pois daqui a pouco tu começa a desconfiar até dele. Mas o lado da depressão é muito forte, principalmente depois da segunda e terceira semana que começa a bater a saudade do filho, essas coisas. Eu jamais vou esquecer um dia eu recebi um telefonema de um editor dizendo: “Ozires para na frente da câmera e manda uma mensagem para o teu filho que a gente vai gerar para ele”. E eu gravei a mensagem para o Eduardo e me mandaram dizer no dia seguinte que tinha sido entregue. E me disseram então que a mensagem era porque os amiguinhos dele disseram que tu ia morrer. Aquele troço bateu em mim, eu comecei a chorar e não parei mais. Foi terrível. É a guerra que o correspondente trava à parte. Pra não dizer que você sempre acha que o teu limite é ali, os americanos não deixam você passar dali. Teve dois tipos de cobertura: uma cobertura dentro da tropa que entrou pelo Kuait – essa quem entrou foram os repórteres ingleses e americanos. E a outra de qualquer jeito que tu conseguisse chegar perto. Essa é a cobertura do Brasil, da Espanha, da França. E o nosso limite era um pouco depois de Alcarama, dali 150 quilômetros da fronteira passando o Iraque. Isso dá 300 km de Bagdá. E você pensa que não vai sair nada dali. A gente recebia aqueles realeses frios do Pentágono. O pessoal dizia: acharam armas químicas em Karbala. Todo o foco da guerra era porque eles tinham armas químicas. Aí no outro dia saía que não eram armas químicas eram fertilizantes. E aí acha que não vai ver nada, meia noite e pouco eles decolaram, bombardearam e tu contando as horas porque no outro dia seguinte ia voltar pra Amã, pra tomar um banho, ficar num lugar um pouco mais decente. A gente passava uma semana no acampamento, uma semana na cidade. Às vezes voltava antes. E aí começam a chegar uns caminhões e é aquele burburinho e tu vai ver os caminhões estão cobertos de corpos. Porque eles bombardeavam e também bombardeavam errados e tinha cidades que eram só velhos e crianças e mulheres. E aí era um verdadeiro filme de terror. Era só pedaço de gente, criança de peito aberto. Os médicos não estavam preparados para aquilo. Bate o pavor e o pânico. Tu olha para os outros correspondentes, uns estão num canto outros sentam chora, amarram a cara e tu tem que tentar segurar e baixar a emoção porque se não tu não consegue trabalhar.</p>
<p><strong>Como tu noticiou essa situação? </strong></p>
<p>Bombardeio equivocado em Bagdá. Eles não te deixam fotografar, te isolam num canto.</p>
<p><strong>A grande dificuldade do correspondente é não virar um simples reprodutor de informações, certo? </strong></p>
<p>Exato. Tu tem que fazer o olhar brasileiro. Quando tu não tem muito acesso, tu não tava lá, só via os caras decolar. Quem estava lá passava uma informação filtrada, muitas vezes, que era a informação do americano e do inglês. Então tu tem que fazer a periferia, tem que dar a informação do resto. Às vezes fica difícil.</p>
<p><strong>Tu considera essa a tua grande cobertura? </strong></p>
<p>Acho que em matéria de deslocamento e operação acho que sim. Mas eu fiz outras grandes coberturas locais que pra mim tem o mesmo valor. O sequestro da lotação em que eu fiquei 26 horas ininterruptas no ar aqui em Porto Alegre. Pra mim foi uma grande cobertura. Isso foi em 2001 ou 2002. Mas o motim do Melara em 1994. Três dias dentro do presídio central. Porto Alegre nas mãos do Melara. Foi a nossa primeira utilização de um telefone celular. Eu tinha um celular em uma mão e um EMBRACOM, que é um rádio em VHF, na outra e alternava os dois. Nós narramos àquela saída enlouquecida, numa noite fria de sexta-feira. E só hoje eu olhando e pensando: mas que loucura, não sei se eu faria de novo. Sair atrás daquele bando com um carro, narrando àqueles caras invadindo o Plaza São Rafael e a bala correndo lá dentro e nós atirados embaixo da porta, eu e o Diego Casagrande. Aquilo foi uma grande cobertura, pois ela começou numa quarta-feira e ela foi terminar no sábado. Eu me lembro que inclusive perdi esse VHF dentro do presídio. Caí. Na hora do horror, sair correndo, perdi e fiquei só com o celular.</p>
<p><strong>Entre passar de produtor e virar repórter, essa é uma experiência que tu já carregava? Porque não é qualquer um que fica ao vivo 26 horas, isso é muito difícil. </strong></p>
<p>Tem que ter muito vocabulário. Como a gente diz, tem que encher muita linguiça. Mas isso você desenvolve. Claro, tem coisas que você tem no sangue. Quando você ouve muito rádio, isso ajuda muito. Quando tu lê e ouve muito rádio tu ganha vocabulário. O Ranzolin tinha uma máxima: um grande repórter vem de um grande produtor. Um grande apresentador vem de um grande repórter. Essa era a escada que ele fazia. Eu demorei muito tempo pra pegar microfone na Gaúcha. Acho que fiquei uns dois anos de produtor. Primeiro produzi o Macedo, daí o Macedo vai pra Olimpíadas de Barcelona quando ele volta eu estou deslocado para produzir o programa do Ranzolin, de manhã, porque o Mendes Ribeiro tinha ido para a Guaíba. Tinha que formatar um programa novo. Nós formatamos e eu fiquei de produtor de manhã. Aí comecei a pegar alguma coisa de microfone. Mas, a minha primeira cobertura foi como produtor. Eu fui deslocado na vinda do papa para o Brasil, pra fazer produção em Santa Catarina porque a Gaúcha se mudou pra Santa Catarina, operou na frequência que hoje é a CBN lá e fez toda a visita do papa a Santa Catarina. E na época eu fui o único produtor. Depois quando voltei que comecei a fazer reportagem. Mas eu acho que passa por aí, embora hoje as etapas estejam tão rápidas, acho que é importante passar pela produção. E é importante um apresentador ser repórter.</p>
<p><strong>E foram 15 anos de RBS. Como foi a sua troca pra Band? </strong></p>
<p>Eu sou cria da RBS praticamente. Dá pra dizer que eu comecei na RBS e tenho toda a minha formação dentro do padrão ético da RBS. Formação de repórter, produtor, jornalista, de texto. Mas chega um determinado tempo da vida que o cavalo passa encilhado. E com o tempo vocês vão aprender isso que se a gente não monta, a gente fica olhando pra trás pensando: puxa, poderia ter montado. E eu achei que estava na hora. Eu tinha o meu espaço, era muito cômodo eu ficar. Tinha meu espaço na TV, na rádio e eventualmente fazia algumas matérias para a Zero Hora também. Era o primeiro destacado para qualquer viagem que tinha que fazer. Mas aí eu nunca vou esquecer – já não está mais com a gente o Bira Valdez – eu fui na inauguração dos camarotes do Beira Rio e encontrei o Bira com a esposa. E ele disse que nós tínhamos que conversar. Eu disse tá. E começamos a conversar. Aí aconteceu aquela fatalidade e ele acabou falecendo e a negociação ficou na mesa. Depois o Leonardo Meneghete assumiu o comando da Bandeirantes. E aí tem uma correlação de destinos, porque o Meneghete é meu amigo de infância. Nós fizemos parte do segundo grau juntos no Padre Reus. Eu jogava bola com o irmão dele, com ele. Nós tínhamos um determinado relacionamento. Daí começamos a conversar, retomamos isso e num determinado momento sempre avisei a RBS. Ela sempre soube de todos meus passos. Acho que fiz uma migração correta. Sem ferir nenhuma suscetibilidade e sem fechar portas. E aí num determinado momento eu bati o martelo: eu decidi ir. O projeto era bom e me catapultava alguns degraus na escala da profissão. Eu achei que era importante eu sair pra outra estrutura e pra um patamar financeiro diferente. Foi isso que pesou, chega uma hora que pesa. E não me arrependo. Estou fazendo sete anos e acho que são sete anos felizes.</p>
<p><strong>Hoje você apresenta três programas lá e você falou muito dos seus professores. O que você procura passar pra quem está começando? </strong></p>
<p>Critério. Isso é fundamental. Cuidado com a qualidade. Procurar o máximo da perfeição. Mas tem que ser criterioso, se aperfeiçoar. Tem que ser dedicado. Cuidar forma e conteúdo. Isso é fundamental porque isso a gente leva para o resto da profissão e pro resto da vida também. Cuidar, ser detalhado. E principalmente fazer inglês. Tem que saber falar, quem quer viajar, quem quer sair mundo a fora. Eu arranho o inglês, podia até falar melhor. Mas me viro, tenho inglês de aeroporto. A pessoa hoje tem que se aperfeiçoar. Mas se a pessoa tiver o critério do detalhismo, de procurar fazer o melhor possível sempre, seja num texto minúsculo ou numa grande reportagem, se você tiver esse critério isso vai render na tua profissão. Vai render frutos lá adiante. Você vai se destacar dos demais. E você no nosso mercado fechado, menor, se bem que hoje ele nem é tão menor assim porque tem outras variáveis. Se você tiver o critério da qualidade vai se destacar dos outros e vai ter um patamar diferenciado seja em rádio, TV jornal ou nas novas mídias que estão surgindo. Claro, essa coisa da nova mídia assusta a todos nós dinossauros. Eu não sou tão dinossauro assim, eu sou pré-jurassico vamos dizer assim. Mas essa é a última turma que teve na faculdade uma máquina de escrever. Hoje não me assusto mais porque a gente gera imagem, texto, áudio através de um celular. E antes eu precisava de uma engenhoca para fazer isso. A minha primeira viajem de cobertura internacional foi para a eleição do Menem década de noventa, em Buenos Aires. E eu jamais vou esquecer porque foi a minha primeira grande cobertura de repórter. Fui designado pelo Ranzolin para a eleição do Menem. Eu nunca vou me esquecer que eu levava uma maleta com equipamento, uma maleta gigantesca. Pré-amplificador e um rolo de cabo, um rolo de cabo de sei lá, uns cento e cinquenta metros. Para se precisasse puxar um cabo longo. Uma coisa maluca! Num vôo da Varig, na saudosa Varig. Desembarquei lá em Azeiza com aquela “traquitana” toda, fiz a transmissão. Encontrei lá o Marcos Martinelli, na época correspondente da Globo lá em Buenos Aires. Nunca vou me esquecer disso também, porque a estrutura de comunicação era muito precária na Argentina, embora eles tenham feito a Copa do Mundo em setenta e oito e tivessem satélite as linhas de telefone eram operadas pela Intel que era uma estatal. Ai você contratava uma linha de telefone para falar com o Brasil. Entrava aquele som horroroso, chiado. Eis que na hora da boca de urna, que iriam definir final da tarde, início da noite, caiu o sistema todo! E nenhuma rádio ou tv conseguia transmitir para fora do país. Ai eu fui para um orelhão, daqueles ingleses, vermelhos, na frente da Casa Rosada. Agente ligava um número de seis dígitos e caía sempre na operadora da Embratel no Brasil. E eu liguei e atendeu a operadora da Embratel, por incrível que pareça, não sei por que aquele orelhão funcionava. Ai eu pedi pra ela conectar com a Gaúcha em Porto Alegre, e eu entrei no ar para dar o resultado, no meio de uma jornada esportiva, o Ranzolin estava narrando, para dar o resultado da eleição em Buenos Aires. E todo mundo dentro da central de imprensa não conseguia entrar no ar. Depois eu soltei o fone do telefone, pedi para a central segurar a linha, soltei o bocal botei um “jacaré” grudei num pré e puxei o cabo de cento e cinquenta metros! Amarrei aquilo dentro da cabine de telefone, e os guardas me olhando, apavorados. Puxei até o balcão da Casa Rosada para pegar o discurso do Menem. E foi pro ar. Depois teve colega meu que usou a mesma linha para passar a informação para a Globo. Não sei como eu não fui preso, coisa de maluco. Depois na volta o Ranzolin me chamou e disse: tu tens mais sorte que juízo. Depois disse a máxima: a sorte acompanha os bons. Tem que ter sorte nestas coberturas. Às vezes quando há inviabilidade técnica, e naquela época nós não tínhamos a agilidade das redes sócias, você precisa de sorte quando ia fazer uma cobertura destas. Você sabia que iria começar mais não sabia se ia terminar.</p>
<p><strong>Hoje tu esta em um patamar diferente da profissão, mas tu tens sangue de repórter com estas nos descrevendo. Tu não tem vontade de voltar pra rua, pra reportagem, pé na lama?</strong></p>
<p>Tenho. Às vezes me indigno né tchê! Alguém tem que segurar o microfone né? Eu tenho feito algumas viagens internacionais e tenho procurado resgatar esta veia de repórter. Eu fui a Cuba, fui a China, fui a alguns lugares que eu não conhecia também. Mas dá vontade. Às vezes você vê, e chama o guri e diz: olha dá pra fazer melhor. Dai você mostra com é que faz. Hoje em dia eu acho que falta um pouco da veia de repórter na gurizada. O pessoal está muito acomodado atrás do computador. Twitter não é fonte, isso é fundamental. Ainda vale checar a informação. E uma grande reportagem está na rua, não está numa redação catando sonora por telefone. Tem que ir conversar com a fonte, olho no olho as coisas são diferentes. Às vezes para jornal isso funciona mais, mas eu acredito que serve para os três veículos, até para internet. O advento da rede social tornou a informação um pouco pueril e subjetiva. Mas eu ainda acredito no velho e bom rádio, na velha e boa tv, no jornal, eu acho que a qualidade não pode ser substituída só por instantaneidade. Não pode simplesmente a pessoa dar a informação, rádio é repetição as vezes você tem que repetir a informação, e depois “se você quiser mais informações entre no site”. Mas e o pessoal que está no carro o que é que faz? Quem está no carro não tem acesso à rede social na hora. Então às vezes você tem que repetir a informação. Site é o complemento para quem está no meio físico parado. Numa sala de casa ou no trabalho. Estas coisas podem parecer antigas, mas não são. Acho que elas convivem juntas. Eu não sei o que vai ser do futuro, com a agilidade que a gente está tendo&#8230; Antigamente o rádio dava a informação antes, hoje ele tem que dividir isso com a rede social. Hoje o Twitter o Facebook, estão dando a informação antes. As coisas tem que ser compartilhadas. Isso é um aprendizado. Vocês que estão saindo da faculdade agora estão pegando isso tudo, já estão familiarizados, vocês são geração digital. Nós mais velhos ainda tivemos que fazer um aprendizado, e ainda estamos aprendendo com essas coisas todas.</p>
<p><strong>Neste novo momento do jornalismo, onde tudo é tão instantâneo, o que é que tu tem notado os principais erros que tu tem observado hoje em dia, no rádio principalmente, mas também nos outros veículos?</strong></p>
<p>Falta de conteúdo. Tudo está muito ralo para usar o termo correto. Ralo. Está faltando densidade, está faltando aprofundamento, está faltando fazer a pergunta a mais. Está faltando, às vezes, perguntar o que é que interessa à quem está do lado de lá. Sair um pouco do “internetes”. A internet é boa é instantâneo, o Twitter é bom é instantâneo, mas eu acho que tem que agregar conteúdo, a gente não pode perder conteúdo. A gente tem que superar este momento, tem que aprofundar um pouco isso. Eu sempre digo para a gurizada que chega na redação, “gente, vamos ler”. Não me interessa se vocês vão ler o jornal no papel ou vão ler na internet, mas tem que ler. Quando você lê você tem vocabulário, quando você tem vocabulário você pensa, e quando pensa você sabe se expressar. No meio que você escolher, rádio, tv ou jornal.</p>
<p><strong>Qual a tua rotina de busca de informações?</strong></p>
<p>Eu vasculho sites, já não leio mais no meio físico. Vasculho sites de jornal daqui, de fora do país e por ai a fora. Eu acordo muito cedo, acordo cinco e meia da manhã, passo no Clarín, passo no Le Monde, Folha, Estadão, O Globo, os daqui, tem que fazer uma leitura rápida de tudo, faz um apanhado. E alguns blogs que às vezes tem alguma informação. Dar uma passada na timeline do Twitter também, para ver o que aconteceu.</p>
<p><strong>Você tem ou tinha no tempo de repórter alguma editoria favorita, alguma paixão, economia, política ou mesmo esporte já você queria ser narrador?</strong></p>
<p>A minha editoria favorita era o esporte. Eu vinha encostado no esporte da gaúcha, com Sérgio Boaz naquela época, Sérgio também recém tinha entrado, tinha uma brincadeira que nós ficávamos lutando boxe na redação lá. Mas eu ficava olhando as cabeças coroadas, estava ali o Ranzolin, Pedro Ernesto o Aroldo aquela época também, o Roberto Brauner, ficava olhando aquele pessoal todo por que eu cresci ouvindo essa gente narrar. Então pra mim trabalhar na redação do lado do jornalismo, o jornalismo era de um lado e o esporte era do outro, não tinha esta integração que tem hoje, pra mim “corujar” ali no esporte era uma maravilha, beber um pouco da sabedoria deles todos. Eu cheguei a pleitear uma vaga na época, o chefe da equipe era o Flávio Dutra. Tinha um concurso que era o narrador do futuro, que eu não participei, minha fita foi para o lixo, e ele diz até hoje que foi a melhor coisa que ele fez por mim. Eu acho que fez bem mesmo o Flávio Dutra. Que é um dos meus gurus também. Flávio Dutra, que tem um texto maravilhoso, tem um blog que é o Via Dutra, então a minha fita foi para o lixo. Mas eu adorava ficar na redação do esporte. Discutindo esporte. Hoje ainda é assim, às vezes eu ainda passo a maior parte do tempo na redação do esporte da Band do que na do Jornalismo. Eu Gosto de futebol, sou colorado, sou cônsul colorado, pertenço a um dos movimentos do Internacional. Mas gosto de assistir futebol europeu, Barcelona e PSG essas coisas todas. Discutir muito. Provocar os especialistas, entre aspas, por que todos são especialistas de esporte. Eles adoram fazer tese. Um dia o cara é craque no outro ele é um chinelão. Então eu gosto de brincar com estas coisas. Provocar o pessoal do esporte.</p>
<p><strong>Em relação ao jornalismo multimídia, muito se fala que o novo jornalista tem que conseguir atuar em todas as mídias seja jornal ou rádio, enfim, tem que estar presente em todas elas. Tu acreditas nisso também ou tu acha que a especialização em alguma das áreas ainda é válida?</strong></p>
<p>Eu acho que você pode se especializar e atuar em todas. Te especializa por editoria, economia, esporte, política ou o que seja, mas hoje em dia tem que trabalhar com todas as mídias. Não precisa ser a tv clássica pode ser a tv da internet, que está ai crescendo enormemente. Tô apavorado! Você entra em sites que tem mais produto de tv que uma própria tv aberta. Então hoje o profissional que sai da faculdade, ele tem que estar obrigatoriamente linkado nesta camerazinha, tem que estar linkado no iPad, no celular, em tudo. Tem que saber manusear estas linguagens. Se ele souber fazer um site melhor ainda. Claro que dai já é outro patamar.</p>
<p><strong>Oziris a gente falou um pouco da tua experiência em tv, como foi esta experiência na TVCOM, hj em dia também na Band que tu tens o comentário? Quais aspectos tu a diferencia do rádio? </strong></p>
<p>A tv é muito forma e tem que ter muito cuidado com o texto. Tudo é muito menor. Mais cuidado. Eu comecei a fazer tv a inauguração da TVCOM em noventa e quatro. Fazia um jornal lá do estúdio da Zero Hora. Eu e o Túlio Milman na época. E foi um grande aprendizado, porque a TVCOM era meio rádio na tv na época. As coberturas eram todas ao vivo. Tinha uma máxima que era “aconteceu está na TVCOM”. A gente montava um ponto de vivo onde tivesse acontecendo e de lá entrava. Era meio rádio na tv. Linguagem de rádio. Segurava ali ao vivo, com uma câmera, e por isso aquelas coberturas eram imensas. Isso é um aprendizado. A tv foi importante pra mim pra eu entender um pouco esta forma toda. Aprender a ancorar um jornal. Cheguei a ancorar o Conversas Cruzadas quando quando o Lasier não podia, nas folgas dele. Depois o Sérgio Stock saiu e eu fiquei no Bom Dia Rio Grande.  Ai tinha que acordar às quatro da manhã. Nunca vou me esquecer que era um inverno horroroso, e eu cruzava aquele pátio longo da RBSTV e ia direto para a máquina de café. Quando não tinha café eu me apavorava. Precisava e muito.</p>
<p>Fui trabalhar com a Paola Vernareccia com uma turma maravilhosa que fazia o Bom Dia Rio Grande na época. Saia do Bom Dia e descia correndo para fazer o Atualidade, quando o Ranzolin não podia eu era o interino dele. Eu saia de um grudava no outro. Praticamente ficava dezoito horas dentro da empresa. Ai tu começa a misturar as linguagens todas. Mas tem que gostar muito tem que ter muita paixão.</p>
<p><strong>Mas por que na hora de optar pelos veículos, tu preferiu as mídias eletrônicas? Tu disse que o jornal dá mais trabalho?</strong></p>
<p>O jornal te dá densidade, te ensina a pensar muito. Porque uma coisa é você dar a informação no microfone, seja ele rádio ou tv. A informação é fugaz. Depois dali passou. No jornal você dá a informação, e a expressão não é minha, é do José Barionuevo, é preto no branco. Vai ficar eternizado. Não tem réplica. No rádio e na tv você conserta. Agora no jornal tá ali, preto no branco. Então tem que checar, checar, checar e olhar de novo. O jornal te dá este cuidado e te dá à densidade por que são textos mais longos, são coisas mais trabalhadas, daqui a pouco pinta um artigo uma grande reportagem. Você sai do universo só das notinhas. Só que o jornal te absorve horrores. Chega na sexta-feira você tem o famoso joelho, que para os mais novos é o “cerão”. Tem que fechar a página de sábado e a de domingo. Ai você fica até às três da manhã ali. E isso vai te absorvendo. No dia seguinte tu tem rádio tem tv. Pô! Tem um limite do corpo também. Limite para tu ter uma relação saudável com a namorada ou esposa. Eu brinco às vezes com o meu filho, “bah deixei um casamento dentro da RBS”.</p>
<p><strong>O que tu espera do teu futuro profissional? </strong></p>
<p>Sabe que eu nunca programei nada. As coisas foram sempre foram acontecendo. Espero continuar fazendo coberturas fora daqui, fazer cobertura fora do país sempre que eu puder duas ou três por ano. E tocando rádio diário. Que eu acho importante como elemento de modificação social. Como formação de opinião. Como cobrança do poder público. A gente gasta muito e eles nos dão muito pouco, e a gente tem que ajudar a resgatar isso. Acho que isso é importante.</p>
<p><strong> </strong></p>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 01:37:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[“Essa gravação que vocês estão ouvindo vai circular na internet e vai ser o maior sucesso. Vocês sabem que ela vai ser sucesso, porque eu sou como o Rei Midas: em tudo o que eu toco nasce ouro. Eu sou o novo Midas das comunicações”. Esse é Francisco Paulo Sant&#8217;Ana, uma das grandes vozes do Sala [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7685" class="wp-caption aligncenter" style="width: 730px"><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/apresentacao-134/foto01-2/" rel="attachment wp-att-7685"><img class="size-full wp-image-7685 " src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/foto011.jpg" alt="Paulo Sant'Ana no Vozes do Rádio" width="720" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Entrevista de Paulo Sant&#8217;Ana para os alunos de jornalismo da PUCRS para o Vozes do Rádio. Foto: Graziela Maidana</p></div>
<p>“Essa gravação que vocês estão ouvindo vai circular na internet e vai ser o maior sucesso. Vocês sabem que ela vai ser sucesso, porque eu sou como o Rei Midas: em tudo o que eu toco nasce ouro. Eu sou o novo <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/apresentacao-134/midas-2/" rel="attachment wp-att-7725">Midas</a> das comunicações”. Esse é Francisco Paulo Sant&#8217;Ana, uma das grandes vozes do Sala de Redação, um dos membros mais antigos do programa Jornal do Almoço, e um dos <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/apresentacao-134/premio-revista-amanha/" rel="attachment wp-att-7776">colunistas</a> mais lidos do Estado.</p>
<div id="attachment_7690" class="wp-caption alignright" style="width: 360px"><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/apresentacao-134/s3_ricardo-duarte-2/" rel="attachment wp-att-7690"><img class=" wp-image-7690 " src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/s3_Ricardo-Duarte1.jpg" alt="Vozes do Rádio " width="350" height="232" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Ricardo Duarte</p></div>
<p>Adjetivos não faltam para descrevê-lo, e todos são radicais como ele: de egocêntrico a arrogante, de fanático a brilhante. Nascido em Porto Alegre, em 15 de junho de 1939, Sant&#8217;Ana se formou em direito e, antes de entrar na mídia local, foi inspetor, delegado e vereador na Capital. <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/apresentacao-134/_rbs/" rel="attachment wp-att-7778">Começou a trabalhar em 1971 na Rádio Gaúcha</a>, ao lado de Cândido Norberto &#8211; criador e apresentador do Sala de Redação na época. “Ele me viu passar pelo estúdio, me chamou para conversar sobre qualquer assunto e eu comecei a falar”, lembra o jornalista. Dois meses de participações especiais no programa foram o suficiente para o Rio Grande do Sul tomar conhecimento de sua figura marcante que inclinou a decisão da emissora: “Aí não restou outra alternativa senão a RBS me contratar por 400 cruzeiros e mais 200 por uma coluna na Zero Hora”.</p>
<p>Essa foi uma das grandes alegrias de sua vida: “Eu não coube em mim de contente. Porque a coisa mais difícil que existia era começar a fazer uma coluna em ZH”. De lá pra cá, Paulo Sant&#8217;Ana não saiu mais do Grupo RBS. Os frutos que colhe de 42 anos de empresa se desmembram em colunas: hoje são mais de 16 mil.</p>
<p>Assista a entrevista de Paulo Sant&#8217;Ana:</p>
<p><iframe width="450" height="253" src="http://www.youtube.com/embed/Jzd7k3C-8ow?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p><em> * Equipe: Gabriela Guadagnin, Jéssica Mello, Leonardo Tortorelli, Manoela Ribas, Sarah Souza, Thamys Trindade, Sabrina Simões e Vanessa Pacheco. Colaboração: Graziela Maidana e Natália Cagnani.</em></p>
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		<title>Apresentação</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 01:34:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G4_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mauri Sérgio Grando]]></category>
		<category><![CDATA[Mauri Grando]]></category>

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		<description><![CDATA[Nascido em 6 de novembro de 1963, o radialista Mauri Grando trabalha no rádio a cerca de 30 anos, atuando como apresentador e gestor de área de comunicação em emissoras radiofônicas: Universal, Rádio Atlântida e Rádio Cidade. Identificou-se desde pequeno com o rádio.  Aos seis anos, escutava as narrações esportivas e, depois do término das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/multimidia/dsc_0765-2/" rel="attachment wp-att-7640"><img class="alignright" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/DSC_07651-250x166.jpg" alt="" width="371" height="259" /></a>Nascido em 6 de novembro de 1963, o radialista Mauri Grando trabalha no rádio a cerca de 30 anos, atuando como apresentador e gestor de área de comunicação em emissoras radiofônicas: Universal, Rádio Atlântida e Rádio Cidade.</p>
<p>Identificou-se desde pequeno com o rádio.  Aos seis anos, escutava as narrações esportivas e, depois do término das transmissões, descolava o ouvido do rádio e começava a imitar os sons que acabara de ouvir. Na adolescência descobriu, por intermédio de um amigo, a Rádio Cidade FM e encantou-se com o projeto audacioso da emissora, próximo a linguagem dos jovens.</p>
<p>O contato com a nova formatação do rádio influenciou na escolha da profissão. Já na faculdade de jornalismo, estreou como suplente em uma emissora durante o verão. Desde então, segue em atuação na profissão. Entre os principais eventos, estão: a primeira cobertura via celular de um show internacional (da apresentação da Michael Jackson, em 1993), a atuação na área de produto e, principalmente, a atuação na emissora que lhe despertou o interesse pela profissão, a Rádio Cidade. O sonho se realizou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Entrevista gravada no estúdio de rádio da Famecos PUCRS em 9 de abril de 2013, pelos alunos Rafael Grendene, Stéfano Souza, Eduardo Bertuol, Jéssica Mazzola, Caroline Corso e Fernanda Ponciano</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Galeria de Fotos</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 01:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G1_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paulo Sant'Ana]]></category>
		<category><![CDATA[fotos]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[sala de redação]]></category>
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		<category><![CDATA[Vozes do Rádio]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
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<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/s3_ricardo-duarte-3/' title='Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Ricardo Duarte)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/s3_Ricardo-Duarte2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Ricardo Duarte)" title="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Ricardo Duarte)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/1_ricardo-chaves/' title='Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Ricardo Chaves)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/1_Ricardo-Chaves-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Ricardo Chaves)" title="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Ricardo Chaves)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/2_ricardo-chaves/' title='(Foto: Ricardo Chaves)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/2_Ricardo-Chaves-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Ricardo Chaves)" title="(Foto: Ricardo Chaves)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/3_juan-barbosa/' title='(Foto: Juan Barbosa)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/3_Juan-Barbosa-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Juan Barbosa)" title="(Foto: Juan Barbosa)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/4_-ricardo-wolffenbuttel/' title='(Foto: Ricardo Wolffenbüttel)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/4_-Ricardo-Wolffenbüttel-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Ricardo Wolffenbüttel)" title="(Foto: Ricardo Wolffenbüttel)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/5_-valdir-friolin/' title='(Foto: Valdir Friolin)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/5_-Valdir-Friolin-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Valdir Friolin)" title="(Foto: Valdir Friolin)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/6_isadora-neumann/' title='(Foto: Isadora Neumann)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/6_Isadora-Neumann-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Isadora Neumann)" title="(Foto: Isadora Neumann)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/7_isadora-neumann/' title='(Foto: Isadora Neumann)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/7_Isadora-Neumann-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Isadora Neumann)" title="(Foto: Isadora Neumann)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/8_ricardo-duarte/' title='(Foto: Ricardo Duarte)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/8_Ricardo-Duarte-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Ricardo Duarte)" title="(Foto: Ricardo Duarte)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/foto01-3/' title='Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/foto012-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" title="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/foto02/' title='Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/foto02-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" title="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/foto03-2/' title='Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/foto03-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" title="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/foto04-2/' title='Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/foto04-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" title="Paulo Sant&#039;Ana (Foto: Graziela Maidana)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/paulo_santana/' title='Paulo Sant&#039;Ana'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/Paulo_SantAna-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="Paulo Sant&#039;Ana" title="Paulo Sant&#039;Ana" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/s1_ricardo-duarte/' title='(Foto: Ricardo Duarte)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/s1_Ricardo-Duarte-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Ricardo Duarte)" title="(Foto: Ricardo Duarte)" /></a>
<a href='http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/galeria-de-fotos-37/s2_arquivo-2/' title='(Foto: Arquivo)'><img width="150" height="150" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/s2_Arquivo1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="(Foto: Arquivo)" title="(Foto: Arquivo)" /></a>

