Cláudio BritoApresentação

Cláudio José Silveira Brito, conhecido por Cláudio Brito, nasceu em Porto Alegre no dia 25 de dezembro de 1948. A reconhecida ligação do radialista com o carnaval começou no berço. Ele e a mãe foram acolhidos na casa de um casal, na rua Jacinto Gomes, de onde saia um bloco carnavalesco. Também de família vem os vínculos como o rádio: “Sou da geração em que todos se reuniam em torno dele para ouvir as radionovelas e os programas de auditório. Lembro muito das noites de domingo, do Grande Rodeio Coringa, que era o programa de músicas gauchescas com Darcy Fagundes e Paixão Cortes na Rádio Farroupilha”.

Da infância, Cláudio Brito traz ainda lembranças de ouvir a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, e a programação musical e esportiva de rádios da Argentina e do Uruguai. O sinal dessas emissoras chegava à capital gaúcha com clareza por não haver, naquela época, tanta interferência no espectro eletromagnético. Brito recorda-se também dos programas de auditório. Frequentava, desde muito pequeno, o Vesperal Farroupilha, sob o comando de Salimen Júnior, e os programas de Maurício Sobrinho na Rádio Gaúcha. Naquela época, a Farroupilha dominava a audiência, com programas como Rádio Sequência e PRH2 Chamando o Atlântico Sul.

O início de Cláudio Brito no rádio ocorreu ainda no Colégio das Dores. Ele comandava um pequeno estúdio, organizado por um irmão lassalista, equipado com alguns microfones, um toca-discos, uma discoteca e conexão com os alto-falantes instalados no pátio da escola, denominada de Rádio Dorêncio.  O gosto pelo rádio fez com que o pai o levasse para trabalhar com Ari dos Santos, na equipe de esportes da Rádio Gaúcha. Ele era encarregado de fazer a escuta dos jogos de fora do Rio Grande do Sul e passar as informações ao plantão da jornada esportiva. A estreia em frente ao microfone, não ocorreu, como poderia se esperar, na Gaúcha. Um problema técnico fez com que Brito fosse chamado às pressas para assumir a apresentação de um programa esportivo na TV Gaúcha (RBS TV).

Após uma passagem pelas equipes esportivas das rádios do Estado, Brito mudou-se para São Paulo. A grande motivação para isso foi a paixão por uma locutora, dez anos mais velha que ele. Trabalhou no jornal Notícias Populares e foi contratado para a produção dos programas de Chacrinha.

Cláudio Brito voltou ao Rio Grande do Sul em 1970, trabalhando novamente para a RBS. Na Gaúcha, que havia abandonado a cobertura esportiva, ele participou, em 1971, do início do programa Sala de Redação, que alteraria o perfil da emissora. Também estreou, em 1972, o Gaúcha Dá Samba, primeiro programa dele voltado para o carnaval. De 1970 a 1978 realizou o curso de Direito na UFRGS. Apaixonado pelo Jornalismo – para o qual já tinha licença de trabalho – e pelo Direito, decidiu seguir também carreira semelhante à do pai. Em 1980, passou em concurso para ser promotor de Justiça. Até 1998 seguiu nessa função, sendo criador da Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público. O jornalismo, as coberturas de carnaval e participações nos programas das madrugadas da Gaúcha continuaram acontecendo, mas de maneira informal.

Ainda na década de 80, Brito foi um dos responsáveis na modificação do perfil da rádio Gaúcha. O veículo típico de hard news, não tinha uma programação especial para carnaval e se mantinha apenas com dois ou três noticiários gravados durante o período. Entre essas mudanças, Cláudio Brito, que tinha um