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		<title>Apresentação</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 00:57:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G3_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe Garcia Vieira]]></category>

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		<description><![CDATA[Felipe Garcia Vieira nasceu na cidade de Butiá no dia 27 de fevereiro de 1966. Um apaixonado por rádio que descobriu o amor pela comunicação quando ainda era menino com apenas 13 anos. Filho de um contador e de uma costureira ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) aos 18 anos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/felipe-vieira/felipe-1-5/" rel="attachment wp-att-7839"><img class="aligncenter size-large wp-image-7839" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/felipe-14-800x533.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a></p>
<p>Felipe Garcia Vieira nasceu na cidade de Butiá no dia 27 de fevereiro de 1966. Um apaixonado por rádio que descobriu o amor pela comunicação quando ainda era menino com apenas 13 anos. Filho de um contador e de uma costureira ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) aos 18 anos, no curso de jornalismo buscando estudar o que sempre gostou: o rádio e a televisão. Fez boa parte da faculdade trabalhando paralelamente na Rádio Sobral de Butiá.</p>
<p>Após formado, Felipe mudou-se para Porto Alegre e ficou conhecido nos veículos de comunicação pela sua competência e, claro, pela voz forte e marcante característica desde quando era garoto. Aventurou-se por diversas emissoras de rádio e TV no Estado. Na RBS, trabalhou durante 10 anos atuando nas Rádios Gaúcha e Itapema FM, além de passar pela RBS TV e TVCom, Em seguida, foi contratado pela Bandeirantes, onde se dedicou inicialmente para a televisão dividindo a bancada com a jornalista Patrícia Poeta. Hoje, Felipe Vieira apresenta o programa Guaíba Cidades, durante as manhãs na Rádio Guaíba.</p>
<p>Felipe é competente, inteligente e carismático, contudo para ele a qualidade responsável por ter contribuído para que hoje seja um jornalista respeitado é a “cara-de-pau” que sempre andou com ele. Por essas e outras qualidades, foi vencedor de diversas edições e categorias do Prêmio ARI. Em 2002, 2003 e 2005 recebeu o Prêmio Press de Melhor Apresentador de TV do Rio Grande do Sul. Em 2006, foi escolhido pela Câmara Riograndense do Livro como Amigo do Livro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Entrevista</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 00:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G1_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paulo Sant'Ana]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[paulo sant'ana]]></category>
		<category><![CDATA[sala de redação]]></category>
		<category><![CDATA[Vozes do Rádio]]></category>

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		<description><![CDATA[Início Eu comecei em 1971 aqui na Rádio Gaúcha, quando o Norbeto (Cândido Norberto) era o criador do Sala de Redação e apresentava o programa. Viu-me passar no “aquário”, que são essas escotilhas, essas janelas que tem no estúdio, e chamou-me para conversar com ele sobre qualquer assunto no microfone, e eu comecei a conversar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7757" class="wp-caption aligncenter" style="width: 594px"><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-32/s2_arquivo/" rel="attachment wp-att-7757"><img class=" wp-image-7757 " src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/s2_Arquivo.jpg" alt="Paulo Sant'Ana" width="584" height="374" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Arquivo</p></div>
<h2>Início</h2>
<p><a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-32/rbs-2/" rel="attachment wp-att-7796">Eu comecei em 1971 aqui na Rádio Gaúcha</a>, quando o Norbeto (Cândido Norberto) era o criador do Sala de Redação e apresentava o programa. Viu-me passar no “aquário”, que são essas escotilhas, essas janelas que tem no estúdio, e chamou-me para conversar com ele sobre qualquer assunto no microfone, e eu comecei a conversar com ele. O programa inteiro. Ele adorou. Pediu pra eu ir outro dia, e eu fui. Eu já ia duas, três vezes por semana, durante dois meses, e já tava que como se eu fosse um trabalhador da rádio. Mas não, eu não ganhava um “tostão”.</p>
<h2>Conquistas</h2>
<p>Em dois meses, eu já estava conhecidíssimo em todo o Rio Grande do Sul, só por essa participação eventual no Sala de Redação. Aí, não restou outra alternativa para a RBS senão me contratar pra trabalhar no Sala de Redação por 400 cruzeiros por mês. Mas, quem foi tratar da minha contratação com o Mauricio Sirotsky, fundador da RBS, foi o Lauro Schirmer. E o Lauro voltou, eu tava ansioso pela resposta, voltou e disse: “Olha, consegui 400 cruzeiros, (naquele tempo a moeda era o cruzeiro) para ti, e mais 200 por uma coluna de Zero Hora. Eu não coube em mim de contente, porque a coisa mais difícil que existia era começar fazer uma coluna em Zero Hora. Pois eu ganhei esse presente do Celso. 1971, faz 42 anos. De lá pra cá, não saí mais da RBS. Saí do Jornal do Almoço. To fazendo duas vezes por semana o Sala de Redação, e estou escrevendo uma das 16 mil colunas, Ana Botafogo, bailarina primeira do municipal. É assim que eu chamo essa moça que está me entrevistando.<br />
Sai da televisão, mas continuo escrevendo uma das 16 mil colunas, esse é o número, <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-32/premio-revista-amanha-2/" rel="attachment wp-att-7800">16 mil colunas que já escrevi em Zero Hora em 42 anos</a>. Não sei da onde é que eu tirei tanto assunto.</p>
<h2>Frases</h2>
<p>Há <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-32/frases-dele/" rel="attachment wp-att-7765">frases minhas</a> que eu vejo os repórteres, os editorialistas, repetirem sem saberem que são minhas as frases. Por exemplo, uma frase que repetem muito: “Neste caso, o suicídio é um dever!”. Frase minha. Outra frase que repetem muito no esporte: “A banca paga e recebe”. Frase minha. Frases minhas que circulam. Eu criei um termo que foi parar no dicionário, que é o verbo “antenar-se”. “Eu estou antenado em tal assunto. Eu estou antenado em tal situação”, fui eu que criei essa palavra “antenar-se”. Tá no dicionário. Há frases minhas incorporadas ao dicionário. A maior frase que eu fiz em toda a minha carreira é a seguinte: “Gênio é aquele que primeiro descobre o óbvio”.</p>
<h2>Colunas</h2>
<p>E vejam ali a classificação das matérias que foram mais lidas no dia anterior. Meu nome tá ali, sempre. Primeiro lugar, segundo lugar, terceiro lugar. Meu nome tá ali na frente de todos. A revista Amanhã me comunicou ontem, que pela vigésima terceira vez consecutiva eu fui escolhido, em consulta popular no RS, como o colunista mais lembrado do Estado. Revista Amanhã. São 23 anos consecutivos de Oscar gaúcho. Eu ganho o Oscar gaúcho há 23 anos. Chega de falar de mim porque eu devo estar chatiando vocês. Vamos falar do jornalismo.</p>
<h2>Jornalismo</h2>
<p>E por falar em jornalismo, nessa eleição do Papa a importância dos órgãos de imprensa. Foram os órgãos de imprensa que salientaram que o Papa, quando era Cardeal em Buenos Aires, foi acusado de ter se aliado com a Ditadura para perseguir padres jesuítas. Esquivel, o prêmio Nobel, não digam “Nóbel”, não digam “Nóbel”. O prêmio Nobel é sueco ou Norueguês? Hein? Lá na pátria do Nobel, se diz Nobel. Então tem que chamar de Nobel. Eu vejo Presidente da República dizendo “Nóbel”. Pô, tá errado. Mas, não tem importância, porque a palavra estrangeira pode ser pronunciada de qualquer maneira. Só quem dá importância para pronuncia de palavra estrangeira é o Lauro Quadros. Só ele. Eu não. Pra mim, palavras estrangeiras podem ser pronunciadas de qualquer maneira. Mas, a imprensa, portanto, flagrou acusações ao Papa, quando era Cardeal em Buenos Aires. E a imprensa mesmo veiculou desmentindo essas acusações ao Papa Chico, como eu o chamo. Porque eu sou Francisco, e ele botou o meu nome. O Papa botou o meu nome, Francisco. Eu apelidei o Papa de Papa Chico. O Lauro Quadros disse hoje, no Sala de Redação, que na Argentina ele não pode ser chamado de Papa Chico, porque Chico na Argentina quer dizer pequenino.</p>
<h2>Poeta</h2>
<p>“E assim vou eu, caminhando pelas ruas ensolaradas deste início de outono em Porto Alegre, pisando nas folhas secas de outono. Sabiam que o outono é a estação das folhas secas?&#8221;</p>
<p>(<a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-32/cantando-2/" rel="attachment wp-att-7802">Começa a cantar&#8230;</a>)</p>
<p>Que canção bonita de Cesar Costa Filho. Meus amores, o que mais que vocês querem que eu diga. Quando vejo uma mulher bonita,<a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-32/poesia/" rel="attachment wp-att-7803">tenho vontade de dizer assim pra ela</a>: Formosa igual pincel em tela fina. Debuxar jamais pode, ou nunca ousara. Formosa qual jamais desabrochara na primavera rosa purpurina. Formosa qual se a natureza e arte, dando as mãos em seus dons e seus lavores, jamais puderam imitar no todo o parte. Mulher celeste. Quem pode ver-te sem querer amar-te, quem pode amar-te sem morrer de amores.</p>
<p>Esta gravação que vocês tão fazendo vai circular na internet, e vai ser o maior sucesso nos próximos dias. Vocês sabem que ela vai ser o maior sucesso nos próximos dias, porque eu sou o qual o Rei Midas: em tudo o que eu toco, nasce ouro. <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-32/midas-3/" rel="attachment wp-att-7805">Eu sou um novo Midas das comunicações</a>. Um beijo, e quando quiserem que eu grave de novo pra obter sucesso na profissão de vocês, peçam que eu gravo. Um beijo.</p>
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		<title>Multimídia</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 00:26:17 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>TEASER:</p>
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<p>GALERIA DE FOTOS:</p>
<p><object width="450" height="600"><param name="flashvars" value="offsite=true&#038;lang=en-us&#038;page_show_url=%2Fphotos%2Fcarolcorso%2Fsets%2F72157633260502923%2Fshow%2F&#038;page_show_back_url=%2Fphotos%2Fcarolcorso%2Fsets%2F72157633260502923%2F&#038;set_id=72157633260502923&#038;jump_to="></param><param name="movie" value="http://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=124984"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=124984" allowFullScreen="true" flashvars="offsite=true&#038;lang=en-us&#038;page_show_url=%2Fphotos%2Fcarolcorso%2Fsets%2F72157633260502923%2Fshow%2F&#038;page_show_back_url=%2Fphotos%2Fcarolcorso%2Fsets%2F72157633260502923%2F&#038;set_id=72157633260502923&#038;jump_to=" width="450" height="600"></embed></object></p>
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		<title>Entrevista</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 00:25:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G4_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mauri Sérgio Grando]]></category>
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		<description><![CDATA[ESTÁ  começando Vozes do Rádio  e  o entrevistado de hoje é o Mauri Grando, comunicador da rádio cidade  FM. O Mauri, junto com nossos colegas do Projeto Experimental em radio estão aqui no estúdio da Famecos/PUCRS. Estão aqui comigo Caroline Corso, JessicaMazzola, Fernanda Ponciano, Eduardo Bertuol, além de mim, Rafael Grendene que estou apresentando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong>ESTÁ</strong><strong><em><span style="text-decoration: underline">  </span></em></strong>começando Vozes do Rádio  e  o entrevistado de hoje é o <strong>Mauri Grando</strong>, comunicador da rádio cidade  FM. O Mauri, junto com nossos colegas do Projeto Experimental em radio estão aqui no estúdio da Famecos/PUCRS. Estão aqui comigo Caroline Corso, JessicaMazzola, Fernanda Ponciano, Eduardo Bertuol, além de mim, Rafael Grendene que estou apresentando o ‘Vozes do Rádio’ de hoje. Mauri Grando. Primeiro, boa noite.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Boa noite, tudo bem?</p>
<p><strong>P:</strong> A gente começa sempre com uma pergunta padrão nas vozes do radio que é para trazer o nosso entrevistado próximo a quem está escutando que é sua apresentação, seu nome completo, data de nascimento e local de nascimento.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Vamos lá, então. Meu nome é Mauri Sérgio Grando, nasci em Canoas no Rio Grande do Sul em 6 de novembro de 1963.</p>
<p><strong>P:</strong> Quer começar, Carolina?</p>
<p><strong>P:</strong> Vamos começar. Com o foco é  rádio, o que te  fez despertar o interesse pelo radio e hoje ser uma das vozes do RS?</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Legal, olha só eu comecei como ouvinte. Aos seis anos eu tive uma identificação com o radio esportivo, eu gostava muito de ouvir narração de futebol pelo radio e ate há poucos anos atrás não tinha transmissão “ ao vivo “ pela televisão então a gente ouvia pelo rádio e eu no meu gremismo,  oriundo da paixão do meu pai pelo Grêmio. Eu gostava de ouvir as narrações de jogos com ele e começou a despertar em mim uma situação muito bacana, uma coisa muito interessante. Eu ouvia, na época, a narração e depois eu  imitava,  segundo a minha maré eu fazia isso, eu imitava. Eu pegava uma banana e imitava-o, por que me disseram que o formato dele, o microfone, era parecido com banana e como eu nunca tinha visto eu comecei a fazer as narrações nesse formato. Estava sempre ouvindo e   gostando e, ainda criança, eu entrevistava o pessoal de casa sobre assuntos vários e, assim, fui alimentando isso<br />
Depois,  já na adolescência, eu conheci a música e até então não tinha tido uma oportunidade diferente. É  diferente de hoje em que as pessoas tem um universo rapidamente com as redes sociais, enfim. Imagina há quatro décadas. Tudo era surpreendente, tudo era novidade e essa situação foi um alimento muito forte pra mim porque através da musica eu comecei a ouvir também a primeira radio FM. Eu tive oportunidade  numa radio do colega porque os rádios eram somente AM, depois começaram AM / FM. Então ouvi a rádio Cidade que estava entrando em Porto Alegre. Ela apareceu em 1977 a partir do Rio de Janeiro e transformou a linguagem. A radio  Cidade é um veiculo a parte na comunicação do Brasil por que até então a comunicação ela era feita no plural. As pessoas, os radialistas, tinham informação provinda das famílias que tinham radio sentavam para ouvir a transmissão, para ouvir as novelas para ouvir programas de auditório do radio. Senhoras e senhores que estão ouvindo era sempre no plural  a comunicação da radio Cidade através do DJ<br />
E ao mesmo tempo ele falar o comunicador de radio naquela formatação de radio mais propensa a estar presente com o ouvinte. A combinação não era para<br />
vocês que estão ouvindo mas para você  que está ouvindo. O rádio individualizou a comunicação e isso foi posto no Jornal do Brasil que montou a rádio Cidade e hoje lança a alteração e mudando um clima no estúdio,  tipo “ o que está  acontecendo aqui e agora, uma informalidade que antes não tinha. A comunicação era somente da voz, da garganta.  Uma vez um grande comunicador  aqui de Porto Alegre . O fulano um dia me disse o seguinte: “ a comunicação saiu da garganta e foi para a cabeça e o radio<br />
não precisa se tiver um vozeirão pra trabalhar no radio. Você tem que ter uma voz audível que atinja um determinado público e a Rádio Cidade nos ensinou isso, lá atrás em 77 quando começo a fazer isso. E eu, nesse momento, estava já em 79, foi quando eu comece a ouvir e me despertou uma situação, futebol, bacana, mas essa coisa nova, eu estava com 17  pra 18 anos, E, a musica a comunicação nesse formato foi  mais presente dentro da minha linguagem, é isso que eu quero.</p>
<p><strong>P:</strong> Não só da voz, mas também com a musicalidade  que até então era pouco presente no radio, essa transformação da rádio Cidade que se deu a partir da musicalidade. E como é que tu vê que houve essa transformação de público. O público das rádios se transformou. Dirigiu-se mais aos jovens, para tribos distintas.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Então olha só. Com essa alteração de formato de comunicação e a presença do FM na frequência modulada que deu uma qualidade sonora melhor também. O que aconteceu? O FM no primeiro momento entrou no ar pra ser um fundo sonoro em reuniões, em espera de consultórios médicos, porque as musicas eram somente instrumentais e até eu me lembro de uma rádio que foi famosa aqui no Rio Grande do Sul, uma das primeiras FMs: a rádio Itaí. A rádio Itaí FM, que entrava com uma música instrumental e entrava assim o locutor dizia “‘sistema quadrifônico de rádio”. Só para ter uma ideia da pompa que era a situação e a radio Cidade com essa linguagem, ela fez com que outras emissoras, daí puxando aqui pro nosso universo de Porto Alegre, grande Porto Alegre, a RBS tinha uma rádio também pomposa que era a radio Gaucha &#8211; Zero hora FM que se obrigou a fazer uma transformação nela e a transformar ela em rádio Atlântida. Foi devido ao fenômeno radio Cidade em começar a pegar o publico jovem e a essa insatisfação presente que dizia assim: ‘ó, estamos aqui e queremos mais, coisas diferentes’, não somente aquilo que estava sendo postado naquele formato, notícia, esporte, começou a se ter uma formatação de nicho  e começou pelo jovem por que a radio Cidade e até hoje, eu estou nela há 18 anos, serão completos agora em junho de 2013. Eu trabalho na radio Cidade, mas como ouvinte escutando desde o início del. E essa formatação da linguagem ajudou na formatação de nichos também.  Porque  o cara era jovem e não tinha muito o que ouvir porque as rádios AM que existiam antes, poucas eram dedicadas aos jovens. Havia a radio Continental, a radio Pampa, que eram rádios que ainda mantinham programação jovem mas com um som muito pior. Não era estéreo, era mono, então a FM e a radio Cidade proporcionaram essa nova situação</p>
<p><strong>P:</strong> Até por esse detalhe que tu comentaste, com a criação da radio Atlântida. Tu foste um cara que trabalhou em duas rádios de nichos diferentes ao mesmo tempo, a Atlântida e a Universal, estou certo?</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Não, nessas duas ao mesmo tempo, não. O que aconteceu foi o seguinte: existia um projeto da radio Atlântida que era uma rádio formada para atender as necessidades dos andares do Hipo no centro da capital gaúcha. Então tinha um estúdio e a gente fazia ali e o publico passava e ia ver o comunicador fazendo o seu programa, enfim mostrando como é que era. Então eu fazia ali, para esse publico restrito, do prédio Hipo, no centro de Porto Alegre que acho que são 8 andares, hoje tem o Hipo Fábricas. E eu trabalhava na radio Universal quando tinha o meu programa lá, mas eu comecei mesmo no radio, voltando lá  pra era do gelo. Eu estava na Universidade Federal já fazia uma ou outra cadeira de TV aqui na PUC, sempre levando na época a fita cassete e sempre levando nas rádios, na Bandeirantes FM, que depois virou Ipanema, naquele período com o <strong>Mauro Borba</strong> que é dessa época, enfim, na Rádio Cidade. Ele era o gerente de produto da rádio.. Porque nos não tínhamos outro formato, não dava pra eu colocar no Youtube a minha imagem. Não dava pra eu entrar numa rede social, não existia. O formato era esse. A gente ia a luta. Subia o morro ia às rádios e entregava o material apra avaliação. E nessa época aconteceu na radio Atlântida um concurso de cobertura de férias precisava de um comunicador para a cobertura de férias. Havia um time de comunicadores e precisavam de um para cobrir férias, durante um período lá. Não lembro se eram três meses ou quatro meses. Eu soube disso e levei a minha gravação lá também. E concorri com outros profissionais. Eu não era profissional, eu estava começando e estava tentando. Tinha feito um curso na Feplan que era necessário.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> E eu fiz o curso enfim e ficava na batalha. E o que aconteceu? Larguei minha fita lá também. Entre os 250 participantes eu fui o selecionado. Eu fui chamado num formato superinteressante.  Eu estava ouvindo a radio em casa, e o comunicador . ‘Não me diz tchau, não me diz não’, ele tinha uma comunicação muito próxima da audiência e o Galvão falou: ‘alô Mauri, Mauri de Canoas vem pra cá’. Eu não tinha deixado telefone, endereço, só a fita com a gravação e o meu nome. E daí eles me chamaram pelo ar. E daí eu ouvi ‘será que sou eu’. Daí liguei para a rádio, do telefone fixo lá, ainda não existia celular. Liga pra rádio aquela coisa, ‘to te procurando há dias, te chamando no ar’. Daí fui lá, eu tinha 19 anos. O que aconteceu? Quando eu cheguei na radio Atlântida eu pensei ‘passei no teste’. Agora é comigo. Ai no primeiro momento inflei o peito e comecei a fazer as gravações de comerciais toda linha de necessidade que eles me pediram, treinamento e tudo mais. Entrei no ar muito bem na primeira semana, segunda semana, estava me sentindo muito bem. Aí comecei a falar com os amigos da faculdade. E eles:  ‘te ouvi na rádio, te ouvi na radio”. Dai na hora que eu ia apresentar o programa eu ficava imaginando ‘ a Fernanda está me ouvindo, a Carol está me ouvindo&#8217;. O que aconteceu comigo? Eu me perdi  completamente . Eu ficava pensando nas pessoas que eu conhecia e tremia na hora de falar. E eu estava num processo de mudança de voz com 19 pra 20 anos, , mudando a voz. Então a voz não ficava firme no ar, até que eu o gerente da radio que tinha me colocado no ar, 53 dias depois que eu estava no ar, ele me chamou e disse  “olha, infelizmente não vai dar pra ti ti ficar porque tu estás muito tenso no ar, muito nervoso, e a gente precisa de alguém  mais sênior,  e tal . Bom, me destruiu NE, me destruiu completamente. Chorei muito, longamente,e acabou minha historia. Só que com aquele material que eu tinha feito no ar na radio Atlântida, principalmente nos primeiros dias, a minha querida e amada irmã gravou. E eu com aquele material muito bem produzido, eu pude ir em outras emissoras e mostrar aquelas gravações. E fiz isso em vários lugares ate que passou alguns meses, a radio Universal, que hoje é o canal da Jovem Pan, 97.5, que é uma emissora da rede Pampa que já existia e tinha muito boa repercussão na época. Enfim, eles estavam  mudando a programação e iam colocar a radio ao vivo , porque ela era uma rádio gravada, tinha um ou dois programas ao vivo. E jovem tinha uma festa chamado pop jovem enfim, com esse material eu fui chamado e fui pra lá. E lá reconstruiu a minha história e já são 30 anos . A partir daqui eu fui e uma radio pra outra NE. Na radio Universal eu trabalhei  no período de um ano e meio cada vez. Na radio Cidade são 18 anos seguidos. Nesses 30 anos aqui, os últimos 20 eu tive o privilégio de e passar a ser gerente de produto das rádios. Primeiro da própria Universal. Onde daí tu passa a coordenar a programação, o que vai pro ar, o time de Locutores, o que não vai enfim, tu é um edito do que o público final vai receber. Então são 20 anos seguidos que eu estou gerenciando o produto, começou na  Universal, daí a gente foi pra primeiro lugar na audiência. Daí eu fui contratado pela radio Cidade daí a gente foi o primeiro lugar pelos 12 anos seguidos naquele projeto que a gente fez. E nesses últimos 8 anos na radio Cidade eu alcancei outras funções, tive o privilégio de estar em outros lugares . Entre os quais durante 3 anos eu gerenciei a radio Atlântida e tive o prazer de fazer 3  Planeta Atlântida Rio Grande do Sul e três de Santa Catarina. Nesses três anos, a gente fez o trabalho na radio Metro, que é uma radio de pagode que foi comprada pelo grupo RBS e depois foi feita uma alteração. Nesses últimos sete anos eu estou gerenciando o produto da rádio cidade e também da radio farroupilha AM. E nos últimos 3 anos, Cidade Farroupilha e a radio AM 1120 que é uma radio segmentada no regionalismo, que é a antiga radio Rural.</p>
<p><strong>P:</strong> Tu sempre  tiveste essa ligação muito forte com a rádio que tu falaste. E como foi a tua ligação com a música, ela surge a partir do radio também ou é uma coisa que depois ou, enfim, tu começavas a gostar das rádios musicais a partir desse novo formato que a radio Cidade trouxe ou se era uma coisa que também vinha contigo, o rádio pela musica.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Música, assim, sempre esteve presente porque eu tenho um irmão mais velho que sempre gostouo muito de musica e ouvia seus LPs. Beatles e Rolling Stones, e toda aquela coisa, anos 70, 80 MPB, Chico Buarque então eu tive um a formação de ouvir coisas que ele ouvia. Mas a minha formação com a musica foi com a rádio Cidade. O pessoal com o meu amigo que me apresentou o radio FM que eu não conhecia, que veio lincar  a musica com a rádio que era o que eu queria ser, comunicador. Eu achei assim ó é agora. Porque começou nas escolas, as pessoas falando, indo a festas e o DJ não sei oq eu, aquilo me motivou, me deu uma coisa que até então eu não tinha tido. Antes eu tinha uma paixão que era o futebol.</p>
<p>A paixão virou amor, eu viver disso. A música e o radio me deram assim a abertura de portas em todos os sentidos profissionais. E eu me oportunizei também a partir do momento que eu vi situações que não eram feitas ainda aqui, de buscar universos diferentes. Eu comecei a afazer cobertura de shows internacionais. Coisa que não era feita. Hoje tu ‘bah o show da           madona em Houston, tu abre na internet tu tem o show. Há 15, 20 anos atrás, nos tínhamos que ir à Houston, ia lá pegava num orelhão. Vocês sabem o que é orelhão? Conhecem orelhão?</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Ligava via Embratel pra radio. ‘Estou aqui em Houston fazendo’</p>
<p><strong>P:</strong> Tem algum episodio especifico que tu te lembres, de alguém show, algum evento que tu fez nesses 30 anos que te marcou?</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Tem, assim, marcante pra mim foi a primeira transmissão feita pra radio via celular no Brasil aqui pra Porto Alegre de um show que a gente fez do Michael Jackson em São Paulo, no Morumbi. Em 1993  o Michael Jackson esteve aqui e foi maravilhoso porque assim 15 de outubro de 1993, Michael Jackson fez o show aqui depois agente teve em novembro a Madona no Rio e teve Paul McCartney e eu organizei, eu já gerenciava na época a radio universal. Eu consegui na época um celular, porque nos não tínhamos na época nem na radio , não tinha, era muito recente aquilo.</p>
<p><strong>P:</strong> Sim é recente, é de 90 o celular.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> então a bateria do celular era uma arma, um tijolo. E nos levávamos o carregador junto. O carregador hoje é um fiozinho. Naquele momento era uma pasta. E tu usavas mais ou menos uma hora de telefone e tinha que trocar a bateria e recarregá-la. Então eu fiz essa transmissão, consegui que a gente tivesse essa oportunidade de ir para o Rio de Janeiro e lá fazer a cobertura do show e foi realmente muito emocionante para eu fazer essa transmissão que foi a primeira aqui via celular num show internacional de Michael Jackson. Só que daí no da Madona a concorrência já se ligou também e conseguiu fazer e no Paul McCartney também. Mas a primeira vez eu tive esse privilégio. E tive assim algumas situações de fazer shows muito legais. Por exemplo, em Londres fazer no estádio de Wembley não esse no, no original estádio Wembley. Tu ver um artista daquele porte com 60, 65 mil pessoas dentro de um estádio e todo mundo cantando a musica dele, embora ele canadense tenha todo o sucesso no mundo e na Inglaterra também. Então eu tive assim, oportunidades muito legais, cobrir shows na Itália, <strong>dos Eros Ramazzotti</strong> em Milão. Fiz Gloria Estefan em Nova York, tive a oportunidade de cobrir também. Fiz uma vez uma promoção com a rádio Universal, que a gente levou um ouvinte pra conhecer o Enrique Iglesias. Filho do Julio Iglesias em Miami, a gente acompanhava, jantava com ele, fazia cobertura, então essas ações promocionais, esses eventos. Pô, eu queria fazer, então como é que faz. Provoca a direção de radio? Não. Via comercial. Cria alguma coisa que tenha patrocínio daí tu podes fazer. Então daí eu sempre tive assim esse link junto às áreas comerciais, as áreas de promoção. E por isso me sinto parte assim hoje da geração de produto de radio. Porque o produto é uma formatação que mistura um monte de coisas, a área comercial, promocional e decide o que vai ao ar.</p>
<p><strong>P:</strong><strong> </strong>Outra pergunta. Além desses episódios de cobertura de shows, teve algum momento na tua trajetória que tu destaque como o mais importante ou fundamental que tenha marcado a tua vida até agora?</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Não, principal não. Não gostaria de destacar como principal mas eu destaco uma outra situação que pra mim foi bem importante assim, como comunicador que foi a transmissão de dentro de um balão. Esses balões de balonismo. Balões de balonismo em pessoal.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Teve uma situação aqui que fui fazer a transmissão também. Essa foi a primeira aqui também, de uma radio transmitir de dentro de um balão. Eu fiz pra radio Atlântida o comunicador ficava no ar, na época era o <strong>Sergio do érre</strong>. Tinha que ir muito cedo porque na época o vôo do balão era a questão do ar rarefeito, cheio de explicações que eu não sei dizer pra vocês agora. Eu sei que eu subi naquele cesto junto com o piloto que larga o fogo, um inferno de quente aquilo e fizemos a transmissão por walk talk . Porque não tinha celular, não era com celular também. E nos fizemos, eu voei a 300 metros de altura com o balão e o mais inesperado, porque começa a voar e tu não sabes onde é que vai parar. E eu muito ingênuo na historia, agente acabou descendo em Porto Alegre. O vôo foi aqui em Porto Alegre. Ele chegou e disse ‘agora temos que deslocar os sacos pra baixo’ e eu, com radio e tudo na mão, protegendo o aparelho de  rádio da rádio Atlântida, preocupado com o equipamento na mão. Acabei caindo até não me machuquei grave naquela oportunidade, mas sai extremamente feliz, realizado, recompensado. A cobertura na época da Zero Hora que estampou essa cobertura e ficou pra mim muito importante porque  ela é histórica. Foi a primeira transmissão de uma rádio dentro de um balão, com o balão em voo aqui no Brasil.</p>
<p><strong>P:</strong> Tem um, tu já falou a carga historia com a rádio cidade e também como coordenador. Mas tem um episódio que eu gostaria de saber que provavelmente foi importante pra ti, que foi quando tu foi contratado pela rádio Cidade. Tu falou que foi contratado então conseguiu desde lá continuar na Cidade. Como foi pra ti continuar na Cidade que foi onde te abriu os olhos para o rádio?</p>
<p><strong>Mauri:</strong> E foi onde eu tentei tantas vezes entrar, batia na porta e nunca tinha chegado aminha vez. Mas eu acho que isso aqui é uma lição de vida. Uma lição profissional. E aqui pra vocês que estão em uma formatação profissional, e quem ta nos ouvindo enfim, de que tenha isso como uma lição. A gente tem que continuar querendo. E que eu fiz? Eu fiz um excelente trabalho e por isso eu fui contratado. Se eu tivesse desistido, ou dito ‘nunca mais vou trabalhar lá , coisas desse gênero, pelo contrário. A gente tem que ouvir não. O não faz parte, ta na essência do teu trabalho, do teu negocio, ouvir ‘não’ e sabe lidar com isso. Estou aqui agora nesse momento conversando, eu podia ter dito não. Ou outro ter dito ‘não’ pra vocês. Aqui nesse dia, aqui fazendo esse programa. Agora, tendo um motivo, tendo uma explicação e na época, tinha, aconteceu que mais tarde eu consegui reverter isso. E foi emocionante pra mim, obviamente. Só que a partir do momento que eu fui contratado, eu tive que colocar a emoção de lado porque se não, eu não conseguiria fazer o trabalho que foi feito. Porque a gente tinha lá um baita desafio, um baita desafio e não se consegue vencer desafios na comunicação e em vários setores da vida, sozinha. Tem que ter time, ter que ter equipe. A gente precisa desse conceito, lógico que tu passa assim ó, lógico que quando eu faço meu programa das duas as cinco sempre tiveram uma espetacular audiência, ou brigar pra ser primeiro. Nesses 30 anos de historia, tenho muitas vitorias muitas mesmo e tenho derrotas grandes também. Mas sempre com time, então a gente me tem vou pro ar, e sou a ultima ponta, que sou eu que estou falando, mas tem um grupo de pessoas que trabalha comigo. O comercial que entra lá, alguém vendeu pra ele estar lá, alguém gravou,  alguém fez o texto. O cara da OPEC lá da operação que coloca no ar, enfim, o técnico que coloca a rádio no ar, tem ‘n’ situações e esse universo é muito legal, é muito importante. E eu tive uma situação assim, tu vês que o tempo vai passando e tu vais te profissionalizando, tu vais levando as chicotadas e tu vais tendo as vitorias, de que a gente tem que ter uma noção de publico. Nós temos uma obrigação como profissionais, de atender públicos. Hoje, os quatro públicos. No nosso caso, o público ouvinte porque é rádio, o publico anunciante, que é quem paga, o público colaborador que nós somos que fazemos e hoje o público da internet, da rede social. Então esses quatro públicos, nos tendo o atendimento para esses quatro públicos, nos temos um veiculo vencedor, seja ele rádio ou TV.</p>
<p><strong>P:</strong> Como gerente de produto, como tu vê essas transformações que tiveram a partir das redes sociais, quais foram às transformações que o radio teve que fazer pra atingir esse público?</p>
<p><strong>P:</strong> Principalmente a Cidade que tem mudado muito nos últimos anos NE, desde dois mil vem mudando bastante, alguns pontos na programação pra agregar novos públicos NE</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Sim, a gente muda, o veiculo tem que mudar a todo o momento. Por que imagina eu,es tou com quase 50 anos. Quando eu tinha 20, eu fazia parte do publico que me ouvia. Certo? Eu estava naquele nicho, o publico que a gente trabalha, agora esta se falando muito no publico C, a rádio Cidade sempre trabalhou com o público  C, classe média aqui no Brasil. E com publico base de 15 a 34 anos. Eu já sai há 16 desse aí e tenho que estar presente com essa galera, com a minha linguagem e adaptando a minha comunicação. E não, a gente vem sempre, permanentemente se modificando. Agora, a entrada da internet foi a maior porrada que se teve no sentido de alterações. Porque hoje as pessoas têm condições de fazer a sua própria mídia. Não há mais necessidade de um programa de radio pra ti te expor. Se tu tens uma banda, tu não precisa esperar que toque no programa do Mauri Grando na radio Cidade, de <strong>Alexandre Fetter</strong> na rádio Atlântida. Não. Tu gravas e põe na Internet, alguém vai te ouvir e pode ter algum consumo e quantos artistas surgiram e hoje estão fazendo sucesso através disso. Embora, outra lição, isso aqui é muito importante, o sucesso é uma coisa que a gente alcança, mas é preciso ter valor no trabalho da gente. Nem sempre tu vai ter sucesso, agora, se tu tiveres valor, tu vai conseguir fazer uma carreira. Tu vai conseguir ter uma continuidade naquilo que tu queres fazer. Seja aqui no rádio, seja como produtor, como câmera man, sonoplasta, enfim, a situação que você quiser dentro da comunicação. Até como publico, de repente vai optar em ser público sempre, vai ter outra função. Então, assim as adequações são necessárias e não tem como a gente ficar sem fazer algo diferente todos os dias. Às vezes o diferente é trabalhar em cima do mesmo só que no outro formato. Então a questão da Internet, o que mais mudou, tem uma frase do excepcional comunicador <strong>Sergio Zambiasi</strong>. Outro dia num papo com ele lá, eu trabalho diretamente com ele na radio Farroupilha, não no ar mas na parte da gestão de produto e ele diz o seguinte ‘a minha filosofia hoje é a seguinte: uma pessoa, uma mídia’. E é a grande verdade. Antes nos precisávamos do veiculo  radio, do veiculo televisão para ter publico. Com a Internet tu sozinho, tu é uma mídia. Porque tu podes ter um blog que uma pessoa vai ler ou milhares de pessoas vão ler, a partir do teu conteúdo. Não o que no estamos vendo. O radio dos veículos tradicionais é o que tem maior aderência com a Internet pela flexibilidade. Nós estamos agora aqui. Ta filmando ou fotografando? E eu to no melhor ângulo? Olha só o que acontece,  nós estamos agora aqui, eu pego o celular e nos entramos no ar pra qualquer radio do mundo que queira nos colocar no ar. A rádio ela tem essa instantaneidade essa flexibilidade de poder colocar no ar algo que a gente queira de qualquer ponto do mundo. Basta ter um celular, uma linha de acesso, um <em>walk talk</em>, como eu falei do balão. A Internet é outra coisa, isso tudo que esta sendo filmado agora, nos podemos pegar e colocar no Youtube daqui a pouco, em instantes. Então, essa aderência o rádio é o que melhor tem em relação a Internet. Então o que é que nos estamos fazendo? Nós estamos tentando ter uma agilidade e uma conexão com as redes sociais, com o veiculo radio, especialmente com a rádio cidade permanente. Não tem outra opção, não existe assim ‘não nos não vamos botar na internet’. Não tem, já esta dentro. Então hoje o seguinte. Em um smartphone tu tens as rádios do mundo inteiro e tem a radio cidade também. No aplicativo, tu dás um clique ali e em qualquer parte do mundo tu esta ouvindo. Então tirar o que for de benéfico da Internet para o veiculo radio. E nos estamos veiculando como? Comercialmente. Estamos linkando  radio, internet, não só o nosso site, que é muito bom. Rádio Cidade.com.br  ou da Rádio Farroupilha que é muito bom também. Aproveitem, sem moderação. Mudou, mudou bastante mas nos estamos dentro desse processo e nos estamos nos legitimando com isso. Porque nos estamos colocando experiência que a gente vivenciou pro radio e não so por mim, mas tem pessoas que estão há pouco tempo no veiculo mas que já estão dentro desse link de atuação com a internet. Então a gente tem um poder de fogo com o veiculo radio com a Internet. Que ao contrario do que muitas pessoas diziam, quando surgiu a MTv principalmente com videoclipes e tudo mais. ‘Agora acabou o rádio’. Não acabou. Ele se transforma. É a mesma coisa se tu fores ver a televisão, a TV fechada é super  segmentada. Tem canais só de desenho, só de futebol americano, tem de não sei o que. A TV aberta tem que se adequar. Então agora com a chegada da Internet e outras coisas vão acontecer daqui um tempo. Eu falei aqui pra vocês da questão do telefone celular. Quando eu entrei não tinha celular, não tinha TV. Não existia TV com musica e passou a existir. E cada vez melhor e acho que o público esta sendo blindado com mais alternativas de consumo, tem mais coisas legais pra serem absorvido  ai. E nisso, o que é que tu consegues ter de melhor numa radio bem feita ou numa TV bem feita? Enfim, num veiculo profissional. Se tiver que apresentar um conteúdo com qualidade, independente do segmento que você vai atuar. Não é porque tu vai atender um segmento mais popular tu tens que fazer uma TV ou uma emissora de radio ruim. Pelo contrário, tu tens que fazer um produto muito bom, pra manter a audiência e através dessa audiência manter o anunciante, atender o colaborador, esse é o processo aquele que eu disse dos quatro públicos que a gente tem que ter permanentemente na cabeça.</p>
<p><strong>P:</strong> E com a Internet e a radio, agora mais do que nunca no momento que tu esta no ar, tu estas presente junto ao teu publico  ouvinte. Porque tu tens o acesso às redes sociais, ao twitter e a todo o momento tu esta lidando com teu publico.</p>
<p><strong>P:</strong><strong> </strong>Como foi essa mudança de cultura pra ti? Com o tempo tu foste te acostumando, aos poucos. Mas é uma mudança de cultura que a qualquer momento alguém pode estar falando contigo e tu vai responder fora do ar, chegando em casa. Então é uma mudança muito drástica pra se comunicar com esses vários nichos que tu tem.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Muito drástica. Eu especialmente que tinha uma situação assim de uma preocupação direta com a audiência, de receber telefone. Hoje com a Internet eu apresento o programa e estou com o twitter aberto sempre. E tenho ali uma interação, no meu twitter, no twitter da radio, às vezes um questionamento, às vezes criticas, elogios, tem um pouco de tudo. Mudou completamente, hoje na abertura do programa, as duas e pouco, a Rafa que trabalha comigo, inclusive  é estudante aqui da PUC também, e a Juju que cuida da Internet que também estuda aqui na PUC. ‘Vamos tirar uma foto’ daí fomos lá tiramos uma fotinho e colocamos e dali a pouco um monte de comentários em cima da foto que nos tiramos. É maravilhos, e ao mesmo tempo assustador. Porque tu ta fazendo, esse papo mesmo que  temos aqui, é foto, é câmera, é o Ipad filmando, está gravando. Tu não sabes pra que lado tu olha. E hoje é assim, a gente é visto por todos os ângulos a todo o momento, É big brother permanente. A ideia do confinamento, hoje nós vivemos um grande Big Brother em todos os momentos da nossa vida. Nos não estamos mais so, sempre tem alguém com a gente. Embora isso não termine com a solidão muitas vezes. Porque a solidão esta dentro da gente. Tu saber te entender pra estar bem EME relação ao próximo, Então a rede social, a Internet, tem essa conotação de aproximar. E pra gente que fazia um trabalho anterior a isso, assustar, mas nos já estamos acostumados. Mas na comunicação não temo isso, não tem como tu ficar muito tempo de boca aberta. Então tem que estar muito ativo muito bem conectado e tem que estar sempre se questionando. ‘O que eu estou fazendo é o melhor pro momento?’ Sempre tem que estar te questionando. Mesmo estando no ar, programas de sucesso, que  estão há muito tempo sendo lideres de audiência, deixam de estar. Nada é porque faz um programa maravilhoso que vai ser maravilhoso a vida inteira. As coisas mudam e a gente tem que ter essa noção. Eu coloco muito isso em todas as oportunidades, a gente é visitada por alunos e tem muita gente que vem perguntar ‘como eu faço pra trabalhar na comunicação?’ Eu sempre procuro ter a mesma orientação. Se esta a fim de fizer, a primeira coisa é ter que estar muito ligado e saber que a qualquer momento vai ser ultrapassado, sabendo, lendo, te informando.</p>
<p><strong>P:</strong> Esse seria o grande desafio hoje do comunicador? Tá sempre conectado com todos os formatos pra conseguir conquistar cada vez mais o público.</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Querendo estar numa linha d frente, sim. Se quiser ser mais um, aí faz o que quiser NE. Agora, quem quer estar numa situação bacana, permanente de disputar um espaço, tem que estar muito conectado. Tem que saber entender que sempre tem alguém que sabe mais que tu. Aquele modelo arrogante de que ‘eu sou o fulano de tal’ já era. A audiência, o Instituto de pesquisa bate lá na tua casa e te pergunta qual rádio tu esta ouvindo e tu dizes ‘aquele xarope á eu não escuto mais’ ou ‘desliguei o radio pra ligar a TV’ ou ‘desliguei o radio pra ler’. Então a gente esta todos os dias com esse desafio, fazer com que as pessoas se mantenham ouvintes. Porque hoje eu toquei a musica da Rihanna, muito legal Diamonds. Tu entras num site lá e tu a vês cantando a musica. Então o que faz com que eu mantenha a audiência no meu programa tocando a Rihanna, Diamonds? Eu vou juntar um ingresso do Show do Fabio Jr que é promoção da rádio Cidade, show do Thiaguinho, Péricles, Samba Livre ou do Rei Roberto Carlos, ou ingresso para o jogo do Grêmio, para o jogo do Inter. Uma promoção que a gente vai levar o ouvinte a algum lugar, tu tem que criar situações, links, pra manter a tua audiência e continuar ativo com isso. E não adianta num programa as duas da tarde, não importa se eu estou bem ou se eu estou mal, estou doente, gripado. Se eu estou  ali, eu tenho que entrar feliz, porque a pessoa imagina liga o radio e o caraestá ai ‘duas da tarde’.</p>
<p><strong>P:</strong> Bom, o papo está muito bom e eu gostaria de continuar conversando contigo. Até porque o papo contigo flui, mas o programa esta chegando ao fim. Que mensagem tu gostaria de deixar pros nossos ouvintes?</p>
<p><strong>Mauri:</strong> Durante o nosso papo aqui, eu coloquei isso, que a gente não tem que desistir. Eu acho que a vida é uma continuidade e ser um profissional também é uma continuidade. Ninguém alcança um determinado posto ‘ah virei gerente, virei diretor’ e não é porque tu viraste diretor que tu vai ser direto para o resto da vida. Todos os dias tu vai ter que ser um bom diretor, um bom gerente, um bom comunicador, um bom colega, se não tu vai dançar nisso. Então a referencia melhor que posso conduzir aqui, já com 30 anos corridos é, muitas derrotas, mas muitas vitorias.  E a vitória tu alcança é aprendendo na derrota. Então nos temos aqui uma situação de que desistir, não. Mas tem que ter uma consciência de que é preciso melhorar em relação a você mesmo. Não adianta tu te espelhar ‘eu quero  ser o Faustão  porque o Faustão ganha três milhões por mês’. Pra ti chegar a ser o Faustão, tu vai ter que é ter algumas situações. Ou o carisma dele, ou uma oportunidade que ele teve de fazer um programa e ser visto pela Globo, depois de 25 anos trabalhando como repórter de rádio, com visibilidade mas muito menor. Agora se tu queres ser um grande apresentador, te prepara pra ser. Primeiro de tudo, tem que focar no tipo de público que você quer atingir. Não dá pra atirar pra todos os lugares. É a mesma coisa, se vai ser jornalista de escrever em jornal. Não dá pra escrever na coluna social, no esporte e ser jornalista policial. Hoje esta muito segmentada. Fazia-se isso antes de eu entrar e já estou há 30 anos. Eu acho que fazer tudo ao mesmo tempo, o melhor que eu posso transferir, na “porrada”, no não. É lógico que a gente sofre na porrada mas tenta te qualificar. É muito importante a gente ter relações, conhecer pessoas. Hoje com as redes sociais, ter um papo cm alguém, mesmo que virtual, mas que te acrescente. Porque tem muita gente que acha que vai se tornar um radialista ou vai trabalhar numa radio da moda. Ou vai trabalhar num programa da moda, ou numa revista bacana, só por querer isso. Tu tem que querer mas tu tem que ter qualidade. Chegar lá e se manter. Se manter é muito mais difícil do que chegar lá. Então sequência, tem que buscar ensinamento. Tem que ter conhecimento, se não tiver conhecimento, você não vai conseguir ter uma estrutura de se manter aonde você quer chegar.</p>
<p><strong>P:</strong> Tá certo, eu agradeço muito a tua presença. Acho que foi muito gratificante e enriquecedora a tua presença aqui, principalmente pra quem ta ouvindo e acompanhando o ‘Vozes do radio’. Que hoje teve a presença de Caroline Corso, Eduardo Bertuol, Fernanda Ponciano, Jessica Mazzola e Stéfano Souza. E eu, Rafael Grendene. A gente agradece também ao Alencar Diniz, na mesa de áudio. Esse foi o ‘Vozes do Radio’ aqui pelo Projeto Experimental de rádio para a Famecos. Boa noite.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Entrevista gravada no estúdio de rádio da Famecos PUCRS em 9 de abril de 2013</strong></p>
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		<title>Entrevista Completa</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 00:09:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G3_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe Garcia Vieira]]></category>

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		<description><![CDATA[FELIPE VIEIRA P: Primeiro gostaríamos de saber o teu nome completo data e local de nascimento? Felipe Vieira: Felipe Garcia Vieira, 47 anos, nascido em Butiá P: Data de nascimento Felipe Vieira: 27/2/1966 P: Como foi o teu primeiro contato com o rádio? Felipe Vieira: Profissionalmente, foi na rádio Sobral, em Butiá. A rádio foi instalada em Butiá no dia 16 de janeiro [...]]]></description>
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<p><strong>FELIPE VIEIRA</strong></p>
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<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-completa-100/felipe-1-4/" rel="attachment wp-att-7834"><img class="aligncenter size-large wp-image-7834" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/felipe-13-800x533.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a></p>
<p><strong>P: Primeiro gostaríamos de saber o teu nome completo data e local de nascimento?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Felipe Garcia Vieira, 47 anos, nascido em Butiá</p>
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<p><strong>P: Data de nascimento</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira: </strong>27/2/1966</p>
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<p><strong>P: Como foi o teu primeiro contato com o rádio?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Profissionalmente, foi na rádio Sobral, em Butiá. A rádio foi instalada em Butiá no dia 16 de janeiro 1979 oficialmente e um mês antes,  A rádio começou em caráter experimental e eu fiquei fascinado com a chegada do rádio na cidade. Quando a rádio inaugurou, o que hoje a gente convencionou como interatividade, já existia naquela época. Era o ouvinte participando mesmo e  participação acontecia com uma pergunta, se ligava para a rádio e respondi. Nessa época, Butiá tinha 130 telefones de magneto, que para a gente efetuar a ligação passávamos pela CRT, a telefonista atendia, perguntava para onde e depois passava a rádio. Eu estava de férias e fiquei apaixonado pela rádio e eu virei o ouvinte interativo chato. Eu tinha 12 anos e de tanto encher o saco e passei a ganhar todos os prêmios da rádio. O <strong>Herón Oliveira</strong>, que fez rádio em Porto Alegre e hoje é Delegado Regional do Trabalho de Porto Alegre e também deputado estadual disse que eles precisam de mim porque eu era o mais rápido, mas precisavam também que outras pessoas participassem. Assim, resolveram me chamar para trabalhar na rádio, pois eu tinha uma voz boa e iriam criar alguma coisa para me distrair. Tinha um programa  de esportes  apresentado pelo<strong> Brasil Oliveira Lucas</strong> e nessa época nós tínhamos muito futsal numa quadra da Brigada Militar e eu tinha um time que passava o dia inteiro jogando lá. Então eu fazia todos os scores dos jogos e de noite ia para a rádio e eu dava todos os resultados com o número de gols que cada jogador marcava.</p>
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<p><strong>P: Dentro de casa, tu tiveste alguma influência?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Não, meu pai era contador e minha mãe era costureira. O meu tio era sócio da rádio, mas a rádio de Butiá tinha 13 sócios, então ele investia, mas não era nenhum diretor. A rádio de Butiá foi uma ideia do padre para que a igreja católica tivesse uma forma de comunicação com os fiéis. Inclusive uma boa parte da rádio era de propriedade do padre de Butiá. Então foi isso, eu não sofri influência nenhuma, mas desde pequeno eu dizia que ia trabalhar em televisão e apresentar telejornal.</p>
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<p><strong>P: A Rádio de Butiá tinha bastante audiência nessa época?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Sim, rádios locais sempre têm bastante audiência.</p>
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<p><strong>P: E eles sabiam que tu eras o Felipe Vieira?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Eles sabiam que eu era o Felipe, filho do Romeu e da Ilda porque a cidade tinha 15 mil habitantes. Então, eles me conheciam desde pequeno.</p>
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<p><strong>P: Nessa idade, o que mais te fascinava no rádio?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> O rádio como um todo, saber que alguém estava me escutando. O fascínio da transmissão da voz depois de conversar com a pessoa. Eu não sabia como funcionava, mas eu sabia que aquele cara que passava por mim na rua interagia comigo no radinho. Eu não tinha a percepção de como tudo funcionava, a onda, a antena etc. Mas eu gostava de saber que a rádio ajudava as pessoas. Porque a rádio, principalmente do interior, é um rádio muito de prestação de serviços. Naquela época, sem internet e sem celular, um dos programas de maior popularidade era o “Recados para o interior”, em que as pessoas cidade vinham pela manhã na rádio e entregavam os seus bilhetes para quem estava na fazenda. O mesmo acontecia com as pessoas que vinham das fazendas e tinha um recado para quem estava na cidade. Isso durava uns 30 minutos e era prestação de serviço mesmo, porque naquela época não existia contato. Hoje em dia, todos têm celular, então o rádio trabalha hoje com outra situação.</p>
<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-completa-100/felipe-2-2/" rel="attachment wp-att-7835"><img class="aligncenter size-large wp-image-7835" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/felipe-21-800x533.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a></p>
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<p><strong>P: Tu lembras a primeira vez que tu escutaste a tua voz no rádio?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> A primeira vez mesmo foi quando eu liguei para a rádio e participei como ouvinte, em que me achei o máximo porque estava falando na rádio. Dos 13 aos 14 anos eu fiquei brincando com isso e aprendendo informalmente com o pessoal da rádio. Então aos 16 anos eu tive um acidente gravíssimo de carro e na recuperação eu ia para o colégio e depois como não tinha mais nada para fazer me colocaram como operador de áudio do programa “Entardecer na querência”, de música gauchesca no final de tarde. Depois vinha a Voz do Brasil e, em seguida, um programa de esportes e o Clube dos Namorados. Uma vez eu fui aprender a montar o equipamento da rádio, que a rádio fazia algumas promoções com lojas. Então, eu fui à loja Lebes, de Minas do Leão, aprender a montar o equipamento que era naquela época bem diferente do de hoje. Então tu pegavas dois jacarezinhos e colocava no telefone, plugava os aparelhos e transmitia. Eu testei os microfones e estava tudo certo. O <strong>Jorge Mathias</strong> que ia apresentar o programa direto da rádio se atrasou e o programa tinha horário para entrar no ar. Então não tinha quem fizesse e eu disse que aquilo eu fazia. Foi assim que eu comecei. Nessa vez, ninguém tinha me contado que o dono da loja não dava entrevista, mas eu conhecia o dono desde quando eu tinha 3 anos de idade. Quando eu fui falar com ele no ar, ele travou no início, mas depois pensou que eu era o filho do seu Romeu e da dona Ilda e falou comigo normalmente. Entrevistei-o normalmente, ele falou das ofertas e promoções. Quando terminou a entrevista eu chamei a música e o pessoal que estava me acompanhando disse que o dono da loja não dava entrevista de jeito nenhum. Depois disso, o dono da loja nunca mais parou de dar entrevista. Então essa foi a primeira vez que eu me escutei com os fones no ouvido.</p>
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<p><strong>P: E com essa tua voz forte e bonita, tu não deves ter achado ela feia como a maioria das pessoas critica a sua própria voz ou sim?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Todos acham a sua voz ruim. Toda a vez que eu ouvi minha voz eu acho horrível.</p>
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<p><strong>P: Nessa época, existia liberdade para que um menino de 16 anos entrasse no ar ao vivo?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> É bom lembrar que eu trabalhava na rádio Sobral de Butiá, onde não havia muita restrição, apesar de nessa época eu ser ainda apenas operador de áudio. Aos 17 anos sim, que daí foi quando eu fiz o curso da Feplam e virei locutor entrevistador.</p>
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<p><strong>P: Quando que tu enxergaste que essa tua paixão pelo rádio poderia virar tua profissão?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Com 13 anos eu já tinha decidido que era isso que eu queria fazer. A minha mãe conta que quando eu era bem pequeno, ela ficava assistindo televisão e eu dizia que ia trabalhar na TV.</p>
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<p><strong>P: Tu decidiste vir para Porto Alegre para estudar?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Sim, eu vim para Porto Alegre a fim de cursar a faculdade, aos 18 anos. Porque primeiro eu rodei um ano no colégio e noutro eu pensei que fosse virar craque do Sport Club Internacional ou jogador brasileiro da Seleção de Vôlei. Eu cursei praticamente a faculdade toda trabalhando na rádio de Butiá. Eu saia de Butiá às 15 para às 6 da manhã, vinha para a PUC tinha aula com o Brito, Luciano, Magda Cunha, Leonam, com o povo todo aqui e voltava para Butiá em um ônibus ao meio dia e quinze, trabalhava na rádio de tarde fazendo um programa e tinha dias que eu ainda voltava de noite para fazer mais umas cadeiras porque eu sofri um acidente de carro e para recuperar as aulas. Foram 4 anos assim. Na eleição de 89 eu inventei de fazer um trabalho sobre rádio com o<strong> Flávio Alcaraz Gomes</strong>, fui na rádio Gaúcha e entrevistei o <strong>Marco Antônio Baggio</strong>, diretor de jornalismo da rádio, aí ele gostou das minhas perguntas, gostou do meu jeito. O <strong>Luciano Klöckner</strong> era coordenador de jornalismo lá, acho que deve ter influenciado, e eu fui fazer um freela para a Gaúcha na eleição de 89. Fiquei na 114ª zona eleitoral, no Gigantinho. Nessa época se contava votos, vocês não são dessa época, tinha cédula de papel.</p>
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<p><strong>P: Mas tu já estavas formado ou ainda não?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Não. Aí então me botaram no Gigantinho, não vou lembrar o nome do  rapaz. O cara ficou lá 12 horas. Ele ficou lá umas três horas esperando para ser chamado. O boletim dele escrito, ele só tinha que completar com os números da votação. E eu peguei as 8 da noite. Eles tinham me avisado “ó, tu vai dar no máximo um boletim, nós vamos chamar ele ali pelas 7 e meia, então tu vai dar um boletim as 11e meia, quando encerrar as urnas e tal”. Tá, tudo bem. O cara saiu e ele me entregou o boletim dele e disse “olha, os números são esses aqui, isso aqui é a última apuração e blá, blá, blá&#8221;. Eu não aguento mais, eles não vão me chamar, eu estou indo embora. Vou pegar o carro que te trouxe”. Tá, eu botei o fone e&#8230; eu não me lembro como era o nome do repórter. O <strong>Cláudio Moretto</strong>, esse colega do Luciano na coordenação da Gaúcha, entrou assim “fulano, se prepara que tu vai entrar no ar. Gigantinho Gigantinho!”. Aí eu me flagrei que era eu. O fulano que ele tinha falado era o cara né. E eu assim “não, mas o fulano já foi embora”. “Quem é que tá falando?”. “Ah, o Felipe Vieira”. “Quem é Felipe Vieira?”. “Eu sou o cara que veio aqui render ele e tal”. Aí eu acho que o Luciano  estava por lá e explicou. “Não, não, ele vai fazer um boletim”. “Ah, então te prepara que tu vais pro ar”. O cara mal tinha saído do Gigantinho. Foi coisa de assim de&#8230; Aí eu entrei com o boletim lido, porque eu não tinha conseguido apurar nada. Li o boletim dele. Aí os caras “tá, quando fechar aí a votação tu pega e liga pra cá que nós vamos gravar um boletim contigo”. Aí tá, terminou uma hora e pouco depois e eu entrei de novo ao vivo e eles pediram para gravar e deixar pra madrugada. Aí foi esse negócio de se ouvir no rádio. Eu fui pra casa e fiquei a madrugada inteira esperando assim “eles vão me chamar, eles vão me chamar”. Tô esperando até agora, eles não botaram o boletim no ar. Eu entrei duas vezes ao vivo e tô esperando até agora o boletim gravado. Foi isso, me início na Gaúcha foi esse.</p>
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<p><strong>P: E tu chegaste a trabalhar na época da Ditadura  na rádio?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Não. Em 79 a gente já tinha&#8230; Tinha uns milicos ali, mas não.</p>
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<p><strong>P: Mas pegou esse processo de democracia né?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Peguei a abertura, peguei a abertura. Mas não&#8230;</p>
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<p><strong>P: Participou da primeira eleição presidencial?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Eu participei da primeira eleição para prefeito e governador, a de 82 eu trabalhei na rádio Sobral dando boletim para a rádio Guaíba. Eu que dei o boletim da Guaíba deles.</p>
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<p><strong>P: Então tu não sentias essa repressão assim, censura?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Não, até porque a rádio lá não tinha&#8230; Como era uma rádio local, uma rádio comunitária, uma rádio de prestação de serviço não tinha. Nessa época todos os partidos tinham seu programa na rádio, cada um fazia literalmente sua propaganda política e tal. Mas era tranquilo, não peguei nada disso. Eu sofri censura na eleição de 94. Foi em 94 que a Zero Hora foi censurada, 94 que a Zero Hora teve um texto brilhante do<strong> Marcelo Rech</strong>.</p>
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<p><strong>P: Seria a eleição do Fernando Henrique, quando o Fernando Henrique concorreu?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: É, mas eu estou na dúvida se era esse eleição. Era uma eleição onde a Zero Hora tinha uma pesquisa e foi censurada a pesquisa. E ali nós tínhamos trabalhado&#8230; E assim, eu não fui censurado, mas tinha a questão de ter um sentido de censura, porque era a primeira vez que a lei estava sendo colocada à prova assim. Aí o Marcelo Rech fez um texto brilhante sobre a situação da eleição e a censura que a Zero Hora estava sofrendo. Não me recordo do caso direito. Eu lembro que era eleição e a gente não podia falar muito. Mas acho que foi 94 ou 96.</p>
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<p><strong>P: Depois desse freela na Gaúcha, o que aconteceu?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Depois desse freela na Gaúcha, em 1990 a RBS inventou um programa de jornalismo, de jornalismo aplicado, que era&#8230; Concorriam 35 pessoas, 18 eram funcionários deles e 17 eram vagas para estudantes. Das 17 vagas pra estudantes a curiosidade é que 8 colocaram TV, 8 colocaram jornal como interesse e um apenas colocou rádio.</p>
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<p><strong>P: Tu?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Aí eu estava no processo de recuperação do acidente e eles me chamaram. E aí eu sofri outro acidente.</p>
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<p><strong>P: Nossa! Quantos acidentes foram no total?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Tem um monte. É cotovelo quebrado, tem perna quebrada&#8230; Nenhum culpa minha. Capotagem não foi culpa minha, batida de frente não foi culpa minha, nada foi minha.</p>
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<p><strong>P: Mas já teve alguma reportagem que o senhor fez que o senhor teve que controlar a emoção?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Muitas. Eu sou um chorão, né. Se tu pedir pra Bandeirantes deve ter uns 50 vídeos meus chorando lá. A Bandeirantes tem um negócio muito legal criado pelo <strong>Bira Valdez</strong> chamado “Cidadão Legal”. Eles pegam um voluntário e fazem a história desse voluntário. Seguidamente voltava e eu estava chorando no ar. Chorando copiosamente. Era ridículo. Os caras dizem “ah, o apresentador tem que ser frio”. Não, as histórias me emocionavam, e eu nunca me arrependi disso.</p>
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<p><strong>P: E qual foi a que mais te marcou?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong>  Tenho muito exemplo legal de pessoas que fazem voluntariado e pessoas que trabalham com drogadição, aí tu vês aquelas crianças que não teriam oportunidade nenhuma na vida. E os caras também, não são pessoas ricas né&#8230; São pessoas pobres que que dividem o pouco que têm, o tempo que têm, com essas pessoas. Ali no “Cidadão Legal” tem muita história que me fascinou, que mexeu comigo, mexeu com a emoção.</p>
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<p><strong>P: E teve alguma história que o senhor fez, que o senhor não queria fazer, não queria estar naquele lugar naquele momento?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Ah, tem, tem muita coisa sim. Lá no início da carreira, em Butiá, teve uma enchente&#8230; Não dá pra dizer nem que era um riacho&#8230;</p>
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<p><strong>P: Um açude?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Não, era um valão, uma coisa assim, muito suja. E chuva, e chuva, não parava de chover. O pessoal ficou mal ali. E aí eu fui, primeira vez que eu me deparei com essa realidade, de ver as pessoas mal, ver as pessoas desabrigadas, de não saber o que fazer, de não saber como questionar aquilo ali, de não entender como aquelas pessoas estavam tão mal abrigadas, de não saber pra onde levar essas pessoas. Não tinha uma defesa civil organizada, foi a primeira vez que a gente se deparou com aquilo. A partir dali a rádio começou a aprender e foi a primeira vez mesmo que eu me deparei com uma situação de pessoas precisando, tu tendo que ser o meio entre essas pessoas, o veículo dessas pessoas. Eu não estava preparado para aquilo não. E no fato de emoção te bater, aquela é a que me bate mais até hoje. Eu me lembro da cena, sabe. As crianças&#8230; Minha família é de classe média, eu nunca tive muita coisa, mas eu nunca tive privação. E aí tu vê as crianças sendo privadas. Eu já estava com 16 anos, achava que já entendia um pouco de política&#8230; Aquilo te revolta, e tu não sabe como fazer, como atuar, como transmitir. Aquilo foi bem complicado, acho que é a vez que eu me deparei mais assim&#8230; Pelo fato de ter sido a primeira vez e por naquele momento ter passado a acreditar mais no rádio, porque literalmente se criou uma corrente do bem que era um negócio de todo mundo ajudando, as coisas chegando de tudo quanto era lugar, ninguém perguntando, sabe? Tinham coisas assim “e como é que faz a arrecadação?”. Não, então traz pra rádio. A rádio não estava organizada, a gente não tinha esse&#8230; Tu não sabia como separar. Não tinha o espaço físico, mas não tinha a expertise de separar as coisas, de fazer, sabe? E as coisas chegando, e tu não sabendo como ajudar.</p>
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<p><strong>P: Mas era o rádio que fazia o intermédio pra que isso acontecesse?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Era. E aí foi um negócio que eu também participei muito naquela época, a sacada da coisa foi o grupo de jovens lá pra ajudar as pessoas. Aí chama todo mundo. Naquele caso como a rádio era da igreja católica, o padre era da igreja católica, tinha uma relação muito forte com os grupos de jovens, curso de liderança juvenil, grupos já mais organizados. Então chama todo mundo, organiza como é que pode ajudar, onde é que leva as pessoas. Butiá não tinha um ginásio, então se levou para o salão paroquial, foi uma coisa bem&#8230; Bacana foi a comunidade, a forma como a comunidade&#8230; E foi a primeira vez que eu tive essa experiência do rádio ajudando as pessoas. Isso é uma coisa que eu lembro, uma carga muito grande.</p>
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<p><strong>P: E quando tu vieste pra Porto Alegre e começou a trabalhar nas rádios daqui tu devias ser como qualquer foca que fazia de tudo um pouco, ou tinha já uma área?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> No meu primeiro dia de rádio Gaúcha formal, como eu fazia no Gigantinho, o Luciano chegou e me entregou cinco pautas. Chegou “ah, tudo bem e tal, aqui estão as tuas pautas”. Aí eu olhei “ah legal, que que eu faço agora?”. Porque eu nunca fui repórter de montar matéria, eu até montava, né, fazia algumas coisas. Onde é a sala, onde tem telefone, como é que grava aqui. Em Butiá quando eu ia gravar eu tinha um estúdio, claro, da época, mas um estúdio parecido com esse aqui. Eu dava play num gravador de rolo e tal, então&#8230; “Não, tu vai ali, pega teu gravadorzinho, bota o jacarezinho, bota aqui, grava ali, aí depois tu vai lá embaixo, monta com o operador e tal”. “Sim, mas e o telefone desse cara aqui”. “Ah, te vira, tu é repórter”. Literalmente fui jogado aos leões. E aí tinha o<strong> Vitor Bley de Moraes</strong>, o&#8230; Sou péssimo pra nomes. Mas o Vitorese estava junto ali, o Flávio Pereira, aí eles foram me orientando. &#8220;Não aqui ó, faz aqui. Isso aqui tu faz assim”. Aí isso aqui eu tenho a faculdade, isso aqui eu tenho a manha da rádio. E foi muito gozado porque eles começaram a fazer os negócios, eles entravam bastante ao vivo mas não entravam sempre ao vivo né, e eu não compreendia esse negócio de não entrar ao vivo. E eu não entedia isso de não entrar ao vivo. E eles para mim, tu tem que escrever teu boletim. Porque como eu sempre escrevia loucamente ao vivo, não tinha esse negócio. Na Famecos tem uma história maravilhosa. No início da faculdade, tem um exercício que tem que fazer, estenderam o cabo, eu fiz um boletim, e toda turma ficou no estúdio. Não podia ler, era ao vivo. E eu criei um jogo de futebol na cabeça. Daí tinha umas colegas minhas no estúdio e disseram assim: “mas não podia ler”. Acho que foi o João Brito, professor, que disse: “ele não leu, ele fala assim mesmo”.</p>
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<p><strong>P: Tu te formaste em que ano na Famecos? </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: 1991. Fiquei cinco anos aqui dentro.</p>
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<p><strong>P: Na Gaúcha começou no mesmo ano?</strong><strong> </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Na Gaúcha, em 1990.</p>
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<p><strong>P: Ficou quanto tempo lá? </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Nove anos e 11 messes. Na Gaúcha eu ia completar dez anos, daí a RBS da um relógio, daí eu pedi demissão. Dai a Cristiano que era gerente do RH disse assim “mas tu tá na lista do dez anos, vai ganhar um relógio”. Dai eu disse “ah, qualquer dia eu volto para buscar&#8221;.</p>
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<p><strong>P: E saiu por qual motivo? </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Porque o Bira Valdez pegou e me convidou para ir para a Bandeirantes participar do Jornal Urgente com ele e o Políbio Braga e apresentar o jornal das sete da Band, o Band Cidade. Daí eu achei que era uma oportunidade nova. Na RBS eu tinha meio que batido no teto, porque naquela época era assim. Tinha o<strong> Rogério Meldenski</strong>, o <strong>Ranzollin</strong>, o Lauro, o Macedo, o Lasier e o Rui na programação. E não tinha perspectiva nenhuma de mudar aquilo. E eu era o substituto de todos eles. Eu fazia o programa do Rogério Mendelski que era aos sábados, o Gaúcha Hoje, e eventualmente substitui o Ranzollin, mas eu era o substituto do Lauro Quadros, do <strong>Lasier Martins</strong> e do <strong>Antonio Carlos Macedo</strong>.</p>
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<p><strong>P: Mas continuava repórter? </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Continuava. E aí batia no teto. Não tinha perspectiva nenhuma ali. E na TV, eu já tinha sido chefe de esporte da RBSTV nessa época e não tinha me adaptado, eu gosto de rádio e tal. Estava na TVcom. Daí o Bira me chamou e disse assim: a gente tá com um novo projeto para a Bandeirantes e quero que tu venha trabalhar comigo e o Afonso e o Políbio e eu vou te dar mais um espaço na rádio de tarde, e tu vai fazer o Jornal da Noite na TV.</p>
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<p><strong>P: Como apresentador?</strong><strong> </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Ao lado de Patrícia Poeta. Famequiana, nascida em São Jerônimo e que a RBS não quis no projeto caras novas da RBS. E hoje apresenta o Jornal Nacional.</p>
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<p><strong>P: E essa estreia na Band foi em que ano?</strong><strong> </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Foi em 1999. Depois da eleição. Não, foi em janeiro, não lembro. Ai acho que tirei férias. Ou é fim de 99 ou inicio de 2000.</p>
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<p><strong>P: E te adaptou legal na TV?</strong><strong> </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Bá, adorei a experiência. Eu já tinha feito TV, fazia TVcom. Querem uma legal? Vou contar uma legal. Em 1997 fui para RBS TV chefiar esporte. Dai, a ordem era. Dar um tempo na TVcom e depois fazer algumas matérias de esporte. Sou Colorado fanático e fui ver um jogo do Inter. E aquele árbitro mineiro, Marcio Rezende eu acho, ele poderia ter sido o árbitro da Copa de 98. E ele estava usando pela primeira vez no Brasil aquela faixa que tem, um aparelho que treme. O bandeirinha aciona a bandeira e treme no braço do árbitro. O <strong>Andrei Kampff </strong>era o repórter de campo da RBSTV, eu cheguei ali e disse, olha aí, um aparelho novo e tal mas ele não se interessou. Que que eu fiz? Peguei a câmera, e fui gravar isso. Eu peguei literalmente a câmera e fui falando, “Olha só, pela primeira vez no Brasil…”. Bom, isso aí. Voltei para RBSTV. O Régis Rözing estava lá fechando um VT da Globo e disse assim “Manda pra Globo que ela vai querer isso ai.” Eu disse, não, ninguém vai querer, não vou mandar. Ai o Régis que estava fechando o VT para o &#8220;Bom dia Brasil&#8221; a uma hora, disse para o editor do jornal assim &#8220;olha temos duas matérias daqui de Porto Alegre. Nós vamos fechar o VT e usar isso no Bom Dia Brasil. Quem é o repórter perguntou. Dai o Régis falou: - Felipe Vieira. E ele “ta e quem é esse repórter?” Noutro dia o Régis pegou um avião para o RJ e foi embora. O Régis chega lá, vai ver o &#8220;Bom dia Brasil&#8221;. Tá, o material dele. Aproveitaram meu boletim. Dai os caras assim: &#8220;isso serve para o Globo Esporte.” e o Régis concordou. Na época, o apresentador era o Décio Freitas. O primeiro boletim saiu no &#8220;Bom dia Brasil&#8221;, no &#8220;Globo Esporte&#8221;, mas no Globo Esporte tem um problema. Na máquina que colocaram, ela ficou com problema e tiraram do ar. Dai o jornal da Globo pegou e reaproveitou. Dai os caras começaram a se deitar no Régis. Olha, pegaram um cara de geral a fazer material de esporte no teu lugar em Porto Alegre. Ele disse, não esse é o Felipe Vieira, chefe de esportes da RBS TV, que vocês conversam todo dia. Então a primeira vez que fiz um VT acabou na Globo. Depois foi horrível, esquece. Minha carreira ali começou e terminou ai. Mas não era minha praia. Tem que ser um cara menor, saber usar o corpo. Eu posso ancorar e tal. Mas a TV necessita de outras coisas.</p>
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<p><strong>P: Por causa da TV as pessoas começaram a te reconhecer na rua?</strong><strong> </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> A TV tem uma coisa muito louca. Até hoje eu vou no supermercado, no Beira-Rio, qualquer lugar que eu vá alguém diz assim “Te vejo todo dia na TVcom”. &#8220;Te vejo todo dia na Bandeirantes.&#8221; Faz dois anos que sai de lá, as pessoas continuam me vendo lá. As pessoas continuam me ouvindo na Bandnews, na Band. As pessoas querem ser agradáveis e fazem essas loucuras. Hoje fui no Jornal do Comércio entregar um convite dum jantar do Internacional. Fui lá, falar com o Mércio Tumelero que é o proprietário. Pediram que fosse alguém que não fosse um office boy, daí o cara que me atendeu disse assim “Felipe Vieira da Bandeirantes está aqui.” Aí eu disse, sou da Guaíba mas estou aqui pelo Internacional. O cara não entendeu nada. Ele disse que me ouvia todo dia na Bandeirantes.</p>
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<p><strong>P: Quanto tempo tu ficou lá?</strong><strong> </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Dez anos. A minha vida tem ciclos de dez anos. Porque foram dez anos da RBS, dez anos no interior, dez anos na Band.</p>
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<p><strong>P: Tu tens novas propostas?</strong></p>
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<div><strong>Felipe Vieira</strong>: Não. O Mercado gaúcho é muito ruim. Se preparem.</div>
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<div><strong>P: Então voltou para TV?</strong></div>
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<div><strong>Felipe Vieira:</strong> Não. Daí fui para a Record, dai lá não me aproveitaram na TV. Tava previsto mas não aconteceu.</div>
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<div><strong>P: Então posso dizer que tu conseguiu passar por todas emissoras do Sul.</strong></div>
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<div><strong>Felipe Vieira</strong>: E a primeira televisão que me convidou mas a RBS não deixou foi a Pampa. A Pampa queria que eu fosse fazer um jornal as onze na noite. Ai teve negociação. O <strong>Enio Berwanguer </strong>que trabalhava lá e era diretor ligou para o Ranzollin e pediu. E ele, muito querido me chamou para a sala dele e disse que no Rio Grande do Sul não se faz isso. Então ano que vem a RBS, em 94, ele disse que a RBS ia colocar um projeto novo, que era a TVCOM, e muita gente da radio vai ser aproveitada e tu tá nos meus planos. Eu disse, não, meu negócio é rádio e eu fico aqui.</div>
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<p> <strong>P: E qual que tu achas que foi uma característica principal para te abrir as portas, para tu transitares tanto pelo rádio quanto pela televisão e passar por várias emissoras?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira</strong>: Cara de pau. Não pode ser muito encolhido para isso, não. Tem que ter um pouco de cara de pau. Eu tinha muita cara de pau aqui com os professores. A PUCRS, a  Famecos, foram muito importantes para me abrir portas porque quando eu cheguei na Gaúcha, por exemplo, eles já tinham uma ideia de quem eu era. Porque o Luciano foi meu professor, a Magda Cunha foi minha professora. Então eles tinham uma ideia. “Esse é um cara de rádio”. Quando eu cheguei na Gaúcha, então, eu já tinha&#8230; “Ah, foi aluno de quem?”, “Foi aluno do Luciano e da Magda” “Pô, Luciano e Magda, e aí? Podemos apostar ou não podemos?”. Então eu tinha isso. Eu acho que tem essa questão, assim, de ter aproveitado as oportunidades aqui na universidade. Eu aproveitei bastante, eu acho. Porque era uma cadeira que eu me dava muito bem a de Rádio. E a partir disso, muito é relacionamento. A tua network é muito importante.</p>
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<div><strong>P: Felipe, como é que tu descreverias a tua carreira no Rádio? Uma carreira tranquila? Com altos e baixos?</strong></div>
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<div><strong>Felipe Vieira:</strong> Não. Não&#8230; Minha carreira é bem estável, porque eu fiquei dez anos numa, dez anos noutra, estou há dois anos noutra. Não sei, eu acho que eu tenho uma carreira estável. As pessoas sabem quem eu sou, o ouvinte de rádio jornalismo em Porto Alegre tem ideia de quem eu sou. Sabe o estilo que eu tenho, a forma como eu pergunto, o comentário que eu faço&#8230;</div>
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<p><strong>P: Tu te sentes reconhecido pelo trabalho que tu fazes?</strong></p>
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<div><strong>Felipe Vieira:</strong> Ah, eu me sinto. Me sinto e acho que não tem muito como medir isso, né. Hoje tu tens uma situação muito complicada que é o ibope da Gaúcha, né, que é estrondoso. A estrutura da RBS sabe muito bem usar&#8230; Então, realmente, a gente tem essa dificuldade. Mas eu não sinto dificuldade, e eu não reclamo disso. É mercado. Se pegar o ibope quando eu fui pra Guaíba, há um crescimento grande da Guaíba. Isso aí ta lá, são os números do ibope. E eu me sinto reconhecido pelo carinho que eu tenho de Porto Alegre. Eu ganhei Amigo do Livro, da Câmara Rio Grandense do Livro, que é um prêmio que eu chorava copiosamente. Se tu queres ver um vídeo,  eu chorando, deve ter no Youtube&#8230; Esse vídeo é um fiasco! Eu agradecendo o prêmio de Amigo do Livro. Esse ano passado eu ganhei um prêmio da Secretaria de Cultura, que é também uma escolha deles em função do trabalho que a gente faz. Eu ganhei seis vezes o Prêmio Press de melhor apresentador de TV, melhor apresentador de rádio uma vez, duas vezes jornalista do ano. Eu não posso reclamar, né? Acho que o meu ego está satisfeito. Meu ego é grande, mas está satisfeito.</div>
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<div><strong>P: E com certeza deve ter quem, mesmo não te vendo na tv, reconhece a tua voz&#8230;</strong></div>
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<div><strong>Felipe Vieira</strong>: Acontece pra caramba.</div>
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<p><strong>P: Rádio tem muito disso&#8230;</strong><strong> </strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Em fila de supermercado tem muito disso. É muito gozado. Isso é muito gozado. Eu vou conversar com alguém na fila do supermercado, pedir alguma informação, alguma coisa&#8230; “Poft&#8230; Conheço essa voz. Tu és o Felipe”. Isso é um reconhecimento muito legal. E quanto mais humildes as pessoas, mais eu fico emocionado. Porque, primeiro que tu não imaginas&#8230; O que a gente imagina sempre? Que classe C, D, E vai ouvir a Farroupilha. Não é? É um preconceito que a gente tem. Como eu participo sempre de esporte, então, eu imagino que um pouco da classe C me ouça lá, dando meus palpites no esporte. O ouvinte A-B eu imagino que me conhece. Então, quando tu vês alguém no supermercado, que é uma pessoa mais humilde chega&#8230; “Eu conheço a sua voz”. Bá, eu fico&#8230; Eu saio flanando&#8230; Eu saio bobo dali.</p>
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<p><strong>P: Felipe, no início da nossa entrevista tu falaste que quando tu trabalhavas na rádio de Butiá, o rádio tinha muito a função de prestação de serviço. O que tu observas nas rádios de Porto Alegre&#8230; Não sei se tu voltas para Butiá&#8230; Tu achas que segue com essa ideia de prestação de serviço ou isso está se perdendo?</strong></p>
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<div><strong> </strong><strong>Felipe Vieira:</strong> Não é que está se perdendo. O que é prestação de serviço hoje&#8230; No rádio jornalismo, a prestação de serviço é o trânsito, a situação&#8230; Até um negócio que a gente faz pouco aqui em Porto Alegre, o aeroporto. Antigamente eu fui repórter do aeroporto e era um saco, porque hoje a gente pega, abre o Tablet, e tu tens todas as informações de todos os aeroportos brasileiros. Tu abres um aplicativo e tu sabes tudo o que está acontecendo. Naquela época a gente tinha que ir no aeroporto, subir uma escadinha lá e pedir pro cara “Qual é a situação do aeroporto de Congonhas?”, “Fechado”, “Aeroporto Galeão?” “Aberto”. E eles não passavam por telefone. Mas voltando&#8230; A questão hoje no rádio jornalismo está muito concentrada no trânsito, a prestação de serviço. Uma ou outra coisa que a gente faça no futebol, um grande evento, e tal, que tu preste serviço. Uma outra prestação de serviço é o que o Zambiazi e a rádio Farroupilha fazem, outras rádios populares fazem. Bom, isso é uma outra coisa, que é muito legal, que tem que ser muito bem feita. É um outro público,um público carente, que tem que ser atendido. O rádio jornalismo, com exceção do trânsito, que todo mundo faz, a Gaúcha faz muito bem e os outros fazem o mínimo necessário, tu não fazes prestação de serviço. Eu vejo assim&#8230; Semana passada eu fiz uma pauta quando passou o projeto no Senado das empregadas domésticas. A gente não fez a repercussão. A gente fez com um advogado tentando explicar o que seria. Uma prestação de serviço para aquele ouvinte. Mas não foi interpretado assim. Pelo retorno que eu tive dos nossos ouvintes foi como se fosse qualquer outra entrevista. Mas na minha cabeça era uma entrevista de prestação de serviço, de informação. “Ah, a dona Aline quer saber como é que ela vai pagar a hora extra”. Aí a dona Aline que está lá ouvindo, ela não sentiu como se fosse uma prestação de serviço, ela sentiu como se fosse uma entrevista normal. As dúvidas do Felipe a respeito do assunto, por exemplo. Então eu acho que há espaço para mais.</div>
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<div> <strong>P: Já que a gente está falando dessas diferenças, quais são as maiores diferenças dessa prestação de serviço? Tu observas outras diferenças que tinha naquela época e hoje é diferente?</strong></div>
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<div><strong> </strong><strong>Felipe Vieira</strong>: O rádio evoluiu como um todo. Apesar de a gente ter uma mesmice no rádio, tu tens duas rádios hoje. Tu tens uma rádio muito antiga que é a CBN, que é uma rádio muito bem feita, e tu tens uma rádio hoje que é uma rádio que eu acho moderna, melhor feita, que é a BandNews. É uma rádio bem feita, onde tu tens prestação de serviço, trânsito, aeroporto, a cotação do dólar&#8230; Mas tu tens política, cultura, economia, entrevistas, opinião, e opinião sem ser chute. A opinião da BandNews é uma opinião muito boa. Eu acho que algumas rádios do Rio Grande do Sul evoluíram. A Gaúcha está evoluindo não em prestação de serviço, mas em informação, em quantidade de informação com qualidade. Hoje eles têm dois noticiários por hora, um na hora cheia e outro na meia hora, estão bem divididos, estão bem focados. Os repórteres da Gaúcha hoje, em alguns casos, são colunistas. Tu vês a Geórgia Santos, que entra de manhã com economia, no Macedo, o outro garoto, o Fernando Zanuzo, que tem um blog que ele só cuida das obras. Então, a Gaúcha, por exemplo, está&#8230; “Bom, tu tens essa pauta aqui que é do dia a dia, mas tu tens mais isso aqui que é legal”. Então, eles conseguem acompanhar, por exemplo, a BR-116, a RS-118, no Estamos em Obras. Isso é legal. Isso é uma evolução do rádio. E tem um negócio que hoje alguns estão sabendo usar muito bem, que é uma evolução natural, que é a Internet. A Internet no escrito mesmo, no sentido de, não só tu ouvires o rádio pela Internet, como tu te atualizares pelos sites das rádios. As rádios estão crescendo nisso. Porque a gente sabe que quando o cara está no serviço, o cara não consegue ficar ouvindo o rádio.</div>
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<div> <strong>P: E a questão sobre fontes&#8230; Muitas coisas a RBS fica sabendo primeiro que a Record&#8230;</strong><strong> </strong></div>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Mas é do jogo. Isso é do jogo. Quem tem fonte sabe cultivar as fontes. É que a RBS consegue repercutir mais porque ela é líder de audiência. Muitas vezes a notícia sai primeiro nas outras rádios, mas aí tu acabas ouvindo na RBS, e aí com a força dela, ela consegue vender melhor isso.</p>
<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-completa-100/felipe-3-3/" rel="attachment wp-att-7836"><img class="aligncenter size-large wp-image-7836" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/felipe-32-800x533.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a></p>
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<p><strong>P: E as tuas fontes nunca te incomodaram por essa tua passagem nas outras emissoras?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Fonte tu cultivas&#8230; É que fonte é um negócio complicado. Eu tenho fontes do tempo que eu era repórter de política da Gaúcha. De vez em quando as pessoas me ligam&#8230; De vez em quando não é nem para dar uma informação, é para fazer uma observação. “Pô, tu comentaste isso&#8230; Tu lembras que há quinze anos atrás saiu um projeto assim, assim, na Assembléia&#8230;”, “Tu lembras que uma vez aconteceu isso, assim, assim&#8230;”. De vez a fonte te situa de outra forma, que não é só para te dar um furo de reportagem. Ela te faz perceber coisas. Hoje eu tenho mais fontes nesse sentido do que propriamente no furo de reportagem, da coisa de você dar na frente. E eu agradeço muito, porque eu acho que é muito melhor hoje as pessoas estarem me chamando a atenção&#8230; “Olha, eu acho que tu errou, tu bateu muito pesado aqui&#8230; Porque lá atrás aconteceu isso&#8230;”. Na minha posição, que é uma posição de âncora, eu tenho que ser coerente. Eu não posso dizer hoje e “dezdizer” amanhã. Eu não posso dizer uma coisa aqui e outra lá, então, é melhor, de vez em quando&#8230; “Ah, não, mas ele poderia ter ido muito mais forte”. Podia. Mas eu fico lembrando que há quinze dias eu não fui tão forte. Tu tens que esperar. Tem coisas que precisam amadurecer. A velocidade do rádio, de vez em quando, te obriga a dar opinião e tu acabas trocando o pé pela mão, sabe. Tu sais dando a opinião e a tua opinião é furada. Porque, daqui a pouquinho, vem mais uma informação, “e agora, o que eu faço?”. “Não, eu não quis dizer&#8230;” Não, não quis dizer, não. Porque agora tu disseste.</p>
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<p><strong>P: Por isso é importante a apuração, não é? Hoje em dia a gente vê vários veículos que não têm essa qualidade de apuração.</strong></p>
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<div><strong>Felipe Vieira:</strong> Eu acho o seguinte, tu tens uma situação, infelizmente, que é a velocidade que te obrigam a colocar a informação no ar. Como tu está competindo&#8230; A Gaúcha não compete só com a Guaíba e a Guaíba não compete só com a Band. Elas todas competem com a Internet. E elas todas competem com as redes sociais. Hoje de manhã, por exemplo. Eu estava no trânsito, eu saí da zona sul, fui pegar a Beira Rio, aí o repórter entrou e disse “Teve um acidente na Beira Rio&#8230;”. Qual foi o meu pensamento na hora que eu passei pelo acidente? Tirar uma foto e botar no meu Facebook. Porque como os guardas não estavam deixando parar para eu estacionar o carro, eu até poderia ter dado um boletim para a rádio, mas a rádio já estava cobrindo o fato. Mas na hora pensei, vou passar ali e gravar no celular para as pessoas verem o acidente. Completamente irresponsável, porque eu estava mais lento no trânsito e não devia estar com o celular na mão. Graças a Deus estava os azulzinhos ali e eu passei reto. Mas, teve gente que fez e com certeza alguém fez muito cedo aquilo e publicou. Estou vendo no Facebook do Zé um acidente na Beira-Rio, após cinco minutos na rádio que estava ouvindo deu o acidente. Bah, fiquei sabendo pelo Zé antes, ele foi mais rápido que as rádios. Tem essa facilidade hoje das coisas. Então agente não esta competindo com outras rádios, agente esta competindo também com as milhares de pessoas que estão na rede. Hoje tem uma situação muito complicada que é a da interatividade. Eu aprendi a ouvir rádio, ouvindo a opinião do <strong>Ruy Carlos Ostermann</strong> ou <strong>Sérgio Jockyman</strong> que era um cara mais antigo da década de 70 a Guaíba era líder de audiência. Vou citar o exemplo dele que não está mais entre nós. Ele encerrava o comentário dele dizendo “Pense nisso o quanto lhes digo até amanhã”.  Pô ele fazia um comentário aprofundado, ele fazia somente um comentário. Hoje eu faço quatro ou cinco em duas horas de programa. Eu tenho qualidade no meu comentário? Não. O ouvinte da pau e pau. Se eu chamo o cara que fez bagunça no centro de vagabundo, o ouvinte diz que vagabundo é tu, esta pensando o que? Tu tem que estar pronto para o debate toda hora. Não tem mais aquela posição de sagrado Sérgio Jockyman, sagrado a opinião de Rui Carlos Ostermann, sagrado a opinião de Lauro Quadros, sagrado a opinião de Luis Carlos Rech. Não tem mais isto, o ouvinte está te confrontando, a rede social esta te confrontando toda hora. Eu por exemplo esqueci nomes, troquei nomes. Tem ouvinte que é solidário contigo, pega e te manda uma mensagem e diz tal nome. Outro diz que tu é um babaca, tu esqueceu tal nome, como tu não sabe isso?</div>
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<p><strong>P: E a tua posição de âncora te exige uma estria pra ta ali comandando o programa e ao mesmo tempo saber se aquilo ali é relevante, verdadeiro, enfim&#8230;</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira -</strong> O tempo todo, o que interessa para a população ou não. Tem uma frase que é do Diane Carta que é pai domina a carta e avô de Diane Carta, filho por obviedade. É que uma vez eu fui contar essa história e acharam que era o neto que eu estava me referindo. O Diane Carta é o cara que fundou no Estadão no Estado de São Paulo a editoria de Mundo e cada vez que eles fechavam o jornal&#8230; Naquela época o jornal era uma coisa meia boêmia, essa coisa industrial, então fechava o jornal duas, três da manhã. Esperava o jornal na rotativa, ia lendo o jornal, levava o jornal pra casa. E quando entregavam o jornal para ele dizia “perdemos mais uma guerra”, porque já estão acontecendo outros fatos, só que isso era década de 50. Vocês imaginam hoje. Hoje o Boris Casoy dá boa noite, o William Waack e a Christiane Pelajo dão boa noite na tv, o Nascimento no Sbt. E tu continua entrando na internet, tu liga o rádio, ta lá a galera da madrugada e ai tu olha na internet e fala “como este cara não esta falando isto daqui”.  Tu tem muita fonte, tu tem muitas maneiras de acessar a informação e o rádio esta competindo com isso. E se o cara esta meio desatendo eu digo todo dia “perdi uma guerra”. Eu imito ele porque é o seguinte, entrevistei o Fortunati hoje, cheguei aqui o Luciano Klockner me pegou e disse, “tal coisa eu não perguntei” dai eu disse, peguei a entrevista pela metade. Quantos ouvintes não me deram porrada hoje, porque esse babaca não perguntou isso. Quantos ouviram a entrevista desde o início, até o fim. Mas essa interatividade toda esta te cobrando e te pressionando. O rádio mudou nisso, as pessoas te acessam de uma forma, não tem mais uma idolatria que existia. Eu quando fui trabalhar na Gaúcha pô. O meu primeiro radinho de pilha que eu ganhei do meu pai, eu tinha sete anos de idade, portanto isto em 73. Em 73 eu ouvia o plantão esportivo da Guaíba com Antônio Augusto, o dia que eu conheci o Antônio Augusto eu tremia, entendeu? Porque era o Antônio Augusto. O dia que eu conheci o Lasier Martins, eu cresci ouvindo esses caras. O Ostermann, o Lauro, quando eu me vi na Gaúcha trabalhando, que eu entrava no programa do Lauro, que eu falava com o Ranzolin, que o Ostermann sabia meu nome. Pra mim aquilo era tudo. Mas hoje não, como você esta nas redes sociais o cara interage contigo, amanhã ele é teu colega de trabalho. Tu não tem mais uma coisa de formalidade.</p>
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<p><strong>P: Hoje em dia agente vê alguns jornalistas migrando para a política, em função da imagem e da repercussão do trabalho. Alguma vez tu já foste convidado?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Já fui várias vezes convidado, já me lançaram candidato de prefeito de Butiá, imagina só, foi um alvoroço na cidade. Dois partidos me convidaram para eu ser candidato a vereador de Porto Alegre, na última eleição agora. Os mesmos dois, mais dois partidos que ficaram sabendo. Em momentos diferentes dois partidos me convidaram.</p>
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<p><strong>P: Quais partidos?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Silêncio no estúdio&#8230; PDT e PMDB. Depois o PP e o PSB vieram me sondar. E a Manuela ficou sabendo dessa movimentação e pediu para conversar. Esses convites foram feitos em 2009, ainda no prazo de filiação e dois deles já vieram conversar comigo para me candidatar a deputado. Fui conversar com todos eles, agradeci o convite. Não é a minha, são coisas bem diferentes. Tem uma declaração minha numa revista press, quando eu ganhei o primeiro prêmio de jornalista do ano que é “como é bom dar pau em político”. Eu estou do outro lado, minha trincheira é outra, respeito meus colegas. Acho que tem uma situação que é absolutamente natural. Por exemplo, um cara que eu gosto muito, que é o Zambiasi que é um baita comunicador. Teve uma hora que ele achou que o caminho dele era política. Ele poderia ajudar as pessoas fazendo política. Eu acho até que ele vai voltar para a política num futuro próximo. Teve um momento que ele se desiludiu tai fazendo rádio, voltou para o rádio. Ai tu pergunta para ele, o que dá mais prazer pra ele? Ele diz que é o rádio. Eu acho que ele volta a fazer política ainda, mas é o rádio. Então eu não quero, pra ir para a política eu acho que eu teria que ter muito sangue frio. A primeira pessoa que chegasse pra mim e me chamasse de corrupto, ladrão&#8230; ou eu ia sai no soco com o cara, ou iria processar o cara. Então não quero, minha resposta é não. Conversar eu converso, até mesmo para criar fontes. Fizemos uma pesquisa, tu esta muito bem na pesquisa e tu pode ser vereador em Porto Alegre, está bem votado. Daqui a dois anos você vai para deputado Estadual. Tu olha a pesquisa e em primeiro lugar você não sabe se a pesquisa é verdadeira ou não, legal&#8230; muito obrigado mas não é a minha. São coisas absolutamente diferentes, não da para misturar. Vou dar um caso de um cara que tem a minha idade, que eu vi chegar na Assembleia Legislativa que há duas semanas eu tive que dar porrada no cara. Que é o Frederico Antunes, o que aconteceu. O filho do Frederico Antunes foi trabalhar no Ministério Público, e eu desanquei. Ele diz, pô nós nos conhecemos há muito tempo. Eu digo, sim nós nos conhecemos, nos damos bem, temos amigos em comum, mas eu não sou o seu amigo. Lhe conheço, te respeito e nisso aqui eu acho que a minha opinião tinha que pesar e eu pesei a mão. Outro dia por exemplo, tem uma maldita lei, esdruxula, que é uma modificação do Supremo Tribunal Federal, que é a modificação da lei do nepotismo. Quando a lei foi aprovada na Assembleia Legislativa eu era repórter de política da Gaúcha. O Rafael, filho do desembargador Marco Antônio que foi presidente do tribunal. O Rafael pegou, meteu a mão na minha cara, me apontou o dedo. Eu não meti a mão nele porque estava trabalhando, estava no ar pro Lasier Martins. Ele era um cara que estava trabalhando no tribunal e o pai dele era o desembargador. Hoje é um cara que eu me dou super bem, ele é advogado, trabalhou com o pai dele, me dou muito bem com ele. Eu digo sempre pra ele, da próxima vez que você apontar o dedo na minha cara eu vou te dar um soco na cara. Meu sangue ferveu naquela vez, graças a Deus eu não fiz bobagem. O que aconteceu agora? O prefeito José Fortunati colocou a mulher dele, dona Regina Becker, com quem me dou muito bem, gosto muito das causas animais dela, da forma como ela defende os animais, secretária. Eu fui pro rádio e dei uma porrada no prefeito. Vieram uns caras e disseram que existe uma lei. Existe mesmo, um entendimento do Supremo Tribunal Federal que ela pode ser secretária. Tchê quem estava na assembleia sabe, que o espírito da lei anti-nepotismo é não ter essa ligação entre um ente político, o agente político e seus parentes. Eu me incomodei com o prefeito? Me incomodei, não estou nem ai, o problema é dele. Eu ia ficar mau, não ia conseguir dormir, colocar a cabeça no travesseiro se eu pegasse e tivesse aliviado a Regina que é uma pessoa que eu gosto, admiro o trabalho dela, se eu tivesse aliviado. Pra isso eu me incomodei com o Flavio Dutra, com um monte de gente, que são meus amigos, meus colegas. Ah é legal, é legal mas eu não concordo com isto. Eu estava lá quando o Bernardo propôs a lei, nós fomos defensores da lei, a gente fez 50 reportagens. Eu passei todos os dias na assembleia, quase briguei com pessoas que hoje são minhas amigas. Agora tu começa a transgredir muito, dai é rolo.</p>
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<p><strong>P: Já teve casos que foram parar na justiça?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Já fui processado e não perdi nenhuma. Já fui processado e já processei.</p>
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<p><strong>P: Baseias-te sempre na liberdade de imprensa na ética profissional?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Não. Não. Por exemplo, esse comentário do Frederico, da Regina, outros comentário. O da Regina, por exemplo, as pessoas comentam: se é legal tu não tinha que ter comentado. Bom, mas é a minha opinião. Aí é liberdade de expressão. Peguei, fui pro rádio e disse: “olha, realmente, o Supremo Tribunal Federal tem uma decisão suprema, considerado legal neste nível. Mas, como repórter da Assembleia Legislativa, acompanhei esse caso e isso aqui não é o espírito da lei. Acho uma vergonha o que o José Fortunatti teve feito e blá blá blá. Mas é legal, não tem como brigar mesmo, está lá no Supremo. É um absurdo, mas é legal. O problema que se ajeite com o Supremo. Agora, se é pra pesar a mão em outros casos, só com prova. Eu não sou desses caras mais corajosos que ficam levantando denúncias a todo momento. As que eu levantei, e uma delas fui levado a justiça, eu tinha as provas. Está aqui. Processo contra mim arquivado. E depois, infelizmente eu deixei passar um prazo que eu deveria ter processado o cara. Que o cara tinha espalhado que eu tinha caluniado ele. E não, não tinha caluniado ele. Realmente, o Seu Appel, que era do Procon. O Alexandre Appel, ele não destituiu a empresa dele e assumiu o Procon. Depois foi uma correria e eu tinha os papéis da Junta Comercial. Foi pro rádio isso e ele veio me dizer. O Rigotto me chamou lá: “como é que é essa história, tchê”. “Está aqui Seu Governador”. E o Rigotto chamou ele e fedeu o lado dele. Eu tinha as provas. Não teria feito sem estas provas.</p>
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<p><strong>P: A última pergunta para não tomar seu tempo. Em sua opinião, qual é o futuro do jornalismo? E a necessidade do diploma do jornalismo.</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Eu sou a favor do diploma de jornalismo. O futuro do jornalismo eu não tenho a menor ideia. Sei que todos nós vamos pra dentro dos tablets, celulares. Mas não tenho a menor ideia. Super a favor do diplomas, porque o seguinte: chega de picareta nesta profissão. E sou a favor, apesar dos meus colegas liberais não gostarem disso, eu sou a favor de um Conselho Federal de Jornalismo. Independente, não aquele que o Governo apresentou , aquele eu via problemas sérios. Realmente de brigar com a liberdade de expressão. Eu sou a favorável a um Conselho Federal de Jornalismo. Acho que a nossa profissão tem que ter uma regulamentação e tem que ter um balizador na profissão. Eu gostaria que tivesse no jornalismo, o que tem na propaganda o Conar, uma auto-regulamentação com regras claras e objetivas. Sabendo: “ah, o Felipe pisou na bola, isso aqui não pode”. Então tá, como é que é. É o índice um, dois, três, quatro, cinco. Tudo que pisou na bola. O Felipe vai lá, pega o advogado dele. Está bem claro. Mas o rolo todo é quando se fala no Brasil do subjetivo. No subjetivo não dá. Bá, opinião dele. Ele deu porrada no Governador e aliviou o prefeito. Ele tá na gaveta do prefeito. Espera aí um pouquinho. O que é liberdade de expressão, o que não é. Se for objetivo, claro. Eu quero um um Conselho Federal de Jornalismo. Eu quero um diploma. Porque é uma profissão que mexe com a cabeça de muita gente pra simplesmente pegar e deixar o léu. Qualquer um ir pro microfone pra TV falar bobagem. Acho que a gente tem que ter uma especialização, tem que ter um respeito. Tem que ter um direcionamento nisso. Com muito respeito a profissão. A gente não pode brincar com a profissão. A gente erra. Eu erro todos os dias. Eu perco a guerra todos os dias. Alguém pode ligar pra rádio e dizer: “ah, o Felipe não fez essa pergunta pro Tarso. Não fez essa pergunta pro Fortunatti. O Felipe não falou mal disto aqui. Esses bardeneiros aí, não são bardeneiros. Eles são ativistas sociais”. Legal, só que se essa pessoa me processar eu quero regras claras. Se eu infligi alguma lei da minha profissão. Eu quero regras claras. E o que eu não via, naquela proposta do Governo. Eu gosto da ideia do Conselho. Regras claras. Tendo regras claras, eu sou super a favor do Conselho para tirar essas pilantras que entram na nossa profissão, fazer qualquer coisa. Isso eu não gosto.</p>
<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/entrevista-completa-100/felipe-4/" rel="attachment wp-att-7837"><img class="aligncenter size-large wp-image-7837" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/felipe-4-800x543.jpg" alt="" width="450" height="305" /></a></p>
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<p><strong>P: Primeiro contato que tu teve com o rádio, lá em Butiá, que te deixou bastante emocionado. Tu falaste que o rádio poderia mudar pelo menos um pouco. Tu ainda sente isso? E é isso que te faz seguir trabalhando no rádio?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Todo dia. Todo dia mesmo. Isso é legal da interatividade. Hoje, por questões menores do ponto de vista social, de atingir um grande número de pessoas. Mas para cada pessoa o problema dela é o maior. Hoje, tá no meu facebook. Teve um ouvinte. Se eu não me engano, Petruco, o sobrenome dela uma consideração sobre o coro da Orquesta Sinfônica de Poa da Ospa. Questão de estar sem locar para ensaiar. Eu entrevistei há duas semanas o Ivo Nesralla me disse que não me disse que estava com dificuldade pra ensaio. Pedi pra um repórter olhar. Tem essa interatividade que é bacana. Tu estás com um problema e não precisa ser um problema: “estou com minha casa invadida pela água”. Não precisa ser uma desgraça. Mas tem essa coisa que tu podes ajudar. Quantas pessoas formadas que gostam do coro sinfônico ou que estão no coro sinfônico que por causa da mensagem dela nós fomos atrás. Eu imagino que várias pessoas. Então tu ajudas e consegue cobrar. Porque, por exemplo, o repórter veio com a informação que o novo teatro da Ospa será inaugurado até fim do ano que vem. Na entrevista que fiz há duas semanas com Nesralla ele me disse até no máximo fim de maio do ano que vem. Então já temos uma contradição aí. Um diz uma coisa, outro diz outra. Já pedi pra ele. “Vamos apurar mais. Tem alguém se enganando na data”. Ou se essa enganação é sem objetivo ou é “vamos enrolar eles”. Então tem que continuar puxando esse fio da meada. Porque eles adoram nos enrolar.</p>
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<p>Mas eu continuo me emocionando todo dia e infelizmente muitas vezes eu não tenho assim a estrutura emocional&#8230; eu não poderia ser Sérgio Zambiasi. Entende? Porque eu entro muito no problema da pessoa. Eu não conseguiria sair dali e deixar o profissional ali. As pessoas levam essa carga. Eu não conseguiria mesmo fazer isso. O que eu consigo é auxiliar ali, auxiliar lá, no dia-a-dia. Mas não neste nível que as pessoas entendem que a gente poderia fazer. Posso fazer mais. Posso fazer voluntariado. Vai no Instituto do Câncer. A gente está precisando de gente.</p>
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<p><strong>P: Tu comentaste que o mercado de trabalho no jornalismo está mais complicado atualmente. Qual a dica para o estudante de jornalismo que tu daria?</strong></p>
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<p><strong>Felipe Vieira:</strong> Eu acho que tem uma questão na profissão que muita gente não quer fazer jornalismo. Vem fazer jornalismo imaginando que vai acabar na Globo, sentando na cadeira do William Bonner, apresentar o Jornal Nacional&#8230; ou vai ser correspondente da Globo em Nova York ou vai ser diretor de redação da Zero Hora, do Correio do Povo. Bom&#8230; há muita gente hoje para poucas vagas e cada vez mais essa facilidade de comunicação, ela vai gerar alguns empregos de um lado, na parte de internet das empresas, mas estes empregos serão enxugados em outra parte. Então vocês não vão ver coisas novas. Vocês não terão novas oportunidades. As rádios vão contratar? Vão. Mas&#8230; eu me lembro que teve um ano que foram formados mais de dois mil jornalistas no Rio Grande do Sul. E, quantos veículos foram criados? Então quem quer jornalismo mesmo, o funil tá cada vez mais&#8230; Tem cada vez mais universidade. Então, quem acha que tem vocação, que realmente tem garra pra seguir: siga! Eu não conheço melhor profissão. Eu amo minha profissão. Mas quem acha que deveria fazer outros cursos, vai lá, vai conversar com pessoal. Ah, “mas eu tinha uma dúvida em ser chefe de cozinha ou jornalista”. Legal, tu podes ser chefe de cozinha e jornalista e fazer um bom programa de TV, de culinária, de gastronomia. Pode ser. Mas tu vai ganhar dinheiro sendo chefe de cozinha.</p>
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<p><strong>Produção: Aline Vargas, Mariana Lubke, Nathália Rech, Gabrielle Toldo,   Renan Sampaio, Rafael Ribeiro.</strong></p>
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<p><strong>Entrevista gravada nos estúdios da Famecos/PUCRS em  2 de abril 2013</strong></p>
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		<title>Vídeo</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 00:06:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>G3_2013-1</dc:creator>
				<category><![CDATA[Felipe Garcia Vieira]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
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		<title>Apresentação</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Apr 2013 17:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>canatta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arlindo Sassi]]></category>

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		<description><![CDATA[Arlindo Sassi é o dono da voz aveludada que esquenta os corações apaixonados nas noites da Rádio Cidade desde 1979. O apresentador, nascido em 1952, na cidade de Carazinho, não se considera um romântico na vida real. Não daqueles que mandam recados. “Mas existem muitas formas de ser romântico”, alega.  Hoje com a carreira consagrada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">Arlindo Sassi é o dono da voz aveludada que esquenta os corações apaixonados nas noites da Rádio Cidade desde 1979. O apresentador, nascido em 1952, <a href="http://youtu.be/DJcnCFSpHpc" target="_blank">na cidade de Carazinho</a>, não se considera um romântico na vida real. <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindotrecho07.mp3" target="_blank">Não daqueles que mandam recados</a>. “Mas existem muitas formas de ser romântico”, alega. <a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindo31.jpg"><img class="alignright size-large wp-image-7672" title="arlindo3" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindo31-800x600.jpg" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje com a carreira consagrada no programa <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindotrecho04.mp3"><em>Love Songs</em></a>, Sassi diz que o início não foi fácil. <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindotrecho01.mp3" target="_blank">Sempre gostou de rádio, mas como ouvinte</a>. Ele conta que <a href="http://youtu.be/9aN7Wdvmw0o" target="_blank">o primeiro teste</a>, para a Rádio Luz e Alegria, de Frederico Westphalen, foi tão ruim que o chamaram só <a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindotrecho02.mp3" target="_blank">dois anos depois</a>. Na rádio do interior, começou a tocar orquestras a partir das 22 horas. Para ele, foi este programa que lhe deu visibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando foi chamado para um teste para a Rádio Cidade, o então locutor na Continental se inspirou em um de seus ídolos: Milton Jung, o locutor do Correspondente Renner da Guaíba. Não saiu como imaginado, mas o talento já havia sido reconhecido. Logo aprendeu: &#8220;Era só abaixar o tom. O segredo é esse&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;" dir="ltr">Sassi não encara o rádio como trabalho, pois &#8220;<a href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindotrecho03.mp3" target="_blank">ganha dinheiro para se divertir</a>&#8220;. Para ele, é uma terapia. Transita com naturalidade entre o estilo agitado do <em>Fim de Tarde</em>, da Rádio Farroupilha e o clima romântico do <em>Love Songs</em>, onde tem a vantagem de trabalhar em família. A esposa é produtora do programa e até mesmo os cães do casal frequentam o estúdio para não ficarem sozinhos em casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o futuro, as ambições são modestas. Sassi gostaria de ter um programa matinal numa rádio interiorana, sem competitividade. E fazer o que ele acredita ser o futuro do rádio: &#8220;Colocar todos os assuntos do mundo em discussão&#8221;. Sem pretensão didática, apenas pelo prazer de falar e discutir.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele não sabe como o <a href="http://youtu.be/rvKMusr3L7E" target="_blank"><em>Love Songs</em></a> consegue atingir uma audiência tão variada. Não existe fórmula. Já para Sassi, o rádio é a fórmula para lidar com a depressão. É ela que o tira de casa todos os dias. &#8220;Posso dizer que devo a vida ao rádio&#8221;, revela o comunicador popular – mas não popularesco – dos enamorados.</p>
<div style="text-align: justify;"> <a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindo2.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-7855" title="arlindo2" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/arlindo2-800x600.jpg" alt="" width="450" height="337" /></a></div>
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		<title>Entrevista na íntegra</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Apr 2013 15:14:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>canatta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arlindo Sassi]]></category>

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		<description><![CDATA[P. Por favor, o seu nome completo, data e local de nascimento? R. ARLINDO SASSI é o meu nome completo, nasci no dia cinco de novembro de 1952, em Carazinho, no norte do estado do Rio Grande do Sul.&#8221; P. E veio para Porto Alegre quando? R. Vim para Porto Alegre várias vezes. Eu corria o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/2013-04-03-10.39.211.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-7860" title="2013-04-03 10.39.21" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/2013-04-03-10.39.211-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a><strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P. </strong>Por favor, o seu nome completo, data e local de nascimento?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R. ARLINDO SASSI</strong> é o meu nome completo, nasci no dia cinco de novembro de 1952, em Carazinho, no norte do estado do Rio Grande do Sul.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E veio para Porto Alegre quando?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Vim para Porto Alegre várias vezes. Eu corria o mundo direto né, um mundo pequenininho restrito ao interior. Eu acho que, deixa eu ver, eu vim a primeira vez a Porto Alegre para trabalhar em 77, voltei ao interior, retornei  no final de 78 saí em 81 voltei em 82 e aí fiquei em definitivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Fecha o olho e qual a primeira lembrança do rádio que vem na tua mente?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> A primeira lembrança que me vem à mente sou eu ouvindo o rádio, eu na postura do ouvinte, acompanhando o rádio nos anos 60, em Frederico Westphalen, que, por ser uma cidade pequena e naquele tipo de rádio que se fazia na época, tocava de tudo, você ouvia desde Tonico e Tinoco passando por Irmãos Bertussi até eventualmente uma ópera em um domingo a noite. Tocando direto, entendeu? Ouvia uma orquestra, uma música sertaneja, ouvia um tango, ouvia o som do momento, a primeira vez do Roberto Carlos, a gente nem sabia quem era aquele cara, tudo misturado. Bem diferente do tipo de rádio que nós temos hoje. Isso faz com que, pelo menos um pessoal daquela época do interior tenha uma visão bem eclética da rádio. Em matéria de preferência ou gosto também não há preconceito, bateu no coração, fica. Facilita até o exercício da profissão em um rádio popular ainda hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Indo um pouquinho mais pra frente, permitindo dar essa deslocada, pegando esse gancho, é um pouco da tua inspiração para o Love Songs que hoje é um programa que toca de tudo, não tem essa segmentação, tem que ser claro uma música que fale sobre a temática do amor, mas não tem essa segmentação de estilo musical.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Na verdade é uma mistura, você pode tocar um rock, uma balada rock, com uma música sertaneja, misturando em seguida com pagode, e eventualmente, hoje, tocando até música gaúcha. Love Songs na verdade foi o primeiro a tocar <em>teen music</em> em um FM na época do jovem, de guri com guria. E essa mistura permanece até hoje. Na verdade ela foge a qualquer padrão. Alguém que vem de Rio ou São Paulo e ouve um programa como esse, ele não acredita que possa funcionar. Não há uma segmentação, é um mix de gêneros e tipos musicais fantásticos, houve a época, agora nem tanto, porque houve um afastamento do público jovem que levantei até a batida, o <em>beat</em> do programa, tocava até mais embalada na primeira hora do programa, especialmente. Servia pra manter o programa em primeiro lugar. Ousava e isso é importante, você tem que saber o momento de ousar e o momento de recuar. É importante sim essa informação básica de um ouvinte ouvindo tudo, absolutamente tudo, faz com que você possa de repente fazer um rádio que foge dos padrões e não obedece à manual nenhum. Pelo contrário, vai de encontro a qualquer manual. Talvez com essa informação – que nós tínhamos no interior.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Arlindo, segundo as informações, tu começaste a carreira em Frederico Westphalen conta um pouquinho deste início. Já tinha a ver com essa de entretenimento da música?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não, eu comecei no rádio por um convite. Eu sempre imaginei que, por exemplo, é o tipo da coisa a ser feita por gente altamente descontraída, e tudo mais. Eu sempre fui introvertido, tímido e tudo mais. Até que um dia eu recebi um convite quando eu trabalhava no meu primeiro emprego e sem formação acadêmica e naquele tempo era assim mesmo. Comecei em um jornal em Frederico, no velho jornal O Alto Uruguai e aí o gerente da rádio aparecia por lá, coisa e tal. Um belo dia ele disse: “Olha, tu não queres fazer um teste?”. Nunca me passou pela cabeça trabalhar em rádio, sempre fui ouvinte, nunca pensei em trabalhar. Aí fui fazer o teste que, diga-se de passagem, foi um horror. Foi tão ruim que eu só fui chamado dois anos depois. Na impossibilidade de arrumar qualquer profissional na área ou alguém que prometesse um pouquinho mais acabaram me chamando dois anos depois do teste.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> No que tu trabalhavas antes, Arlindo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Trabalhava no jornal. Jornal interiorano, pequenininho, de seis, oito páginas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Mas como repórter?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Escrevia alguma coisa, eventualmente, não exatamente como repórter. Eu nunca fui a campo, adaptava as matérias do jornal da capital, nunca fui de chegar e entrevistar, muito raramente, algumas vezes até aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E nesse começo lá na rádio?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Comecei como locutor, e aproveitando essa experiência também fazia as notícias, redigia as notícias. Na verdade a gente redigia as notícias locais, mas o que a gente realmente fazia era gravar os noticiários das rádios de Porto Alegre e decupava aquele negócio – copiar e colocar no ar, é assim que se trabalhava. Muito do “Gilette Press” também, se bem que nem tanto, porque os jornais chegavam com bastante atraso. Naquele tempo era bem mais complicado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> No início tu trabalhavas com <em>hard news</em>, com a informação propriamente dita?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não, fazia de tudo. Na verdade o rádio, no interior, se faz de tudo. Eu também apresentava o programa de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E aí tu começaste assim?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> E aí eu comecei, fazendo um programa à noite, a rádio fechava às dez horas da noite. Comecei a fazer um programa. O gerente da rádio, o cara que me abriu as portas na profissão que pra mim é maravilhosa, ele disse: “Faz o que tu quiser, das dez até as onze da noite só pra ir treinando”. Eu me atraquei a tocar orquestra, eu adorava naquele tempo: Ray Connif e Billy Vaughn. Enfim, algo típico da época né, e foi o que me manteve, porque havia uma certa dificuldade de se pronunciar os nomes, e eu enganava um pouquinho. Foi o que me manteve, porque tecnicamente eu não tinha um vozeirão. Na época era realmente o padrão Guaíba que naquele tempo era um vozeirão. A minha voz é média, e nem sequer tinha desenvoltura de comunicador, mas escolhi bem o que fazer, me abriu as portas o fato de que tinha uma certa facilidade para enrolar os nomes das bandas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E após Frederico Westphalen como é que foi, tu trabalhaste em outras rádios ou veio direto pra capital para tentar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> É, é, eu trabalhei 2 anos, de 74 a 76. Em 76 vim a Porto Alegre e fiquei por aqui trabalhando em rádios pequenas. Comecei na rádio Real de Canoas, depois fui pra Princesa, que é a mesma rede, trabalhei uma época, mas poucos dias na rádio Pampa, que era uma espécie de, concorrente direto da rádio Continental, que era a rádio jovem da época, era o que o FM é hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E tu podes dizer que foste pegando cada vez mais o gosto pelo rádio, que tu te achaste mesmo na profissão?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Eu me achei, sabe por quê? Eu descobri que você ganhava dinheiro para se divertir, era a profissão ideal, até hoje eu acho estranho ganhar a vida me divertindo, é o que eu gosto. Eu, por exemplo, tenho um problema. Eu lido com depressão, quer dizer, eu sempre tive dificuldade de estudar, coisa e tal, entendeu, se eu tivesse que exercer qualquer outra profissão talvez eu me desse mal. Eu sou o tipo de cara que só funciona naquilo que pra mim é atraente e o rádio é isso. Estar ali, diante do microfone, na verdade eu encaro como diversão. Nunca encarei como trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E acaba sendo uma terapia pra ti?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> É uma terapia, exatamente, o rádio pra mim é terapia. O rádio pra mim é um cara que sofre de depressão. Por exemplo, pra sair de casa, e chegar até a avenida, é quase uma dor física. Pra sair de casa só por obrigação, hoje só vim porque tinha esse compromisso sério. Algo que você disse que me chamou atenção, um banco de dados. Eu fiquei chocado esses dias quando faleceu um colega nosso, que vocês não chegaram a conhecer porque vocês eram muito jovens pra isso, mas foi um grande comunicador, do começo da rádio cidade, <strong>Aldo Fontela</strong>, a partir dos anos 90 ele se afastou do rádio. Eu fiquei chocado com o obituário mínimo que ele recebeu, mínimo de atenção, algo assim, muito aquém da importância que ele teve no rádio, ele foi, entre nós, dos melhores. Um cara em quem nós nos espelhávamos, entendeu, embora na época ele fosse o mais jovem de todos nós. Caramba eu disse, não é possível, acho que vou encarar esse trabalho que estou fazendo com vocês como algo a meu favor, meu serviço. Pelo menos se algum dia, algum obituário seja escrito, seja uma coisa um pouquinho mais completa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Como tu gostaria que teu obituário fosse escrito, como tu imagina, qual a mensagem que tu gostarias de passar para as pessoas?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Caramba, agora você me fez uma bela de uma pergunta. Bom, olha, se eu fosse escrever meu próprio obituário não seria lá muito elogiado, entendeu?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Como tu gostarias que as pessoas te vissem?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Como eu gostaria que as pessoas me vissem&#8230; caramba, aí você tocou, a pessoa tímida não quer ser vista, quer desaparecer o mais rápido possível, tá entendendo? Por isso mesmo que eu estou fazendo isso aqui, ou seja, esse material vai ser usado para algum, para escrever ao meu respeito, como eu gostaria de ser visto, um cara, digamos assim, honesto na medida do possível. Já tá de bom tamanho, entendeu?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Se o obituário fosse lido no rádio, qual musica de fundo o senhor colocaria?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Que música eu colocaria de fundo? Vocês só fazem pergunta pra me complicar né? Olha, acho que a trilha sonora do Love Songs marcou bastante pra mim, é um programa que, eu sei das minhas condições como comunicador, faço um programa médio, mas é um programa que me projetou de tal maneira, me colocou além do grupo ao qual pertenço tecnicamente falando, escolheria a trilha sonora do Love Songs.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Qual o segredo de tanto tempo o programa no ar?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Acho que o segredo é de alguma forma se adaptar mesmo que sutilmente as modificações, ele é hoje um programa diferente do que era há dez anos, mas são modificações que foram feitas bem devagarzinho, se adaptando, tocando músicas que, por exemplo, não tocariam na programação, completamente fora de questão há dez anos atrás. Hoje nós tocamos, tanto que houve um momento, agora pouco eu falei, eu tocava músicas com o <em>beat</em> mais acelerado no programa, porque eu achava que tinha a ver e funcionava. Esse é um momento em que eu recuei. O publico antigo, por incrível que pareça, está voltando a ouvir rádio, estou recuando novamente pros <em>flashbacks</em>. Na verdade quem te dirige é o ouvinte, não é você que lança um produto pra ele, ele consome se quiser. O consumidor que estabelece o que ele deseja da gente. O esforço que você vai empregar é na tentativa de descobrir o que ele quer realmente que você faça. É o que determina o sucesso do programa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> É para todas as idades?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> É, é de todas as idades. Surpreendentemente é para todas as idades. Como consegue isso, não sei. A fórmula, até falei dessa mistura, desse mix, e acontece exatamente isso. Quando você toca um pagode, você tem que levar em conta quantos está agradando e quantos estão nesse momento trocando de rádio. Quando você toca uma música internacional, quantos está agradando? Um pagode, ou sei lá, um sertanejo universitário lento ou romântico, é complicado. Leva a um desgaste emocional. É desgastante apresentar o programa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E me diga uma coisa Arlindo, um programa que tem mais de 25 anos, da pra dizer que começou como o precursor da interatividade? A gente vê essa participação de <em>twitter, facebook</em> e que o programa começou com as cartas, mas como começou essa ideia do ouvinte participar e tornar o espaço Love Songs tão democrático com a voz do ouvinte?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> É, na verdade no começo do programa ele não era assim, ele era só música e na medida em que o tempo foi passando a gente sentiu que poderia abrir um pouquinho, porque começamos a perceber que novamente foi o ouvinte que indicou o caminho. A gente começou a receber telefonemas do pessoal pedindo música e pedindo pra oferecer, e a gente achava aquilo tão antiquado. Na verdade o Love Songs, quando lançado na rádio Cidade em 1984, foi um ato de ousadia, não se admitia um programa romântico em uma rádio FM. Lembra o que? Lembra o programa de AM, uma coisa antiquada, para a época antiquada. Mas da mesma forma explodiu no Ibope de tal maneira que em 30 dias estava em primeiro lugar e passados dois, três meses a gente passou a colocar o ouvinte, porque durante todo esse tempo tinha a insistência diária era para pedir música e para oferecer pra alguém. Aí, com o tempo, já em 88, quatro anos depois – não foi iniciativa minha, foi de um colega, chamado o <strong>Araújo Júnior</strong>, um período em que eu saí da rádio e ele apresentou o Love Songs. E aí na rádio 105 do Rio de Janeiro, que pertenceu ao grupo que era proprietário da rádio Cidade, na época Jornal do Brasil, lá tinha o quadro chamado histórias de amor, e ele resolveu colocar no ar aquilo. Foi uma explosão, foi brincadeira, histórias de amor.  Nós chegamos a um ponto, até o começo, meio dos anos 90, em que no fim do ano era obrigado a colocar fora dois sacos de lixo de cartas, sem sequer tê-las aberto. Não dava pra ler, impressionante, era algo fora do comum. Nós lemos umas 10 cartas por dia até hoje, pra escolher uma história que pudesse ser colocada no ar e chegava no fim do ano com dois sacos de cartas. Hoje é completamente diferente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> A decisão não era tua, era de uma equipe?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não, não, era minha mesmo, se vocês pretendem trabalhar em rádio podem esquecer essa coisa de equipe. Jogo duro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E era muito difícil de decidir?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não, não era tão difícil assim. Por exemplo, se no pacote de 10 tinha 3 histórias boas, eu lia uma e reservava as outras duas e as outras ficavam em <em>stand by</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Chegava a ficar comovido com as histórias?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Ah comovia. Em primeiro lugar, as pessoas se sentiam comovidas com as coisas escritas ali, e, além disso, vocês comovem porque são pessoas que te escolheram de uma forma, são tantas emissoras de rádio. Na época já eram, e quando te escolhem, de alguma forma você te liga nas emoções dele, ouvinte. Passa a viver as emoções, talvez esse seja o segredo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Arlindo, eu entrei no chat em que tu conversaste com os leitores do Diário Gaúcho e tu conta alguma dessas histórias. Tu falaste, por exemplo, o ouvinte que conheceu a esposa na primeira festa do programa, e depois outro ouvinte pediu perdão para a mãe. Conta uma dessas histórias que te marcaram.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Vou dizer o seguinte, a história que mais me emocionou, eu geralmente não guardo histórias nem passagens, mas essa eu guardei. Era a história de um guri que morava se não me engano em Capão da Canoa. Ele escreveu a história dele e uma amiga, que por ele estar gripado aquele fim de semana ela acabou saindo sozinha. Aí foi pra balada, alguém quis ficar com ela, coisa e tal, e ela não ficou. No retorno o cara resolveu tirar, com o carro, um fininho dela, que vinha a pé, e atropelou e matou a mesma. Ele escrevia, dava para sentir, com o coração aos pedaços por não ter saído naquele sábado a noite onde provavelmente teria preservado a vida dela. Aquela história, que é uma história de amizade na verdade, é uma que mais me emocionou, mas tem outras histórias interessantes. Tem um colega, eu só não vou lembrar o nome dele agora, minha memória é péssima, mas ele havia trabalhado na Zero Hora, na rádio Guaíba, Correio do Povo, e um belo dia ele escreveu uma carta, uma longa carta, e ele, que é de Santa Maria, disse: “Tantas vezes nós ouvimos o programa contando as histórias, que hoje eu resolvi fazer uma homenagem a minha mulher, para falar do meu amor por ela e vou contar nossa história no programa”. Eu senti um tom de despedida naquela história, não deu dois meses, e eu li no obituário do jornal a notícia da morte deste colega, vítima de leucemia. Ele estava realmente se despedindo, nunca ele escreveria para o Love Songs revelando sua história, mas ele resolveu fazer algo inusitado, próprio do adolescente, e deixou uma mensagem linda para a mulher, essa história eu tenho guardadinha em casa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E na questão do amor mesmo, dos casais, tu já foi convidado para padrinho?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Ah, muitas vezes. Mas eu não chego a esse ponto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> É um distanciamento que tu procura ter assim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> É, mas não que seja um distanciamento que eu queira manter do ouvinte, não sou sociável mesmo, sou bicho do mato, me enfiar dentro de casa e pra me tirar, já falei, volto a repetir, é difícil, especialmente para algo assim, e eu acho o seguinte, quando você é padrinho de alguém, de uma criança, ou de um casamento, você não pode chegar simplesmente lá, assinar um papel e nunca mais ver as pessoas, tá entendendo? Você passa a ter um compromisso, e eu não tenho condições de cumprir esse compromisso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Nunca criou alguma amizade com algum ouvinte assim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Ah, sim, muito, muito, ao natura, tem ouvinte por exemplo que manda, manda, manda recado e quando eles somem eu sinto uma falta enorme&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> É verdade que tu conheceste tua esposa por ela ser uma ouvinte? Ouvi essa história&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não, não, conheci no carnaval, tava pulando com outro cara. Eu e um colega de rádio ficamos fazendo pose de galã, coisa e tal, carnaval, imagina, eu louco para ir a outro lugar e ele me arrastando&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Onde era o carnaval?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> No Grêmio Niterói Canoas, onde ocorriam os melhores carnavais da época em Porto Alegre, final dos anos 70, 1978, 1979, e aí vai dali, rolou, acabei deixando o telefone pra ela e ela ligou, naquela época trabalhávamos na rádio Continental, antiga 1120, mas ela não era ouvinte, onde surgiu essa história?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não sei, eu vi em um site.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> As pessoas, as vezes, confundem, fantasiam um pouco, talvez até devesse fantasiar pra dar mais graça.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Mas ela escuta o programa, ela opina?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não, ela produz o programa, ela opina, sempre opinou evidente, todo mundo opina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Qual a tua forma de ser romântico?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Acho que é ser carinhoso, dar atenção, ouvir, dar a ela importância, na verdade lá em casa quem manda é ela mesmo, para vocês terem uma idéia, eu não sei lidar com dinheiro, então eu não sei nem quanto eu recebo de salário, ela pega tudo (risos). Há mil formas, e essa é uma forma de ser romântico, reconhecer a importância da mulher, a própria timidez, é uma forma de ser romântico, porque você só é tímido com quem você coloca no pedestal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Qual é a relação com a tua mulher no trabalho?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Escravo, submetido à opressão feminina. O relacionamento é de parceria pura, ela é a pessoa mais autorizada do mundo pra dizer: “Você fez porcaria agora né? Por favor, te liga aí!”. Ninguém tem essa autorização tão explícita quanto ela. E ela me chama no chicote com toda certeza, me ensina muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Se você pudesse deixar a timidez de lado só agora, que música tu dedicaria pra tua mulher?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Já falei que não sou romântico (risos), eu dedicaria uma música que ela gosta, Coldplay, Yellow, pronto, é uma música que ela gosta. Procuraria me orientar pelo que ela gosta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Qual a música que tu considera a mais romântica de todos os tempos? Que te toca o coração, que tu suspira quando escuta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> Não sei se eu exatamente suspiraria, mas pra mim, Bonnie Tyler, Total Eclipse <em>of the Heart</em>, Roxette, na versão ao vivo de <em>It Must Have Been Love</em>, são músicas essenciais até hoje. O Roberto Carlos na época não era pedido, dos anos 90 pra cá que começaram a pedir, Como é Grande o Meu Amor por Você, assim como essa garotada aí que curte o sertanejo universitário, por exemplo, 12, 14 anos é que pedia Roberto Carlos com essa música nova. Estranho, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Ele é o artista brasileiro mais pedido?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> No programa? Não, não, eu diria que hoje o mais pedido é o Luan Santana mesmo, taco a taco com o Belo. O Belo, por incrível que pareça, tem uma resposta muito grande do público, e o Belo tem uma particularidade, que poucos artistas tem, eu nunca tinha ido no show dele, eu não gosto de show ao vivo, mas eu, em uma festa de aniversário da Cidade, eu vi o Belo no palco e ele tem aquilo que poucos artistas tem. O Roberto Carlos sem dúvida é o maior exemplo, ele é um cara que cresce no palco, super discreto, não dança, não tem frescura, mas ele fica com 3 metros de altura, ele fica com uma personalidade no palco que você não percebe na televisão, por exemplo. Na música você vê a interpretação, como o Roberto, são artistas que você vê a importância deles no palco. E o Belo é bom de palco pra caramba.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> E porque que tu não gostas de show ao vivo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> É uma questão de preferência, ate hoje gostei ao vivo dos Titãs, me lembro que eu fui e gostei. Há muitos anos eu vi em Porto Alegre, na época acho que era progressivo, que era o Robertinho Silva na bateria, e caramba, Egberto Gismonti, acho que vocês nunca ouviram falar, e Van Halen, e alguns shows populares, o Fábio Júnior por exemplo foi uma surpresa gratíssima.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong> Como começaram as traduções do programa?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong> As traduções do programa começaram no final dos anos 80, mas imitando um cara que eu curtia quando era piá. Ouvinte de rádio, como ouvinte do interior na época, você pegava emissoras do Brasil todo, da America latina toda, as vezes dos Estados Unidos, da Europa, então nós ouvíamos de tudo. Nós tínhamos uma rádio em São Paulo que tinha um cara chamado <strong>Hélio Ribeiro</strong>, tinha um vozeirão, coisa e tal, tinha um programa chamado O Poder da Mensagem. Ele traduzia as músicas dessa forma, foi ele que criou esse tipo de tradição, hoje tem um monte de gente que faz Brasil afora. Foi uma imitação barata do que o Hélio fazia, e continua sendo barata até hoje, perto da competência dele. Ele já morreu, falecido Hélio Ribeiro, foi um cara fantástico. Ele que fez as traduções. O Love Songs foi o primeiro programa de rádio a lançar CDs de traduções, ninguém acreditava que ia vender, mas eu sentia a procura do ouvinte. Tanto que o primeiro CD a gravadora resolveu colocar quatro ou cinco traduções no meio de 14 músicas. Ai entrou no catálogo da Avon, por exemplo, e passou a vender direto. Ai os outros CDs já foram diferentes, foram só de traduções com a música repetida sem interferência nenhuma. Esses CDs continuaram vendendo pingadinho o tempo todo. Um CD lançado há dez anos vende hoje a mesma quantidade por ano que vendia na época. O pessoal de São Paulo, por exemplo, entrava em contato com a rádio via email, achando que estavam falando com o pessoal da rádio de são Paulo, procurando o CD, onde é que encontraram, porque tinham encontrado o CD com uma amiga. Interessante, ninguém poderia imaginar que um CD de traduções venderia, nem eu acreditava muito na história. Mas vendeu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong><strong> </strong>E me diga uma coisa, da época das cartas para agora que é SMS e emails, o romantismo mudou muito nos últimos anos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R.</strong><strong> </strong>Mudou, mudou bastante. Tu sentes por exemplo, histórias de amor. É uma raridade aparecer uma história de amor por lá, muito difícil. Por incrível que pareça, ou ela é de gente muito jovem, ou de gente já adulta. No meio termo, na idade de vocês assim não aparece nada. É impressionante. São outros tempos, as pessoas também mudam, de repente já não acham graça em contar, de repente vem até como algo negativo e coisa e tal. Ou as histórias simplesmente não acontecem, a não ser realmente que esteja rolando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong><strong> </strong>Trabalhar tanto com música romântica não cansa? Não tem dias que você enche o saco? Chega enjoado em casa de tanto “mimimi”, digamos assim?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong>. </strong>Não, por incrível que pareça não. Esses dias eu descobri um troço fantástico porque tu fazendo lá tu não sentes o programa, tu não sentes a música. Sente um certo tédio, pensa que a música não está legal e que o programa foi horrível e vai para a casa assim, meio deprimido. Ai esses dias a mulher não foi e eu resolvi colocar os fones, ela trabalhava o tempo todo com fone, ai eu percebi qual era o problema. Porque tu ouvir o programa no rádio é uma coisa, a percepção é outra. Eu sei disso, mas fazendo lá sem os fonezinhos, sem ter aquela impressão que o ouvinte tem. No momento em que eu ouvi o programa todo no fone eu tive outra impressão. E realmente, eu curto as músicas românticas. Não eram as minhas preferidas até começar a fazer o programa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong><strong> </strong>No inicio, nas entrevistas que tu davas, tu dizias que o romântico é brega, eu acho até que o Leo colocou na matéria dele dizendo que tu falaste que os Beatles são bregas, qual a tua opinião em relação entre brega e o romântico?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong>. </strong>Não é exatamente que os Beatles são bregas. A música que faz sucesso, dentro do que se pretende dizer que é brega, todas são bregas. Todas têm algo que cola. O que é brega? Uma letra rasgada? De cortar os pulsos? Até pode ser. É um jeito mais profundo de falar. Mas elas todas tem um ponto em comum, todas colam, ou é o refrão, ou é o arranjo. Alguma coisa essa música tem para colar. Então, no meu ponto de vista. Porque eu lembro principalmente nos anos 80, quando surgiram as bandas de rock no Brasil. Ouve um fenômeno, surgiu Paralamas e tudo mais. Enquanto eles pertenciam a um gueto, a um publico reduzido, era uma maravilha. No momento que passava a ser produto de massa, perderam completamente o valor, fazendo exatamente a mesma coisa. Então essa questão de avaliar se é brega ou não, é mais questão de frescura do que qualquer coisa. Gostar e não gostar é outra coisa. Achar uma letra simplória e outra mais sofisticada, é outra coisa. Essa definição do que é brega indica o que é sucesso popular. Os Beatles eram sucesso popular. Foi o que modificou a carreira deles e depois eles partiram para outros rumos fazendo sons mais experimentais. Mas no começo era assim. O Leonardo me levou a matéria lá e se não me engano pouco dias antes o Caetano Veloso havia dito que Os Beatles, quando nos começamos a ouvir, era como ouvir o Justin Bieber, está entendendo? E era, era exatamente isso. Mas não quero dizer que os Beatles eram brega, quero dizer que eles faziam música de sucesso. Se música de sucesso do José Augusto é brega, tudo bem. Tem gente que acha que Legião Urbana é brega, é uma questão de preferência. Eu brigo com os meus filhos porque eles dizem, porque eles são bem mais radicais do que eu em matéria de música. Mas eu acho que essa é a definição. Eu assumo a questão do brega, se para assumir, assumimos. Não há problema nenhum. Eu acho que o amor é uma coisa brega, brega no sentido de que você tem que rasgar o peito. Quem está apaixonado não quer nem saber, fala um monte de bobagem que em uma situação normal morreria de vergonha, mas e dai? Esse que é o bacana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P.</strong><strong> </strong>E tendo tantas cartas, lendo tantas cartas, a comparação entre homem e mulher, quem faz mais loucuras? Quem é mais romântico?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong>. </strong>Olha, eu vou te dizer uma coisa, tu vai se surpreender. Eu acho que o homem é capaz de mais loucuras quando apaixonado do que a mulher. A mulher é mais racional, ela pode se apaixonar loucamente, isso varia de pessoa para pessoa, evidente. Mas se tivesse que catalogar os grupos, o homem é muito mais doido quando está apaixonado ele faz loucuras mesmo, pode ter certeza.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong>. </strong>Teve alguma história lida no rádio que depois tu vieste a descobrir que era ficção, ou era mentira? Que a pessoa inventou ou usou o nome de outra pessoa?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Várias. Eu não diria tantas. Eu tenho guardado umas dez. Você vê até que a tentativa das pessoas não é sacanagem. Tinha um cara que mandou uma série de histórias, eu via que estava ali alguém tentando ingressar no mundo da literatura. Quando bem escrita, porque não ler? Tudo é verdade no rádio na medida em que tu passas credibilidade. Quando é fantasiosa demais ai não tinha como ir pro ar, naturalmente o ouvinte sentiria que era muita bobagem. Mas quando é bem escrita, e têm algumas bem escritas, tu detectas imediatamente quando é. O critério não é a história ser verdadeira ou falsa para ir para o ar, é ela estar bem escrita ou mal escrita, é verossímil ou não é. Pronto. Foram várias.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Então não precisa ter um compromisso com a verdade, tem que ser uma história que inspire?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Exatamente, que inspire. Uma história que emocione e toque as pessoas. Ou não faça nenhuma dessas coisas, mas que o ouvinte ouça e aceite como verdadeira, pronto. Poderia ter acontecido com ela ou com qualquer pessoa. Na história do programa todo tem umas 20 ou 30 pelo menos que estão nessa categoria da imaginação fértil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P </strong><strong>– </strong>Arlindo, tu tens alguma ambição ainda na tua carreira? Algum sonho que tu não realizaste?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Eu tenho. É voltar a trabalhar numa radio bem pequenininha onde não haja competitividade. Pela manhã, fazendo aquilo que para mim é o futuro do rádio, falar, falar e falar. Colocar todos os assuntos do mundo em discussão. Não é que eu queira bancar o didático, é pelo prazer de falar e discutir. Eu tenho uma ambição sim, fazer nessa altura do campeonato, quando chegar o momento, porque tudo se esgota na vida. Love Songs vai esgotar, vai perder. Por enquanto ele se mantém, evidentemente não com a audiência de antigamente, mas se mantém em primeiro lugar. Quando esse primeiro lugar for perdido ele perde a razão de ser. Aí vou fazer o que eu realmente gosto na reta final.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Pela pressão mesmo é a escolha de uma rádio pequena? Tu sentes algum tipo de pressão?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Não. Porque eu não sou muito competitivo, eu gosto de trabalhar bem á vontade. Em uma rádio pequena você pode trabalhar bem á vontade. Hoje você não precisa nem trabalhar numa rádio pequena, você pode ter uma rádio pequena na internet. Uma rádio tua, você pode fazer o que você bem entende. É um espaço que não foi devidamente aproveitado ainda, porque se falava nos anos 90 a respeito das rádios que viriam na web e coisa e tal, e elas não deram certo. No Brasil elas simplesmente não deram certo. Por quê? Porque eles colocaram na roda, colocaram na internet, não exatamente emissoras de rádio, mas vitrolões. Tem gente que gosta? Tem gente que gosta. Mas a grande maioria quer rádio com vida. Tanto que nos Estados Unidos, lá deu certo. Mas por quê? Porque grupos poderosos contrataram os melhores comunicadores,  das melhores rádios e na web passaram a fazer uma emissora de todas as tendências, mas como se fosse uma rádio convencional. Falar como se fosse uma rádio convencional, a única coisa é que era transmitida através da internet, Aqui não. Aqui houve um investimento muito grande, inclusive da Jovem Pam. Não sei quantas rádios ai, por volta de 20 emissoras. Foi até muito bem pensado. Várias tendências. Mas na hora de colocar em prática, esqueceram o fundamental, não deram vida. É a mesma coisa que você pegar um pendrive com 200 músicas e colocar para rodar, um belo dia enche o saco. Rádio não é isso. Como rádio adulto no Brasil está longe de ser o ideal, esse é um segmento ainda muito mal explorado no Brasil, eu diria que é o segmento mais mal explorado em termos de rádio no Brasil, é o rádio adulto, porque ele é, essencialmente, vitrolão.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>O que tu achas que falta para ser o ideal?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Falta vida, são rádios sem vida. Qualquer uma delas, desde as primeiras colocadas até as que tão na rabeira do ibope do publico adulto, são rádios sem vida. Sem noticias, sem comunicação. Você pega uma radio adulto contemporânea America, você vê os velhinhos comunicando lá, totalmente descontraídos, fazendo mais bagunça do que a gurizada faz aqui. Tem vida!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Falando nisso, tu tens algum ídolo na tua profissão? Pessoas que tu admira muito, que tu ouves?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Olha, eu diria que os meus ídolos estão todos na minha profissão. Tem pessoas que eu admiro e gosto muito em todas as áreas, mas ídolos mesmo é o pessoal de rádio. Eu me emocionei duas vezes na vida quando fui apresentado, vindo do interior, guri do interior, me emocionei naturalmente quando fui apresentado ao Roberto Carlos que era o nosso ídolo desde aquela época. Me emocionaria também se me apresentassem o Pelé. O grande Otelo já falecido. Os ídolos da infância são para toda a vida. Mas eu me emocionei quando conheci alguns comunicadores que eu conheci quando era guri também no interior. O Glenio Reis, quando me apresentaram. O Armindo Antonio Ranzolin quando me apresentaram. Ai rola a emoção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Se inspira em algum deles?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Não, eu não tenho o que se chama ouvido musical, o que me prejudica um pouco na profissão. Para você se inspirar em alguém e tirar alguma coisa dele que você possa usar, eu acho que de algum você vai tirar sei lá, talvez a seriedade de comunicar na profissão e tudo mais, mas alguns trejeitos ou qualquer coisa parecida como frases eu nunca fiz isso. Não por questões éticas, mas porque realmente não tenho ouvido. Me inspiro neles mais como ouvinte mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Arlindo tu apresentas o programa Fim de Tarde na Farroupilha também, como é sair desse ritmo de programa no horário do Rush para ir para o clima romântico do Love Songs?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>É totalmente diferente, mas para mim é natural. Porque eu gosto do rádio AM, eu gosto. Eu gosto muito mesmo é do rádio popular, é isso que eu estava falando há pouco. Eu gostaria de fazer um rádio falado, mas popular. Não necessariamente um popularesco no sentido que possa ter a palavra. Me sinto muito bem, a minha formação é essa. Eu comecei em rádios assim até chegar no FM nos anos 80. Até ai a minha formação era no rádio AM. É uma questão só de técnica. É uma questão de levantar um pouquinho o tom de voz e deu. Alguns termos que você tem que se policiar para não usar no FM, alguns termos que você tem que se policiar para não usar no AM. E depois é tocar o barquinho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>De um exemplo da diferença:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Aí, caramba. Sei lá, eu acabo até ás vezes escapando. Tipo “galera” você incorpora alguma coisa da linguagem que se fala nos dias de hoje. Não necessariamente de maneira artificial, porque o ouvinte sente claramente quando você está tentando fingir uma idade que você não tem, por exemplo. É uma situação até social. Que você não tem. Não da para você chegar diante do microfone e passar a falar que nem a gurizada do funk. Porque a linguagem hoje no Brasil, a língua sendo uma coisa viva, hoje sofre influência basicamente no funk. Quem está renovando o português brasileiro é o pessoal dos morros cariocas. Entendeu? Não da para você chegar ao microfone e desandar a falar a linguagem deles porque eles vão ver direitinho que você não é do morro, que é falsa a situação. Mas algumas palavras começam a se incorporar e tu vais pegando. São palavras que você não vai poder usar no AM, tipo “tamo junto”, e essas coisas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Você falou que se emocionaria ao conhecer o Pelé, e tu disseste ao longo da entrevista o quão tímido tu és e te esconde, quando tu não estás na rádio, o que tu fazes?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Eu vejo muito filme, leio bastante, gosto muito de ler. Cinema para mim aconteceu o que eu mais temia, acabei enjoando repentinamente. Eu baixei para você ter uma idéia, bom se isso desse cadeia eu estava roubado, aqui no Brasil eu ia pegar uns 200 anos de cadeia (risos). Eu baixei nos três últimos anos 2000 filmes, eu coleciono filmes, especialmente clássicos. A minha preferência é pelo velho e bom faroeste, que é muito pouco postado. Mas coleciono clássicos em geral. Eu baixei uns 2500 filmes em três anos. Eu passo tempo gravando e agora tem uma nova diversão que é legendar o filme, eu me divirto legendando e coisa e tal, fazendo as capas, assistindo e lendo. A única coisa que você não enjoa, por incrível que pareça é ler. Ver filme você enjoa, sei lá. Tem coisas que, talvez outras que eu não conheça que você não enjoe. O hábito de leitura é fantástico, esse não tem enjoar jamais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>O que tu gostas de ler?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Tudo. Hoje em dia eu leio mais é biografia, ficção eu não leio mais. Eu gosto muito é de ler biografia. Claro, especialmente de gente do cinema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Qual é o teu livro preferido? O clássico que fica no topo da prateleira?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Cidade das redes. É um livro que eu até nem gosto muito no aspecto político, é escrito por um cara de esquerda dos Estados Unidos. É uma visão de esquerda do cinema americano. Cidades das Redes – Hollywood. É um livro que eu já devo ter lido acho que umas 10 ou 12 vezes, é muito bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>E o teu filme preferido?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R </strong><strong>– </strong>Meu filme preferido&#8230; Olha, eu vou citar um extra, “The Searchers”, é um filme com John Wayne, se chama “Rastros de Ódio”. Esse é um dos meus filmes preferidos. Fora isso, um mais contemporâneo que eu posso citar de repente&#8230; É isso ai, mais ou menos por ai. Sabe que eu tenho que fazer também uma relação das músicas que eu gosto e dos filmes que eu realmente gosto justamente para ter esse tipo de resposta. (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Estamos chegando a reta final da nossa entrevista aqui, só para não deixar nenhuma aresta solta, como foi teu inicio na Rádio Cidade? Qual é a tua relação com essa rádio hoje? Empresa, emprego, mas também como tu falaste, o lugar que tu se sente bem fazendo aquilo que tu gosta? Conta um pouquinho dessa relação e de como começou na rádio cidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Eu na época trabalhava na rádio Continental, e trabalhava de manhã com Sérgio Zambiazi na rádio Difusora. Um belo dia estava trabalhando na Continental e recebi um telefonema do pessoal do Rio de Janeiro que estava chegando para montar a rádio cidade em porto alegre, e me convidando para fazer um teste. Ai fui lá fazer o tal teste. Quando cheguei lá, encontrei o medalhão da época. E eu, piá interiorano, cheio de sotaque ainda. Digo não, não vou nem fazer o teste, ai eles, muito gentis, pediram para eu ficar. E para a minha surpresa acabei passando no tal teste. Dois ou três dias depois eu recebi o convite para começar nos treinos, que a radio seria inaugurada no dia 15 de novembro de 1979. E eu lembro que na época os caras me diziam assim “Pô, mas tu vai trabalhar numa rádio de carioca? Vai largar o Jornal do Brasil para trabalhar numa rádio carioca?” Aquela soberba de gaúcho, lamentavelmente é triste. Só que essa rádio carioca, na época nos pagava 20 salários mínimos por quatro horas de trabalho com direito a uma folga semanal e com direito a uma viagem por ano para o Rio de Janeiro, com Golden Cross para todo mundo. Está entendendo? Significou uma nova forma de ver o profissional aqui no Rio Grande do Sul. O jornal do Brasil trouxe uma valorização para profissionais médios, eu, por exemplo, era abaixo de médio, era um guri que tinha chegado do interior e estava longe de ser destaque do rádio em porto alegre. Nem passava pela a cabeça ter essa pretensão. Houve realmente um impacto no mercado de trabalho quando nós começamos a trabalhar na rádio cidade em 1979. Ai sai varias vezes, acho que eu devo ter voltado umas três ou quatro vezes para a rádio cidade e em 1990 foi adquirida pela a RBS. Uma empresa que sinceramente, embora haja muitas manifestações contra a RBS, paga direitinho, é absolutamente correta na sua relação com o funcionário, não tem interferência nenhuma editorialmente falando, ou seja, você fala o que você quiser. O que eles te pedem é isenção. E o máximo que a gente faz realmente é chegar na época da política e não citar política porque pode render processo e tudo mais, fora isso a tua opinião é a tua opinião, nunca em momento algum a RBS, por exemplo, nos orientou sobre o que devemos falar ou não falar a respeito de alguém ou de alguma coisa. É um ambiente ótimo, perfeito para trabalhar. Eu consigo trabalhar a noite levando os meus dois cachorros. Eu tenho duas cadelinhas poodles, é a família em peso. A mulher vai produzir e uma delas é ceguinha, ela não pode ficar em casa, se não ela faz um estardalhaço e acorda a quadra inteirinha. Que empresa te permitiria isso? Praticamente me mudo a noite para lá, levo para lá cachorro e tudo que tenho direito (risos). É um ambiente muito bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Por trabalhar a noite tu dormes até tarde? Como é a tua rotina?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Ah, sim. Eu por exemplo não dormi ainda. Eu até esqueci-me de marcar com vocês para a primeira hora, eu só faço coisas na primeira hora da manhã, por que eu sei que se eu tiver compromisso não consigo dormir. Mas, eu, como sou um cara que trabalho a noite, acabo invertendo. Durmo normalmente pelas sete ou oito horas da manhã, todos os dias. Fico navegando na internet&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>E acorda que horas?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Acordo tipo uma da tarde, mais ou menos por ai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>E como foi mudar a tua voz do inicio que tu disseste que foi horrível na radio Luz e alegria, até a voz aveludada que é reconhecida no Love Songs hoje em dia?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R </strong><strong>– </strong>Foi só baixar o tom, foi só baixar o volume, adquiri a técnica. Quando eu fiz o teste eu fiz uma gritaria, eu fiz um teste imitando o Milton Jung, ele apresentava o Correspondente Renner na rádio Guaíba. O sul do Brasil inteirinho se ligava na rádio Guaíba para ouvir o Milton Jung a uma da tarde apresentando o correspondente Renner. Eu tive a pretensão de fazer o teste imitando o Milton Jung. Olha, eu não sabia que tinha um pitizinho para dar volume e tudo mais, eu entrei no estúdio e fiz uma gritaria do cão (risos) e saiu uma voz muito aguda, e me falaram que fora do microfone eu tinha uma voz muito bacana, e a gravação realmente tinha um agudo agressivo. Mas na verdade era só baixar o tom e estava resolvido, o segredo é esse.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Tu já usaste a voz como arma de sedução? Já ganhou cantada de alguma ouvinte?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Tu ganhas, naturalmente, mas é que a ouvinte não tem a noção exata de qual é a tua legitima, verdadeira e lamentavelmente triste aparência física (risos). Não da para enganar. Nunca usei porque imagina a decepção da coitadinha ao dar de cara com algo completamente diferente. Porque você ouve a voz e você imagina o que você quiser. É ou não é? Eu sei por mim, eu como ouvinte, é natural que você ouvindo a rádio você imediatamente idealize uma pessoa. “Essa pessoa é assim, é assado”. E no caso, digamos de uma visão romântica, deve-se imaginar um cara lindo, maravilhoso. (risos) Só que os fatos não correspondem (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong> – </strong>Só para encerrar algo que eu fiquei bastante curioso, quando foi que tu diagnosticaste a depressão?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R</strong><strong> – </strong>Eu era um cara muito magrinho, então eu imaginava quando eu era pirralhinho, eu já ficava pensando que eu precisava de umas vitaminas. Eu ia para o colégio e não conseguia estudar, eu ficava só lendo. Eu pegava um livro didático e botava um gibi no meio e botava um livro que eu gostava porque desde aos oito anos eu aprendi a ler gibis e livros ao mesmo tempo. Meu irmão tinha uma caixa enorme, tudo misturadinho, e eu fui direto para leitura. Aos 10 anos eu lembro que não tendo nada para ler eu li a bíblia inteirinha que uma amiga me emprestou. Com uns 10, 11 ou 12 anos meu irmão veio de carazinho e trouxe um livro do Platão, eu li tudo aquele negócio, aquele calhamaço sem entender nada, só pelo prazer de ler. Porque naquele tempo não tinha essa facilidade de adquirir livros ou revistas, tudo era muito caro. Como hoje, Brasil sempre foi assim. Quanto á depressão, eu julgava que a falta de vontade do estudo era em função disso, e ao longo do tempo foi assim. Fui descobrir que era depressão quando eu tinha uns trinta e poucos anos. Até o final dos anos 70, não se falava, a palavra depressão era muito pouco usada. De repente, começou a se falar a respeito da depressão que seria o mal do século 21, e acertaram em cheio. E aí eu me auto diagnostiquei, ta ai a explicação. Eu larguei a viação para trabalhar no rádio, Muitas vezes fiquei em duvida porque na viação tu ganhavas muito mais grana, é uma profissão também atraente. Só que você ia ficar quanto tempo em terra, por exemplo? E alguém como eu precisa de constante atividade, algo que te obrigue a sair de casa. O rádio para mim é terapia. Eu me diagnostiquei com uns trinta e poucos anos, mas tive desde a infância. É genético pelo lado da minha mãe. O alemão é assim ou ele é muito festeiro ou ele é melancólico. Felizmente nosso ramo tem depressão, mas não é suicida. Tu até namoras a idéia da morte, mas nunca houve casos de ninguém chegar a esse ponto. Mas eu posso dizer que talvez eu deva a vida ao rádio, não tenho a menor dúvida. Muito apego a vida é o fato de fazer o que eu gosto. Não apenas pelo o fato de que é o perfeito trabalho para vagabundo, diga-se de passagem, (risos) porque tu ficas sentadinho só falando muitas vezes o que vocês jornalistas passaram para nós (risos). Mas pelo fato de que eu sempre fui muito ouvinte e gosto de rádio, continuo ouvindo radio para caramba, é o que eu disse, meus ídolos estão todos no radio. Inclusive ídolos que eu não conheço. Gurizada que começou ontem, mas que eu vejo que é bom, eu gosto do trabalho. Porque ao contrario do que muita gente pensa, é uma tendência natural para nos que já estamos no mercado, achar que a gurizada que esta surgindo é um pior que o outro. Eles trouxeram coisas que nos não tínhamos, o nível de comunicabilidade dessa gurizada mesmo nas radio populares são melhores do que nós. Porque já nasceram assim, já são mais comunicativos. Tem uma nova geração ai que devagarzinho está nos superando. Talvez no rádio ainda nem tanto, mas em festa, por exemplo, não da para competir, são bons para caramba. São meus ídolos também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Entrevista realizada por alunos da disciplina de Projeto Experimental/Rádio, no dia 03 de abril de 2013, nos estúdios da Famecos/PUC-RS.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alunos responsáveis: Ana Paula Bretschneider, Bruna Cabrera, Daniela Kalicheski, Felipe Martini, Júlia P. Tarragó, Lais Cerutti Scortegagna, Leonardo Cardoso, Marcela Ambrosini, Rafael Sobral e Virginia Miranda.</strong></p>
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		<title>Apresentação</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2013 20:13:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>canatta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gentílio Modernel]]></category>
		<category><![CDATA[Vozes do Rádio]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre com bom humor, Gentílio Filikoski Modernel já chega se apresentando com o divertido slogan “Eu sou Gentílio FM, sempre no AM”.  Integrante da equipe da Rádio Farroupilha desde abril de 2007, o multifuncional assistente de produção, repórter, locutor e humorista completou recentemente seis anos na emissora. A afinidade com o rádio, entretanto, surgiu há [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre com bom humor, Gentílio Filikoski Modernel já chega se apresentando com o divertido <em>slogan</em> “Eu sou Gentílio FM, sempre no AM”.  Integrante da equipe da Rádio Farroupilha desde abril de 2007, o multifuncional assistente de produção, repórter, locutor e humorista completou recentemente seis anos na emissora. A afinidade com o rádio, entretanto, surgiu há muito tempo.</p>
<p>“Rádio é a minha paixão. Desde criança, sempre gostei, escutava aquele caixão de abelha mesmo, que é do meu tempo. Tinha que esperar cinco minutos pra aquecer, e meu pai ainda dava umas batidas no rádio, não sei se para acordar o locutor ou só para fazer funcionar. Isso com seis anos, já estava antenado às notícias”.</p>
<p>O Programa Não Diga Não, da Rádio Gaúcha, foi o primeiro contato de Gentílio com o rádio, em 1972. Houve, pouco mais tarde, uma oportunidade de trabalhar como palhaço, e a vocação do porto-alegrense na área do entretenimento foi evidente, o que o levou a trabalhar por dois anos na TV Pampa. Em 1985, ingressou na Rádio Real de Canoas, onde administrava a programação musical na época em que o rádio ditava todas as músicas que tocariam nas festas. Depois, passou para a Rádio Educadora RBS-Feplan, onde consolidou a maior parte de seu aprendizado durante oito anos. Segundo o radialista, a emissora tinha programação inteiramente voltada à educação, com material didático de matérias típicas de colégio transmitidas em áudio. A formatura do curso de Jornalismo na Famecos aconteceu no dia 4 de agosto de 1995.</p>
<p>Gentílio tem visual único. Magro, de cabelos brancos e olhos azuis, o radialista tem estilo. Apareceu para a entrevista com calça e boina vermelha, camiseta de flanela vermelha e tênis branco. Além da carreira no rádio, ele e o irmão gêmeo trabalham como guias turísticos. Ao serem contratados para levarem uma turma de 3ª série do Colégio Santa Inês a Dois Irmãos, surgiu a ideia de criar personagens e se vestir a caráter. A repercussão foi tão positiva que o “Alemão Schurtz de Morro Reuter” virou personalidade também nos programas da Rádio Farroupilha, e já existe há seis anos. A parceria com o irmão também é antiga. Desde jovens, participavam de concursos de talentos, cantando músicas gauchescas.</p>
<p>A participação do público é o que mais agrada Gentílio na Rádio Farroupilha. A parceria essencial entre operador e locutor é o que faz a rádio comunitária dar certo e prestar um serviço de qualidade ao ouvinte. “A rádio AM tem essa magia de ir mais longe. Fiz uma viagem a Piratuba, no oeste catarinense, e escutava a Farroupilha de forma impecável. Sem falar que o público da Farroupilha está muito mais amplo e isso só valoriza a transmissão AM. Vejo gente de trinta e poucos anos escutando a nossa programação, é ótimo”. Ao concluir a breve retrospectiva sobre sua vida, o radialista diz que tem muitas histórias para contar, mas que todas elas apenas refletem que ele ama o que faz e se diverte sempre.</p>
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		<title>Texto na íntegra</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2013 19:52:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>canatta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gentílio Modernel]]></category>

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		<description><![CDATA[Gabriela: Gentílio, só nos conta então as informações básicas que a gente tava falando ali, eu tava te perguntando antes. Trabalha na Farroupilha, como repórter&#8230; Gentílio: Trabalho na Farroupilha como assistente de produção, repórter, locutor, anunciador e também faço um personagem, mas desde 2007, praticamente fazendo aniversário agora, dia 2 de abril completei mais um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gabriela:</p>
<p>Gentílio, só nos conta então as informações básicas que a gente tava falando ali, eu tava te perguntando antes. Trabalha na Farroupilha, como repórter&#8230;</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Trabalho na Farroupilha como assistente de produção, repórter, locutor, anunciador e também faço um personagem, mas desde 2007, praticamente fazendo aniversário agora, dia 2 de abril completei mais um aniversário lá na Farroupilha. Então estou lá desde 2007, já há algum tempinho, né? E rádio é a minha paixão. Eu desde criança sempre gostei de rádio, falando rádio tipo “caixão de abelha”, do meu tempo ainda. Meu pai ligava lá o rádio, botava na tomada, esperava uns cinco minutos pra aquecer, aquecer as válvulas, dava umas duas, três batidas, não sei se era pra acordar o locutor ou era pra fazer funcionar, mas de repente começava a funcionar e a gente ali criança começava a escutar rádio, isso com cinco, seis anos por aí&#8230; as notícias principalmente da época, repórter Esso, correspondente da Rádio Gaúcha e tal&#8230;então a gente tava antenado. Eu desde criança então gostei de rádio e rádio foi minha paixão e hoje estou dentro do rádio, mas profissionalmente comecei dentro da televisão e depois passei pelo rádio, passei pelo jornal, e agora retornei ao rádio novamente.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Tu és de Porto Alegre?</p>
<p>Gentílio:</p>
<h3>Sou natural de Porto Alegre. A família&#8230; meu nome é <a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=gent%C3%ADlio+modernel&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CDIQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fgentilio.filikoskimodernel&amp;ei=8r5iUaHgKqyH0QHJsIHwBQ&amp;usg=AFQjCNH3vn0oqaNIQk4eIrg30gOp7QJlQA">Gentilio Filiposky Modernel</a>, a logomarca “Modernel” é gente de rádio e televisão&#8230;</h3>
<p>Gabriela:</p>
<p>Tem mais alguém na família&#8230;?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Tem muitos parentes aí jornalistas, aqui no Rio Grande do Sul, interior, principalmente Rio Grande, Bagé e arredores, e no Uruguai e Argentina, então lá&#8230; Já deixei de ser preso por ter o sobrenome Modernel: “Ah Carlitos Modernel, si primo meu”, liberado! Liberado! Isso no tempo do governo militar, não podia circular de noite, depois às 22h, eu não sabia e era guri ainda, os caras chegaram pra me recolher. Salvou o meu nome por que, por que tinha artistas no ar lá em Montevidéu e é meu primo e pronto, me liberaram, né?</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Quando tu sentiu mesmo que tu queria fazer parte do rádio, queria trabalhar no rádio mesmo, tu me contou ali da Gaúcha&#8230;</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Nos anos 70, a primeira emissora de rádio que eu tive a oportunidade de conhecer por dentro, né? E participar de um programa, era um programa “Não diga não”, com Celso Ferreira, no Show da Manhã na Rádio Gaúcha, isso em 72. Eu participei lá, pra mim foi uma grande emoção, e depois comecei a participar em outros programas da rádio na parte da tarde e até hoje, quando reencontro aquele pessoal daquela época, e isso aí me criou essa paixão. Depois mais adiante, já no final dos anos 70, entrei meio no lado artístico, e aí surgiu a oportunidade de trabalhar como palhaço, aí fui trabalhar em televisão como palhaço, trabalhei acho que dois anos na TV Pampa e daí começou o lado artístico e depois voltei ao rádio em 85, trabalhando como operador de rádio, na Rádio Real de Canoas e depois, um ano depois&#8230; no final daquele mesmo ano em 86, comecei a trabalhar numa rádio, que o canal era do Grupo RBS, que era administrada pela Feplam, a rádio Educadora AM, e ai que eu comecei. Fiquei oito anos praticamente ali na rádio, meu aprendizado praticamente maior de rádio foi ali, incluindo naquele período, conclui a faculdade de jornalismo aqui na Famecos.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>E como é que foi teu trabalho nessa primeira rádio em Canoas, em 85? Como é que começou?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Começou como operador, as pessoas&#8230;antigamente, praticamente o rádio era só AM, então o rádio AM tinha só o quê, o locutor, a mesa, o estúdio separado, como é aqui na Famecos, por uma vidraça e do outro lado fica, do “aquário”, como linguajar que o pessoal de rádio falava “do outro lado do aquário”, ficava o operador, que manuseava, quer dizer então se não existia uma união, o locutor olhava pro operador, o operador captou a mensagem, ele aperta num botão lá, larga um cartucho que era na época e tá resolvido o problema&#8230;Mas quando não havia essa empatia, a coisa era ruim. Até me lembro de uma oportunidade, um sábado de manhã, lá na Rádio Real de Canoas, então de meia em meia hora tinha um programa e tinha um apresentador lá, que o cara já era conhecido, metido, baixinho, metido a baita macho, né? Eu cheguei e disse “Olha aqui ó, hoje eu só tenho um toca disco”, ele queria que eu colocasse um disco de abertura, um outro disco depois de cortina, uma fita de rolo pra passagem pra ele e depois voltar, tira disco, bota disco e eu só tinha um toca disco, vou ter que “Não&#8230;” daí o cara me queimou no ar: “Esse operador” e não sei o que mais, “ah ta, o que foi que eu fiz?”. O som que eu poderia estar fazendo aqui, era o som que ele escutava dentro da caixa no estúdio, então eu fiz um programa só pra ele ouvir e agradecer todo o público, e deixei o disco, uma fita cassete, conectei, e a rádio ficou só tocando aquela música numa fita cassete e o cara lá que me queimou no ar, não teve o programa dele indo ao ar na sequência, no outro dia “Ó, deu uma problema aí&#8230;”, eu “tava no ar a rádio”.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Isso era bem no início, no teu início assim&#8230;</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Isso era quando eu trabalhava como operador na Rádio Real de Canoas.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Sim, mas bem no início&#8230;tu ficou quanto tempo nessa rádio?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Eu fiquei praticamente um ano lá, então&#8230; deu pra se divertir bastante, aprender bastante. A convivência&#8230;fim de semana então chegava o pessoal, os evangélicos e o piso lá era de madeira, então “prédião” antigo, quem conheceu naquela época a Rádio Real, qualquer movimento ali já pulava o disco e tal e aí chegavam os irmãos da igreja e começavam a pular, pular e aí eles reclamavam porque pulava o disco, “olha, se você se mexer aí dentro do estúdio, eu não posso fazer nada aqui, né?”. Até surgiu uma história depois, do gerente depois de uma semana “ó, o pessoal ta reclamando aí”, disse “o senhor fica tranqüilo, eles pularam tanto que o disco saltou, deu duas voltas, caiu e ainda pegou o finalzinho da música, na faixa do outro lado do disco”.</p>
<p>Juliana:</p>
<p>E como é que tu aprendeu a operar áudio assim?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Olha&#8230; Vendo né? Vendo o pessoal nas rádios, até hoje em dia tem um colega lá na Atlântida, que é o Carlos Couto, que era daquele período da Rádio Gaúcha e até hoje seguidamente quando a gente se encontra ele relembra dessas histórias aí&#8230; Gostando, né? Então, hoje por exemplo, as rádios FM, quer dizer, o executivo ele senta, ele mexe nos botões, então ele sabe o que ta fazendo, se ele fizer errado, é ele quem tá errando, é com ele a bronca, ele vai dar bronca nele mesmo, né? Mas no AM, a maioria das rádios ainda existe, tem que ter realmente uma parceria, tanto é que, principalmente São Paulo e Rio, muitas emissoras, tem aqueles locutores da antiga, eles já tem seu operador, eles tem uma equipe&#8230; Eles vão ter um programa na rádio tal, “bom, é a minha equipe”, que aí eles sabem, o locutor olhou pro operador, o operador fez um sinalzinho, piscou o olho, ele já sabe onde apertar e o que vai entrar no ar. Essa é a magia do rádio, né? O ouvinte em casa, às vezes não sabe como é que  funciona&#8230;então é uma parafernália de botões, se ele apertar um botão errado&#8230; E hoje a maioria das rádios, é tudo no computador, então de repente tem alguém ali falando, dando risada, aquela, um pinguinho de saliva, aquela guspidinha, bateu no computador, aciona, aí entra uma vinheta, sei lá o que pegou ali, então tem que ter muito cuidado hoje, porque a coisa é muito sensível. Antigamente não, se tu não colocasse uma cartucheira e não apertasse o botão, tava salva a pátria, né? Então hoje a situação é mais melindrosas, lógico que a qualidade técnica hoje não se comprara àquele tempo, né?</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Como é que era a programação dessa Rádio Real de Canoas?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Era uma programação praticamente musical, da época, anos 80, foi o auge das músicas que hoje faz sucesso nas festas&#8230; Se não tiver uma sequência de música dos anos 80, não tem festa. Tanto é que ontem, anteontem, eu vi um cartaz aí festa anos 70, 80 e 90. Quer dizer, foi o auge de músicas para festa, quer dizer, depois desse período, anos 2000 pra cá, que que surgiu, surgiu as batidas do funk&#8230;é uma coisa bem segmentada , e não uma coisa abrangente como era, esses anos dourados, anos 80 e 90, deu muita música. Então, o que que rolava ali&#8230;o sertanejo, Chitãozinho e Xororó, entrava ali o Jair Rodrigues, aquela música que se tornou&#8230;a “Majestade o Sabiá”&#8230;então tinha muitas músicas ali interessantes, que até hoje principalmente na Rádio Farroupilha onde eu trabalho, se toca muito as músicas daquela época. Musicas que não envelheceram, permanecem na memória do pessoal, o pessoal pede.</p>
<p>Shaisy:</p>
<p>Tem algum exemplo que tu lembre, assim que marcou muito&#8230;pode ser até mais de uma música, que tu lembre ou porque tocou muito, ou porque tu mesmo gostou e dessa época assim, dessa época.</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Dessa época também, “Um dia de domingo”, domingo era sagrado quando eu estava no horário, tocava essa música, com Gal Costa e Tim Maia também era um clássico, é&#8230;deixa eu ver, é que na época tinha muito sertanejo que hoje praticamente, era Milionário e Zé Rico, rolava bastante. Essas duplas mais antigas, até a dupla, um deles faleceu, acho que é a mais antiga de sertanejo, o Tonico e Tinoco! Exatamente, Tonico e Tinoco era a sensação do momento, então era basicamente isso aí, era o sertanejo puro. Hoje é o sertanejo universitário, as bandinhas também hoje tomaram conta, então a coisa ficou meio misturada. Mas o rádio musical hoje praticamente, as emissoras de FM praticamente o rádio é musical, mas uma outra tendência, uma outra tendência tá se acentuando e o que é que é: como praticamente as rádios AM, a Gaúcha já migrou, a Guaíba já migrou, e outras tão migrando para o FM também, é uma tendência natural, até pela qualidade de som, o rádio falado também ta ganhando um movimento muito grande, ganhando força. A dona de casa, o que ela quer, ela quer companhia, tanto é que os fenômenos hoje de rádio, Comando Maior na Rádio Farroupilha começa com o Zambiasi, depois entra o Gugu, é o rádio praticamente falado, música muito pouco, só uma beliscadinha coisa e tal pra ficar na saudade. Então a dona de casa praticamente que está em casa pela manhã, ela está sozinha, mas está com o rádio ligado, às vezes tem pessoas que ficam com três ou quatro rádios ligados, na sala, na cozinha, no quarto, quer dizer, por onde ela circula, o rádio tá ligado. E aí o que ela tem? Companhia&#8230; Ela fica ouvindo e isso é um fenômeno, entrou a internet&#8230; o jornal vai desaparecer quando entrou a internet&#8230;o rádio vai sumir, o rádio ta ganhando muita força, ta perdendo um pouco de audiência no geral, mas em função, porque hoje tu tem 20, 30 mídias pra te conectar. Quer escutar rádio, tu acessa do computador, tu pega o celular tem o FM, então&#8230;</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Tu acha que isso foi o que mudou de lá pra cá, do tempo que tu começou na rádio&#8230; Antes era mais&#8230;</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Antes o quê, tu tinha o radinho de pilha, alguns eram grandes demais, outros eram pequenos, de repente já não pegava, tu te virava pro lado já não pegava. Hoje o celular praticamente, no futebol, no futebol então que&#8230;Por exemplo, a Gaúcha, a Band, a Guaíba, o que é que elas tem durante a jornada esportiva, o torcedor tá lá, não precisa ficar com o rádio colado como era, se agente assistir filmes relacionados a futebol, agente vê aquele torcedor com o rádio colado no ouvido, aquele radinho de pilha que era companhia&#8230;então, quer dizer, a primeira coisa que, a primeira coisa que se o time perdesse o juiz roubou, o que era arremessado pro campo, radinho de pilha! Radinho de pilha era o tijolo que eles arremessavam, né, em campo. Então hoje, ninguém vai arremessar um celular, né? Então o celular hoje passou&#8230;essa foi a grande sacada das emissoras para ter a companhia deles, né, do ouvinte dentro do campo, é o celular. Já ta com o celular no bolso, botou o fonezinho ta acompanhando a jornada esportiva, né, seja lá por qual emissora e ta ali vibrando, conectado diretamente, então o celular trouxe esse avanço que acompanha então o torcedor por qualquer lugar que ele vá.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Mas eu digo assim, do rádio falado, como era antigamente assim, como é que era isso, que tu falou hoje&#8230;</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>O rádio falado de antigamente, vou colocar assim tipo&#8230; Rádio Gaúcha anos 70, um programa de manhã que começava, Celso Ferreira tinha um programa de manhã que ia quase até próximo ao meio-dia, que era participação do ouvinte, brincadeiras, à tarde também o segmento era mais ou menos isso aí e a informação ela entrava assim na hora cheia, nos tradicionais horários, 8h30min da manhã, 9h da manhã em outras rádios que eram de informação&#8230; Ali entrava a informação, um minutinho, dois de informação no meio da hora. Basicamente era o rádio falado com a participação de ouvinte. Hoje as emissoras segmentaram para o jornalismo que é o rádio falado também, continua falado, mas com a informação presente 24 horas. Então temos aí o quê, a Rádio Gaúcha, a Rádio Bandnews que era o segmento FM também, a Gaúcha também tá no FM, a Guaíba também tem essa informação, a Bandeirantes, enfim, as emissoras que pegaram para o jornalismo é praticamente o rádio falado. Então tem o público que é bem abrangente e já o rádio comunitário, como é por exemplo a Rádio Farroupilha, tem a Rádio Caiçara que é também o mesmo perfil, principalmente o rádio falado, participação do ouvinte direta, principalmente a Farroupilha, o auxílio às pessoas, a utilidade pública, isso aí é marcante, é uma marca da Farroupilha, não tem como fugir disso, então esse é um segmento que ta sempre por cima, tem um público alvo e um público que&#8230;o pessoal sempre dizia que “o público da Farroupilha é um público adulto que, um público já ali de uns 60 para mais”, e eu sempre discordei disso e hoje a participação das pessoas nos programas lá tão realmente colocando o que eu mais ou menos imaginava que era. Então gente de 30, de 40, de 50, estão ouvindo o rádio, o rádio AM, então num momento, por exemplo, em que a Farroupilha chegar a ter um canal de FM, aí a história vai ser muito maior, porque a abrangência, às vezes o AM dependendo das circunstâncias do tempo e tal, o pessoal às vezes tem dificuldade em determinados pontos de pegar o sinal, então o FM, praticamente tu pega uma Rádio Cidade, tu vai ao Litoral tu tá escutando a Rádio Cidade. Então praticamente é local, é parelho, é reto; então pro pessoal entender um pouquinho, falar tecnicamente a diferença do rádio AM e do rádio FM, “pô, não tem diferença”, não, tem diferença: por exemplo, no sistema de FM, quer dizer é um sistema parecido com o de televisão, quer dizer, a antena tem que ta num ponto alto, tanto é que a maior parte das antenas estão lá no Morro da Polícia que é a parte mais alta de Porto Alegre, cerca de 300 e poucos metros por ali, então de lá sai o sinal da ponta da antena e segue praticamente segue em linha reta, ah, ta lá a 300 metros de altura, 500 metros, ele sai naquela linha reta. Se pegar barreiras, às vezes a gente enfrenta dificuldade circulando por Porto Alegre, passa por um morro de carro, foge o sinal, então pro Litoral principalmente as emissoras de FM, o som vai mais longe, então pega aqui, por exemplo, a beirada da BR-290, a BR-116 em direção à zona sul, às vezes a gente consegue acompanhar um emissora de FM bem mais longe, né? Já o AM, o sinal, ele sai&#8230; Ele sai assim tipo em curvas, altas e baixas, então ele consegue percorrer os morros, subir, descer, e ir mais longe, tanto é que esses dias eu tava de férias em Piratuba, no meio-oeste catarinense que, que por estrada até chegar lá são 450 quilômetros, à noite eu escutava a Farroupilha som local. Então o rádio AM tem essa magia de ir mais longe, por exemplo, em Porto Alegre eu sintonizo uma emissora de Nova Petrópolis que é FM, só que ela está num morro lá, Nova Petrópolis já tem 500, 600 metros altitude, aí pega o morro mais alto da cidade, bota mais antena, quer dizer, o som chega direto aqui, porque ta acima de qualquer outro morro no caminho. Então o FM, emissoras que estão bem localizadas, tu escuta em Porto Alegre rádios de Lajeado, de São Francisco de Paula, enfim&#8230; Elas estão lá em cima e o som chega aqui, agora as daqui já de repente não chega na Serra, já é mais difícil.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>E da Rádio Real de Canoas tu fostes pra&#8230;</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Eu fui pra Rádio Educadora, que é canal RBS, e da Feplam, administrada pela Feplam, e ali eu tive, trabalhei como operador, trabalhei na coordenação também da rádio ali um período, na área de cursos na Feplam também, cursos na área de rádio, locução e operador, principalmente no interior ainda “vai o Gentílio”, aí eu ia lá, não ensinar, mas trocar figurinhas com o pessoal, dava uma orientação e tal pro pessoal do interior, então isso foi uma satisfação que o rádio me trouxe, eu convivi&#8230; E esses dias eu fui participar de um evento, foi ano passado perto de Carazinho, deixa eu ver&#8230; Não-Me-Toque, Não-Me-Toque, e de repente numa rádio lá eu encontrei, fiquei olhando lá, estranho&#8230; O rapaz lá me conheceu, me chamou de professor “péra lá, não é tanto, né?”. Ele disse lá em Passo Fundo, assim, assim, assim, bá, mas faz tempo isso, hein?</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Como é que funcionava a Rádio Educadora?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Bom, a Rádio Educadora programação praticamente comunitária, vários programas, tudo relacionado à educação, à cultura, à informação, então era bem cultural, bem didático, bem cultural também tinha aqueles programas, principalmente à noite, aulas que&#8230; O pessoal acompanhava aqueles cursos de língua portuguesa, de matemática, de matemática claro que aprender pelo rádio fica mais difícil, mas de química, pra dar uma revisada. Eu, sinceramente, eu passei aqui na PUC escutando a rádio, trabalhando ali, principalmente português e geografia, história, muitas das situações que caiu na prova foi de ta lá escutando ou ouvindo ou gravando os programas para irem pro ar ou estando no ar e ouvindo, isso me ajudou um monte, talvez tenha ajudado também outras tentas pessoas por aí em suas provas, mas no período que eu fiz prova aqui na PUC, muito “bá, mas isso aqui eu ouvi ontem”, literatura, isso eu ouvi muito, o trabalho, unir o útil ao agradável e fui aprovado aqui na PUC.</p>
<p>Mariana:</p>
<p>Que ano tu te formou aqui na Famecos?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Eu me formei foi no dia 4 de agosto de 95.</p>
<p>Rafaela:</p>
<p>O senhor falou lá no início que tinha um, que faz um personagem, né?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Aonde, na Rádio Farroupilha?</p>
<p>Rafaela:</p>
<p>Isso&#8230;conta um pouquinho mais.</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Pois lá na Rádio Farroupilha eu faço o alemão Schutz. O Alemão Schutz quando eu cheguei lá na rádio o Gugu me disse: “o senhor tem que criar um personagem novo na rádio”, eu disse “olha eu tenho dois ali”, quais os dois? Eu tenho o alemão da colônia e tenho o Gringão de Bento ali, qual que tu queres? Ali disse “tá, o Alemão tá bom”. Porque esse Alemão, eu também como guia de turismo e eu tenho um irmão gêmeo, que também é guia, nós nos formamos juntos, então vamos tentar fazer uma coisinha um pouco diferente, porque durante o curso, as pessoas, a maioria eram professoras já aposentadas que queriam essa profissão pra poder viajar e nós, tanto eu e meu irmão, nós queríamos essa profissão pra poder se divertir. Então, como eu vinha de uma área artística como palhaço, na área de entretenimento já tinha mais jogo de corpo pra atuar, beleza! Formamos no curso, o professor disse “vocês tem um jeitinho assim, assim&#8230; Cai bem lidar com criança”, bom, então tá, cai bem lidar com criança, meia idade, idade&#8230;todas as idades! Então criamos um segmento. Aí começamos, o primeiro trabalho foi Jamboree internacional, 500 anos de descobrimento da América em 91, 92, canudinho estalando na mão, uma semana depois nos chamaram pra gente trabalhar nesse Jambo de Colón, em Tramandaí, um encontro internacional de escoteiros&#8230; Fantásico! Enrolando um portunhol, consegui me comunicar com todos de origem espanhola e tudo bem, né? Então já foi o começo. E aí quando eu comecei a atuar mais efetivamente com turismo estudantil eu disse “mas péra aí, pô, vamos montar os personagens”. A gente ia fazer a colonização alemã, com crianças de terceira a quarta série e chegava na colônia, ninguém caracterizado. Aí tá, uns troquinhos daqui, uns troquinhos dali, consegui enjambrar ali um personagem esteriotipado de alemão, tá feito! Daí só manter contato com a colônia alemã pra pegar o linguajar, né? E aí foi barbada&#8230; o primeiro trabalho que eu fiz, eu me lembro, colégio Santa Inês aqui de Porto Alegre, terceira série, cheguei caracterizado de alemão e tinha uma  outra colega, chega a diretora do colégio “Por que a outra guia não está caracterizada de alemoa?”, “pergunta pra ela”, eu tenho meu trabalho, eu cobro meu valor, o cachê mais 30% pelo personagem e as agências toparam a brincadeira que deu certo. Quando eu entrei no ônibus fazendo as brincadeiras, nós íamos pra <a href="http://www.google.com/search?hl=en&amp;q=Rota+Winchester+dois+irm%C3%A3os&amp;spell=1&amp;sa=X&amp;ei=esBiUYuAN8Hm0gGO5oHwAQ&amp;ved=0CC0QvwUoAA">Rota Winchester </a> em Dois Irmãos, a gurizada queria saber de que parte da Alemanha eu tinha vindo.  Me botaram numa enrrascada&#8230;daí eu cheguei pra professora coordenadora e casualmente a diretora tava naquele ônibus, daí “ó professora&#8230;”, “não, não, não&#8230;diz lá”, daí naquela época o Dunga, que tá hoje ai no Internacional, tinha ido recentemente pra Alemanha. Aí eu disse “vocês conhecem lá o jogador Dunga?” aí a gurizada conhecia, “pois eu vim da cidade onde o Dunga foi jogar bola, o Dunga foi pra lá, eu vim pra cá, porque a cidade é tão pequena que não tem espaço pros dois”, e assim foi. E pegou, pegou o Gringão de Bento, o meu outro personagem que a gente faz quando faz o trem Maria Fumaça, a gente vai caracterizado de gringão e tal, tamanco, aquela história toda, levando então o público, o turista àqueles antepassados, o visual, tirar foto, então isso é legal. Aí o Alemão pegou na Farroupilha, aí o Arlindo disse “então tá, o Alemão vai ser da onde?” Vai ser de Morro Reuter, Morro Reuter daí, não sei falar nada em alemão, daí ele sai falando “nein”, “ein”, nein, nein, nein. Aí começou, né? Da onde que era de Morro Reuter, de que parte, Walachai, daí nos primeiros programas o pessoal começou a me pegar no ar, aí entrou o Seu Itamar, tinha uma pastelaria na rodoviária e na gozação com o Arlindo, o Arlindo sabe como é que é, um excelente comunicador e um ótimo colega e na descontração ele pega pesado “e aí, Schutz, o Itamar te chamou aí de “shainarai”, o que é isso?”, Arlindo, tu não sabe o que quer dizer shainarai, não, o pessoal quer saber, e eu ali pensando&#8230; “tu te lembra semana passada que tu chegou lá em casa, tu sabe aquela cachorra grande que veio fazendo festa, veio pulando? O nome dela é Narai, então sempre quando chega visita eu digo “Xô Narai, xô Narai”. Aí um outro dia falando lá de um evento de Walachai, Walachai é um bairro lá de Morro Reuter e aí perguntaram, mas “O Schutz o que que quer dizer Walachai, tu que fala alemão?”, mas “tu não sabe, lá perto de casa lá na Walachai, tinha um vizinho meu lá, o nome dele era Hai, então quando a gente passava na frente da casa dele pra ir pra bodega, a gente só dizia ‘Vai lá Hai, vai lá Hai’, e apontava pro boteco, por isso que pegou o nome do lugar Walachai”. O personagem assim, eu pego uma historinha, uma piadinha e me insiro naquela história e&#8230;o alemão é o espertinho, babaca, é assim&#8230;é descontração no fim de tarde Farroupilha. Então a participação do Alemão, como diz o Arlindo, o Alemão mais sem noção do rádio brasileira, se é não sei, um dia a gente vai ficar sabendo.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Quanto tempo faz que tem já esse personagem?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>O Alemão faz uns seis anos já que eu iniciei lá na rádio, o alemão já incorporou. O alemão Schutz lá de Morro Reuter. Depois eu tive a oportunidade lá no início de encontrar, conheci o rei do Kerp e a rainha do Kerp lá de Morro Reuter num evento que eu fui aprimorar meu vocabulário e aí eu conheci lá o seu Flávio e a esposa dele, figuras fantásticas, então a gente tem sempre esse contato e hoje eu já to familiarizado com Morro Reuter.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>E depois da Rádio Educadora, teve mais alguma antes da Farroupilha?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Bom, Rádio Educadora, aquele período&#8230;trabalhei naquele período também na&#8230;Rádio Sogipa FM quando surgiu lá no prédio da Sogipa também foi bem bacana na parte técnica. Aí depois da Educadora, daí eu me formei e fui trabalhar como repórter rural no programa, na Bandeirantes, era um programa que ia no ar na Bandeirantes de Joaçaba, é oeste rural que a produtora sediava em Itapiranga lá no oeste, extremo-oeste catarinense. Naquele período eu saía na segunda de noite, pegava um ônibus, chegava terça de manhã lá e ficava terça, produzia, ia pro campo lá fazer as matérias, quarta-feira também alguma coisa, aí na quinta montava e de noite voltava pra Porto Alegre, aí chegava em Porto Alegre, aí eu ia pro outro extremo, ia pra Camboriú, Beto Carrero, aquele período foi um ziguezague, uma ponta a outra, fazia um “V”, na semana, ia pro extremo-oeste, depois lá pro outro extremo de Santa Catarina, era uma correria&#8230;</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Isso era na TV, daí?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Isso foi um programa de TV lá, depois houve uma crise lá muito grande, deu enchente, coisa e tal, e um dos patrocinadores era o governo do Estado e praticamente eles acabaram com os patrocínios e aí eu saí de lá. Fui trabalhar num jornal em Bagé, Correio do Sul lá de Bagé, fiquei um período lá&#8230; O primeiro contato praticamente com jornal e depois disso já em 97 eu fui trabalhar em Tapes, lá no jornal Armazém de Notícias, e foi uma experiência, praticamente quatro anos, foi muito interessante&#8230; Uma cidade próxima a Porto Alegre, 100 quilômetros, então eu ia pra lá, ficava quatro, cinco dias, montava o jornal&#8230; Retornava a Porto Alegre com uma dificuldade porque eu resido na zona norte de Porto Alegre, uma rua movimentada e acostumado com o barulho, então eu chegava lá, na primeira e segunda noite eu não conseguia dormir porque era um silêncio total&#8230;aí lá na quarta, quinta noite, eu voltava pra cá, mas aí chegava em casa era um outro transtorno por que era barulho, duas, três noites sem conseguir dormir por causa do barulho. Foram transtornos aí da vida profissional que o jornalismo, o jornalista corre esse risco, né? Tudo pra trabalhar em jornal, trabalhar em rádio.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Então tu começou no rádio e depois virou jornalista. Começou como radialista e o que te levou a ser jornalista&#8230;</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Eu comecei mesmo em televisão como ator, fazendo comerciais. O meu primeiro comercial foi de Papai Noel, em 79, que era Lojas Colombina. Até hoje eu lembro de um trechinho: “Eu também estou presente e posso testemunhar”, e assim era o texto que dizia que a loja tinha sido queimada e assim foi reinaugurada naquele período, e eu era um guri, 79 que que eu tinha&#8230;21 anos e aí me chamaram pra fazer Papai Noel, até hoje eu faço Papai Noel, desde aquele período. Hoje claro que deixo a barba crescer, nesses últimos anos a barba já tá branca. Então, a minha vida como radialista, como jornalista, como guia de turismo, quer dizer é tudo pra se divertir, pra aproveitar, nada de “bá, a coisa forçada”, eu to aqui no rádio porque eu tenho que trabalhar no rádio, porque eu sou obrigado&#8230;Não, eu trabalho porque eu gosto. Então, todas as atividades que eu exerço hoje e até então vim exercendo, é por livre e espontânea vontade, é lazer, é entretenimento e o gosto, quer dizer, é saudável, saúde pura&#8230; É meu trabalho, quer dizer, sem contra indicação.</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Quem dos comunicadores bem conhecidos do Rio Grande do Sul, famosos assim, que passaram por ti quando tu tava na&#8230;como operador de áudio?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Como operador de áudio, dos famosos&#8230;deixa eu ver, bá&#8230;</p>
<p>Gabriela:</p>
<p>Tu falasse do Ranzolin, não sei se tu chegou a trabalhar&#8230;o Ranzolin, tu chegou a trabalhar com ele?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>Eu passei um período ali, mas na Gaúcha já foi como estagiário, como locutor eu não peguei ele. Mas tem histórias, tem histórias dele&#8230; Até me contaram uma aí esses dias, histórias de rádio têm&#8230; Bá o pessoal conta cada uma aí que nem convém contar, porque (risos). Mas tem histórias, inclusive tem vários livros aí escritos, as histórias do rádio, que é uma verdadeira paixão. Então o pessoal da antiga, o pessoal da antiga como dizia, principalmente no interior, radialista era cachaceiro, mas o que que era, os caras se encontravam no boteco da esquina, mas era pra ir lá tomar uma cervejinha, alguma coisa, mas passava alguém por ali, via o cara com o copo, “ah, mas o cara é cachaceiro”, nem era tanto assim, mas pegou fama na época. Até tenho um colega lá e ele conta uma história muito interessante da época que ele trabalhava em uma rádio do interior, parece que era Ibirubá, e aí ele tinha uma namorada e foi lá conhecer e tal&#8230; E ele longe de casa e tal, pobretão, salário da rádio e tal e ela de uma família de nome da cidade, mas o amor é lindo, o amor acontece. E aí, chegou na, ela queria, convidou ele pra ir na casa dela, coisa e tal, ele foi e ele ficou sem jeito, né? Todo mundo olhando atravessado e disseram que ele era radialista, bá, os olhares já não foram aqueles de primeira vista, né? Então tinha esse drama, né? Porque depois fica sabendo lá “todo radialista é isso”, não, essa é a fama que eles tinham na época. Hoje não, hoje os profissionais de imprensa&#8230; Bom tanto é que não dá mais nem pra beber, porque bebeu não pode dirigir. A coisa hoje tá mais séria nesse sentido, mas antigamente era&#8230;o rádio era praticamente só AM, era oba-oba, e era o que funcionava na época. Tinha gente, tinha comunicadores que eles rendiam mais turbinados, então eles tinham que se turbinar porque abria as idéias e&#8230; Principalmente no interior essa já era uma tradição, no rádio do interior no fim de semana o cara tinha que chegar meio turbinado pra fazer o programa e davam programas bons e até interessantes.</p>
<p>Mariana:</p>
<p>E a tua relação com os ouvintes, como é?</p>
<p>Gentílio:</p>
<p>É interessante, é muito interessante, porque principalmente na Farroupilha à noite, no horário das oito às 11 da noite, eu faço com Moisés. Das cinco às seis eu ainda pego uma hora com o João Carlos Albani, uma informação, alguma coisa já entra no ar, depois das cinco às seis eu faço a produção e a participação ali com o Arlindo Sassi que é o Fim de Tarde Farroupilha e o Arlindo Sassi que é “Love Songs”, a marca dele é a Rádio Cidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Então eles tinham que se turbinar, porque abria as ideias<br />
e principalmente no interior essa já era uma tradição do<br />
radio do interior. Os caras chegavam no final de semana<br />
turbinados para fazer o programa. E davam programas<br />
bons, até interessantes.</p>
<p>E a tua relação com os ouvintes? Como é?</p>
<p>É interessante, principalmente na farroupilha a noite, no<br />
horário das OITO às ONZE da noite, eu faço com o<br />
Moises. Das CINCO as SEIS, eu ainda pego uma hora<br />
com o João Carlos Albani, uma informação, alguma<br />
coisa, eu já entro no ar. Depois das CINCO as SEIS eu já<br />
faço a produção e participação direta ali com com a Nil<br />
Soci que é love sons, a marca dele é a radio cidade. Às<br />
ONZE horas da noite eu dou um assessoramento para o<br />
Moises de Assis, que é programa que tem praticamente a<br />
participação do ouvinte direto, um troca-troca, “eu quero<br />
trocar uma geladeira por um violao, eu tenho um fogão a<br />
lenha para vender”. Esses dias apareceu um cidadão, “a<br />
senhora ta querendo trocar uma maquina de bordar por<br />
um fogão a lenha”. É interessante, e muitos negócios que<br />
presenciei que o pessoal liga e “Bah que legal consegui,<br />
troquei, vendi, eu comprei”. Então é uma maneira<br />
imediata de a pessoa ta ouvindo o radio, “a preciso<br />
comprar um carro”, aparece o carro lá por DOIS, TRÊS<br />
mil, aqueles carrinhos mais antigos. E às vezes no jornal<br />
o cara vai gastar CEM reais para botar um anuncio e<br />
vender um carro por DOIS mil, quer dizer, já vai sair no<br />
prejuizo. Então bota ali, é gratuito, participa ao vivo ou as<br />
vezes liga lá e se anota o anúncio e vai para o ar. Então<br />
está participando.</p>
<p>Até emprego?</p>
<p>Sim bolsa de emprego, isso é forte na farroupilha, e<br />
diariamente o pessoal liga, principalmente na parte<br />
da manhã que é a hora onde o pessoal ta ali. Já pode</p>
<p>pegar o anúncio e já sair direto para o emprego. E a<br />
noite também acontece bastante, no outro dia já sai<br />
cedinho na porta. Como era antigamente, o primeiro que<br />
chegava levava o emprego, hoje já existe uma seleção<br />
tal. E é interessante a participação, ele já entra paea<br />
namoro também no radio a noite. As pessoas. É muito<br />
interessante. Esses dias, foi quando? Na segunda, entrou<br />
um assim, “Bah eu queria o telefone daquele senhor de<br />
61 que ligou e eu não tenho o nome dele”. Então é, rola<br />
aquelas histórias interessantes, o pessoal que esta em<br />
casa acha interessante. É bem peculiar de noite, tem a<br />
novella, maior concorrência do radio é a novella. Mas tem<br />
o ouvinte de radio a noite, o fiel. Então esse ouvinte ai,<br />
grande parte desses ouvintes estão na rádio farroupilha<br />
acompanhando lá o Moises de Assis, a opinião abalizada<br />
pelo Bodernel na hora da fofoca. É aquela história, a<br />
informação, a curiosidade, tudo isso entra no programa.</p>
<p>Como é a fofoca?</p>
<p>Esses dias tinha uma informação de José de Abreu e bah<br />
aquilo ganhou noticiário nacional. Ai o pega daqui e dali.<br />
E eles “ ohh eu vivi DEZ anos com casal de<br />
homossexuais e essas coisas e tal. E tinha dia que eu<br />
gostava de mulher, então é uma coisa nesse periodo<br />
various.” E eu “pá” fui alí e vi a idade dele, 68 anos, prato<br />
direto. Ai o Moises pois é não é o que o Moderneu, “qual<br />
a tua opinião?” “Pois olha na minha opinião, eu to numa<br />
duvida, ele tem 68 ou já fez 69.” Ai o Moises ele corta, eu<br />
não posso deixar o Moderneu expressar opinião porque<br />
os casos vão tirar a radio do ar, isso pegou bastante. Ai o<br />
ouvinte liga e coitado do Moises que leva a culpa. “O<br />
Moises deixa o Moderneu falar, deixa ele falar.” Mas é<br />
coisa do radio, é aquilo de eu não posso falar eu<br />
expresso que vou falar as vezes alguma coisa, uma outra<br />
coisa também sugiu a Madona antes dela vir ao Brasil<br />
começou a tirar pedaços da roupa de determinado<br />
lugarAi no outro ela tirou, baixou as calças, ficou de</p>
<p>costas, no outro ela tirou parece que o sutiã, esses tipo<br />
de coisas. Ai o Moises, “Modernel qual a tua opinião?”. Ai<br />
eu fui dar e ele cortou, ai entrou uma ouvinte e disse<br />
“Moises deixa o Modernel falar”. Ele já tinha comentado o<br />
negócio com ele né. “Tá tá eu vou deixar ele falar para<br />
ver o que acontece”, se eles me tirarem a rádio do ar a<br />
senhora é a culpada, e ela dava risada. “O que tem? Ta<br />
vendo a foto da Madona?”. Olha assim ela parece<br />
nadadora da sogipa, ai ele peguntou porque? “Nada de<br />
frente e nada de costas”. Então as vezes a gente pega<br />
esses ganchos de descontração. Ai ele disse viu só, e eu<br />
deixo ele falar e ele só fala bobagem. Claro que uma<br />
coisa nada serio mas é nas fofocas que a gente pode ter<br />
esta abertura, e tem funcionado legal.</p>
<p>O Senhor entra também com informação?</p>
<p>Sim informação direto, ali a gente ta conectado no<br />
ClickRBS, nas informações, no twitter. Então chegou a<br />
informação a gente já corre atrás e o forte da farroupilha<br />
é exatamente isso ai, é informação, é manter o pessoal<br />
bem informado , acidentes que acontecem, trânsito,<br />
previsão do tempo. Esse básico, o horóscopo também,<br />
as vezes a gente não acredita, vai ter ouvintes que ligam.<br />
Tem uma que liga seguidamente e fica tão atenta a ouvir<br />
o horóscopo, o dela se eu não me engano é capricórnio,<br />
e ela nunca consegue escutar a cor do horóscopo dela.<br />
Então ela liga , “eu não consegui escutar a cor do meu<br />
horóscopo da para repetir”. São situações peculiares que<br />
o radio proporcions. Então os vários telefones que a radio<br />
farroupilha tem a disposição é que as vezes ta tocando<br />
todos os ao mesmo tempo. E o pessoal busca um auxilio<br />
a informação. Isso eu gusto de viver, esta agitação,<br />
chegar ali sentar, pegar um papel e começar a ler é uma<br />
coisa. Eu já não sou disso. Eu sou de estar captando,<br />
correndo atras da informação, de uma curiosidade, é<br />
instantaneidade, é fazer rádio.</p>
<p>É uma coisa que nunca mudou, desde o inicio que o<br />
radio começou</p>
<p>Exatamente, isso para mim é o radio instantaneidade, é<br />
sempre corer atrás, manter o ouvinte informado, música<br />
não pode faltar e a informação e o bate papo. E também<br />
é claro o Feed Back do ouvinte, a participação do ouvinte,<br />
isso é muito importante também, saber se ele esta<br />
gostando, ou gostou da música. As vezes aparece as<br />
duplas, os conjuntos, lançam uma música, e ai? A música<br />
é boa, mas as vezes eu vou escutar e essa música aqui,<br />
música número DOIS que estão dizendo para colocar, e<br />
eu prefiro a número CINCO. As vezes o pessoal grava e<br />
o pessoal da gravadora “a música forte é essa aqui”, mas<br />
vai escutar todo o CD e “pô” tem coisa melhor aqui para<br />
aproveitar. Então tu coloca outras coisinhas as vezes no<br />
ar e o pessoal começa a pedir, “que música bonita, que<br />
música bacana, quem canta essa música.” Então tem uns<br />
computadores que fazem isso ai é interessante. Pegou<br />
um filézinho que soa bem no ouvido, bota no ar, deixa<br />
rodar, ninguém está tocando. Cria a curiosidade, quem<br />
conta? E o pessoal começa a ligar, e isso é interessante.<br />
Isso dá força para radio e para o comunicador porque ele<br />
que ouviu, ele que lançou e largou aquela música, um file<br />
por conta dele. E se pegou bem, ou ele da bem, claro que<br />
os artistas também. Ai depois que a música começa a se<br />
tornar conhecida é claro que começa a divulgar quem é<br />
que canta a músicam se é pessoas desconhecidas. Hoje<br />
a música, essa parceria dos comunicadores, dos artistas,<br />
isso ai tem que ter. Tem que ter um elo bem interessante<br />
para que tudo funcione. Primeiro o produto tem que ser<br />
bom também, chega lá o artista quererr empurrar uma<br />
coisa que não soa bem nos ouvidos. Então eu acho que a<br />
música hoje ela está numa transição, pouca coisa ta<br />
Rolando, pouca coisa que se consegue ouvir. Então<br />
diariamente entra duplas e sertamejos universitários,<br />
sertanejos primários, preteeviários e por ai a for a. Mas<br />
pouca coisa se consegue aproveitar para o ouvido do</p>
<p>comunicador e do ouvinte, também as vezes não. Mas<br />
tem coisas boas, muitos destas duplas que começam<br />
devagarinho, hoje estão coisa grande, como se diz.</p>
<p>O que tu acha que mudou? Para pior do Rádio desde<br />
o inicio?</p>
<p>Pra pior no rádio? Olha é que o radio hoje ele está tão<br />
segmentado que eu não digo para pior, o radio talvez ele<br />
mudou para melhor, porque hoje se tu pegar no carro,<br />
vai apertando os botões para ter o radio que quer ouvir.<br />
Então tem radio para todos os segmentos, popular ou<br />
mais executivo, o cara que quer só a informação, que<br />
quer só o esporte. Então o rádio hoje ele tem essa magia<br />
ele esta totalmente segmentado, quer dizer, ele consegue<br />
atingir praticamente toda a população. Eu por exemplo<br />
de manhã o que eu gusto de ouvir, me acordo mais<br />
cedo e gusto de bandinha, eu sintonizo uma radio lá de<br />
Nova Petrópolis, é bandinha, sertanejo e coisa e tal. Eu<br />
já levanto ali contagiado, então bandinha tchãã tchãã.<br />
Isso faz parte do meu dia-a-dia de manhã radio ligado.<br />
Depois eu vou para o café, ai é a informação, escuto radio<br />
Band News até o Macaco do Simão fazer a participação<br />
dele, eu pego aquelas informações. E depois eu fico<br />
conectando radio gaúcha, farroupilha, enfim, ai são várias<br />
as radios que eu passo para ouvir. Mas de manhã já<br />
acordo em alto astral, ele liga a radio ta tocando aquela<br />
bandinha, aqueles instrumentos de sopro, isso pra mim<br />
“pô”, eu já salto da cama direto.</p>
<p>Dizem que tu tem um irmão gêmeo. E só esse irmão<br />
que tu tem?</p>
<p>Sim é só ele. Minha mão vive ainda, eu tinha outro<br />
irmão que seriam os três patetas do radio. O meu irmão<br />
até que ele é radialista, mas ele não exerce, exerce<br />
outra atividade, então não impede ele. Então ele fica<br />
só como guia de turismo e na parte mecânica. Na radio<br />
por enquanto, eu já tentei trazer ele, mas ele não quis,</p>
<p>financeiramente não foi viável no momento.</p>
<p>E tu nasceu em Porto Alegre? Que Bairro? Mora<br />
onde?</p>
<p>Eu nasci em Porto Alegre. Na Vila Floresta, lá tinha uma<br />
maternidade próxima do Hospital Cristo Redentor, lá a<br />
famosa Dona Délia, que eu acho que já faleceu, porque<br />
na minha época já era uma senhora de bastante idade.<br />
Em frente ao Secon Flores, onde hoje é o Secon Flores<br />
tinha essa maternidade que muita gente nasceu lá na<br />
época, nesta faixa de 40 e 50 anos. Praticamente era o<br />
destino do Portoalegrense da zona norte. Sempre vivi<br />
na zona norte de Porto Alegre, ali próximo do banco de<br />
olhos, “o banco que está de olho na gente.” Risos. TIve<br />
convivência no interior de parentes na região de Frederico<br />
Westfalen onde conheci o Arlindo Saci que se criou lá<br />
também, começou a fazer rádio lá em Frederic Westfalen,<br />
depois rumo a Porto Alegre e hoje é esse mestre do radio<br />
do Rio Grande do Sul e Brasil. Naquela comunicaçã de<br />
FM na noite, não apareceu alguém ainda para bater ele e<br />
nem vai aparecer tão cedo. E ai circulando pelo interior,<br />
minha mãe é de Erechim no Norte do estado, meu pai é<br />
de Bagé, fronteira, quer dizer, e eu surgo aqui então na<br />
capital.</p>
<p>Qual origem do teu sobrenome?</p>
<p>É Espasso com DOIS “S”, é espanho e russo. Meu nome<br />
é Gentili Fricoski Modernel. Mas eu assino só Gentili FM,<br />
sempre numa AM, literalmente é Farroupilha, é FM. Isso<br />
até em um evento esses tempos.</p>
<p>Modernel é?</p>
<p>De origem Espanhola. Então Gentili FM, Filikoski<br />
Modernel. Até uma vez em um evento lá na RBS tava<br />
toda a cúpula e ai me identifiquei “Gentili FM,sempre<br />
numa AM farroupilha 670”, o pessoal veio abaixo. Ai o<br />
pessoal veio dizer “O que quer dizer FM?”. É feio mesmo,</p>
<p>é Fricoski Modernel, pronto.</p>
<p>O Senhor fala de um evento no uruguai onde quase<br />
foi preso, e que se salvou pelo sobrenome. Como foi?</p>
<p>Eu tinha 16 anos, não eu tinha 15 anos, fui com meu pai<br />
conhecer Bagé, minha avó morava lá ainda. Ai meu pai<br />
tanto falava, tem que ir Aceguá, Mello, sempre contando<br />
umas histórias da região de Taquarelo, por parte de pai.<br />
Ai eu disse para o meu pai, vou ir conhecer Aceguá, com<br />
15 anos peguei um ônibus e fui. Ai cheguei em Aceguá e<br />
estava saindo um ônibus para Mello, só que eu cheguei<br />
em Mello e não tinha mais ônibus para voltar. Tive que<br />
ficar por lá, ai contei o dinheiro que eu tinha dava para<br />
passagem, se eu comer alguma coisa na noite e<br />
passagem no outro dia. Se eu fosse parar em uma<br />
pensão não ia poder voltar. Então fiquei por lá, ai chegou<br />
na madrugada, acho que 10 ou 11 horas da noite eu<br />
estava conversando com um desses vendedores de<br />
cachorro quente do uruguai e o senhor esse era Russo e<br />
eu sabia falar por parte da minha mãe, trocando ideias.<br />
Mas no caminho de Aceguá para Mello uma senhora que<br />
estava do meu lado começou a conversar e disse, que<br />
havia um muchacho que trabalhava, era um periodista<br />
aqui na radio em Mello, Carlos Modernel e ele foi para<br />
Montevideo, “deve ser parente, com o mesmo<br />
sobrenome”. Ai chegou os guardinhas tudo de bicicleta lá,<br />
chegaram em um cara, falaram com ele, eu não entendia<br />
muita coisa. O senhor falou “quero saber não pode…” ai<br />
me cercaram ali e me explicaram, naquela época em 75,<br />
era governo militar, então não podia ficar circulando na<br />
rua parado, podia estar caminhando, não podia ficar<br />
parado. E ai? Ai eu puxei o documento, olharam , “não, é<br />
que eu vim aqui visitar um primo meu, Carlos Modernel,<br />
vocês conhecem?”. E esse Carlos Modernel acabou<br />
falecendo recentemente, ele é produtor, ele fazia muitas<br />
músicas amurga, aquelas músicas de carnaval uruguaio.<br />
Então el era o cara no uruguai, falou no carlito Modernel</p>
<p>era o cara, tipo assim, do samba uruguaio. Os caras a<br />
sim, seu primo. Só que descobri que ele se foi para<br />
Montevideo e agora não tenho como ir para Montevideo,<br />
vou ter que voltar para Bagé. Eles me liberaram, o senhor<br />
pode ficar ai, pode ficar aqui enquanto o vendedor de<br />
cachorro quente estiver. Mas eu já tinha arrumado<br />
amizadecom um guri no teatro de noite. Ele vai dormir no<br />
carro do meu pai. Fui domir no carro do pai dele, que<br />
estava na rua. No outro dia de manhã voltei. Mas<br />
Modernel que era radialista em Montevideo que ainda<br />
tem vários artistas do Carlito. A filha do Carlos Modernel<br />
que eu tive oportunidade de conhecer também hoje ela é<br />
periodista, trabalha em radio e televisão e transmite o<br />
carnaval. É a história da família Modernel está bem ligada<br />
a área de radio, televisão e cinema também. Eu já<br />
encontrei aquelas letrinhas que termina o filme, tem lá o<br />
Modernel, é parente. Então a família Modernel. Uma<br />
senhora Modernel viúva que veio das Ilhas Canarias e<br />
migrou aqui para Montevideo, depois Buenos Aires e<br />
depois veio com os filhos. E dali então surgiu toda essa<br />
família que é Modernel, que se abrir o Facebook, tem<br />
gente espalhada pelo mundo inteiro, de norte a sul do<br />
país, do Uruguai, Argentina e ai se vai pelo mundo afora.</p>
<p>Sobre a vida pessoal? Família? Juventude? Se fosse<br />
escolher uma profissão qual seria?</p>
<p>Então eu e meu irmão gêmeo e coisa e tal, sempre tinha.<br />
Meu sonho sempre foi trabalhar como mecânico. E meu<br />
irmão sempre queria trabalhar na área de comunicação.<br />
Eu desde 12, 13 anos, um tio meu tinha oficina mecânica,<br />
passava lá em casa e pegava minha tiano serviço,<br />
passava me pegava. Eu gostava com 12 anos sujo de<br />
gracha, desmanchar motor de fusca. Eu eu adoraa aquilo<br />
ali. Só que depois eu comecei a ter problema de coluna<br />
e a praticamente essa profissão tive que abandonar. E<br />
depois deu inverso, meu irmão entrou na mecânica e eu<br />
entrei na área da comunicação, fazendo curso técnico em</p>
<p>publicidade. Dai surgiu a área artística, participando no<br />
primeiro festival de talentos do SESI, como cantar. Nunca<br />
tinha cantado, fui ao primeiro ensaio no Araújo Viana,<br />
sentei gaitaço. Eu e meu irmão iamos cantar, uma dupla,<br />
no dia do ensaio, ele ia viajar e eu cheguei lá de mão<br />
abanando. Eu conheci lá o, hoje um grande artista, o Zé<br />
Araújo, que estava com violao, também ia se apresentar.<br />
E ai eu, sei qual é a música, fui na casa dele. Ele fez um<br />
ensaio no violão, depois no outro final de semana era<br />
a apresentação, como eu e meu irmão nunca tinhamos<br />
cantado os dois juntos, vamos fazer o seguinte, vamos<br />
dividir a músicae cada um canta um, acho que vai ter que<br />
dar certo. A música é “Eu fui na casa dele”.</p>
<p>“Eu fui na casa dele dormindo, o Ormindo não estava lá,<br />
mas a mulher dormindo estava, foi mesmo que Ormindo<br />
está. Onde está Ormindo, onde está.”</p>
<p>E meu irmão cantava a outra: “Eu fui na casa do Zaper.”</p>
<p>“Eu fui na casa do Zaper. O Zaper não estava lá. Mas<br />
a mulher do Zapeer estava, foi mesmo que as Zaper tá.<br />
Onde é que tá o Zaper. Onde o Zaper está?”</p>
<p>Sucesso garantido. Surgiu o ocnvite para a gente<br />
trabalhar com palhaço, ai veio o Segundo festival. Que<br />
música vamos cantar? Ai conseguimos montar uma<br />
banda na antiga fábrica que meu irmão trabalhava. Lá<br />
tinha um gaitaço, tava feito o conjunto. Que música?<br />
No último dia de inscrições, escutando uma emissorade<br />
rádio, “Os Milangueiros” lançando o LP deles. Vem uma<br />
música, “Gaúcho de Pelotas”, essa música! Fui correndo<br />
para o escritório deles lá, consegui, tirei a letra e disse,<br />
vou interpretar esta música. Ninguém conhecia essa<br />
música, praticamente inédita. A coisa dai tomou efeito,<br />
a carreira artística. Tava lá o empresário do Palhaço<br />
Tampinha, ai ele, te apresenta lá na segunda-feira. Dito<br />
e feito, meu irmão que não gostou mas eu fui. Então eu<br />
cantei “O Gaúcho de Pelotas” e o meu irmão cantou “O</p>
<p>baita macho”, arrasamos.</p>
<p>“Chegamos de um lugar distante e neste instante vão<br />
se saber quem sou. Sou amarrado em baile de rancho<br />
vim de carancho e aqui estou. Só pelo jeito que eu estou<br />
cantando vocês devem estar notando que eu sou de<br />
Pelotas. Eu sou de Pelotas, eu sou de Pelotas, eu sou<br />
de Pelotas. E tem um baile e o salão estava lotado vi um<br />
letreiro que mal se entendia que proibia dançar apertado<br />
uma morena. Já se agarrou na minha fatiota, falei para<br />
ela meio encabulado. Tome cuidade, eu sou de Pelotas.”</p>
<p>Essa era a música, a diretora do SESI, era de Pelotas,<br />
“Próximo festival a dupla não se apresenta mais.” Mas<br />
dai consegui meu curriculo pessoal e comece a trabalhar<br />
no artístico, ai com televisão, como palhaço, animador<br />
na TV Pampa e shows. Em todo meu curriculo rumo para<br />
rádio. Hoje eu faço mais ou menos o que vinha fazendo<br />
antigamente, no turismo também. Então consegui um<br />
certo volume de experiência. É o que eu tenho hoje em<br />
dia para sobreviver, o meu sobreviver, meu ganha pão,<br />
meu salário mensal.</p>
<p>Que idade começou a trabalhar profissionalmente?</p>
<p>Do lado artístico eu tinha 20 anos, por ai, em 79 eu já<br />
trabalhava como palhaço.</p>
<p>O que teus pais falavam sobre trabalhar como<br />
palhaço?</p>
<p>Família muito religiosa, por parte da minha mãe. Até o<br />
próprio meu irmão me criticava muito. “Bah palhaço”.<br />
Cara tem que ver o outro lado da coisa. E em uma<br />
dessas histórias estranhas de passeios que a gente<br />
sempre participava em Porto Alegre, a gente sempre<br />
ganhava alguma coisa. O maior concurso e outras coisas<br />
mais. Fomos participar de um passeio de moto também e<br />
ai tinhamos a menor equipe, tiramos Segundo lugar. Era<br />
só eu e meu irmão. Um primo e o outro vizinho tinham 4</p>
<p>na equipe, participamos e tiramos o segundo lugar, na<br />
época ganhamos 20 diárias em um hotel em Xangui-lá. A<br />
primeira semana eu fui, ai prenchi a ficha, profissão,<br />
palhaço. Ai de noite o gerente me chama para fazer um<br />
esquema final de semana. Fiz os cálculos, dois palhaços<br />
para ficar brincando com as crianças. Era assim para a<br />
gente ir, sobra uma graninha e se divertir. “Onde é que tut<br />
a?”. “To em Xangri-lá.” E ai foi o primeiro ou segundo final<br />
de semana, ai no quarto final de semana tinha um<br />
casamento no Rio de Janeiro, fui convidado. “Pega tua<br />
roupa e vai que é a tua vez. Vai tu tem que sentir o outro<br />
lado da coisa.” Tanto que ele sentiu, pegou a coisa, o<br />
lado artístico e hoje ele desempenha isso ocmo guia de<br />
turismo. Nas empresas que ele trabalha também le<br />
sempre naquela parte de fazer teatro, ele conseguiu<br />
destaque e por ai. Então graças a esse primeiro passo, a<br />
descontração, a profissão, o palhaço, o animador e a<br />
gente conseguiu estas oportunidades ai. Não se ganha<br />
dinheiro, mas pelo se faz o que se gosta e se diverte que<br />
para nós é um santa remédio e basta.</p>
<p>São gêmeos iguais ou diferentes?</p>
<p>A gente procurava sempre aparências iguais. A gente<br />
anda por ai, encontra uma roupinha básica, pretinha lá,<br />
igual, sempr compra dois conjuntos. E sempre a gente<br />
faz essas performances, antigamente fazia dois ônibus<br />
para o Beto Carreiro, ai a gente ia estilizado de Cowboy.<br />
Uma vez uma agente chamou nós, de cachoeirinha, “tem<br />
um grupo que não quer guia, mas tem que ter guia por lei<br />
cadastrado, um grupo GLS, eles não querem guia porque<br />
fizeram outras viagens e o pessoal pegou pesado.” E<br />
uma semana antes e fui fazer a Fórmula I em São Paulo<br />
e ai eu larguei o pessoal, e me fui para a 25 e arredores.<br />
Alguns acessórios a mais que faltavam. Meu irmão não<br />
tava mais cabeludo, ao invés de chegar no embarque<br />
dois Cowboys, chegou dois Cowgays. Bom aquele grupo<br />
viajou sei lá quantas vezes. “Os guias tem que ser o</p>
<p>Gentili ou o Gonçalo.” Porque pegamos uma afinidade.<br />
Se colocou, nos ficamos na da gente e les na deles, mas<br />
a gente junto conseguia fazer um grupo legal,<br />
descontração total. “O que vocês querem fazer?” Tem<br />
colegas e colegas que pegam o roteiro da agência e tem<br />
que fazer isso. Não, o cliente decide o que quer fazer.<br />
Vamos fazer. A gente tem essa flexibilidad, e aquilo foi<br />
um showzaço ganhou a agência, porque tinha uma<br />
personagem ali. Dois Cowgays, quando a gente fez a<br />
parada do Japônes, era fim de ano. Foi uma loucura<br />
para retornar para o ônibus de novo, era fotos, filmagens.<br />
Isso fez parte da nossa vida e sem stress. Mas a gente<br />
sempre participou de eventos em Porto Alegre nos anos<br />
70 e como gêmeos a gente sempre teve grande<br />
notriedade. A gente tem um grupo, “Os Muquiranas”. Eu,<br />
meu irmão e mais alguns. Até um fato curioso, nos iamos<br />
fazer vestibular, eu tava fazendo para jormalismo e meu<br />
irmão nem sei para o que ele tava fazendo. Nem ele<br />
sabia o que queria. Ai a gente vinha bem malucão, até o<br />
quarto semester. O Brito se lembra de mim, no dia da<br />
formatura tinha um colega que queria botar todo mundo<br />
vestido de palhaço, com narizinho. E ai não consegui<br />
adepto. O que eu fiz, o pessoal foi para missa, eu vesti a<br />
roupa, e um dia antes tinha um colega fazendo evento e<br />
ele disse “meu pai ta com um circo em viamão e tá<br />
precisando de grana, e ofereceu o sapato para outro<br />
colega.” Era um sapato de palhaço para vender tamanho<br />
50 e poucos. Tem o Branco e o Preto, ele quer vender o<br />
sapato. Sai daqui a fui a Viamão no circo, ai cheguei lea e<br />
encontrei o pai desse guri e disse que o filho dele tinha<br />
dito que tinha sapato para vender. Tem o preto. É mas eu<br />
quero comprar o Branco. Ai eu chego ali na hora da<br />
formatura, “a meu sapato apertando, alguém tem um<br />
sapato para emprestar? Não guento.” Fiz um tumulto, e o<br />
pessoal ninguém quis colocar o narizinho de palhaço. E<br />
eu peguei, me da aqui os dentes e guardei, e ai chega a<br />
hora e uma guria me diz: “bah que sapato”, de 37 para</p>
<p>cima serve qualquer um. “Tenho um preto ali, serve?”<br />
Peguei o sapato da guria botei na minha sacola. O<br />
pessoal começou a entrar e eu sai correndo com o<br />
sapatão branco de 50 e poucos centrimetros. E na hora<br />
ninguém se tocou. E ai quando levantou uma música, e a<br />
música que eu coloquei, mas eu nem tinha me tocado<br />
que tinha tocado no filme “Golpe de Mestre”. Quando eu<br />
levantei eu tinha que caminhar levanter o troço e dar uns<br />
passos altos para não enroscar o sapato na roupa. E<br />
agalera lá em baixo começou a reparar e começou uma<br />
gritaria. O Brito ele levantou de coma do reitor, ele disse:<br />
“Roubaste a cena.” Sapatão de palhaço.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2013 12:26:46 +0000</pubDate>
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		<pubDate>Mon, 08 Apr 2013 12:18:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>canatta</dc:creator>
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<p>&nbsp;</p>
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<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel3.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-7616" title="modernel3" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel3-800x518.jpg" alt="" width="450" height="291" /></a></p>
<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-7614" title="modernel" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel-800x531.jpg" alt="" width="450" height="298" /></a></p>
<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel5.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-7613" title="modernel5" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel5-800x534.jpg" alt="" width="450" height="300" /></a></p>
<p><a class="lightwindow" href="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel11.jpg"><img class="alignleft size-large wp-image-7610" title="modernel11" src="http://eusoufamecos.uni5.net/vozesdoradio/wp-content/uploads/2013/04/modernel11-529x800.jpg" alt="" width="450" height="680" /></a></p>
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		<title>Documentário</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Oct 2012 23:42:13 +0000</pubDate>
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		<pubDate>Tue, 23 Oct 2012 23:52:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lklockner</dc:creator>
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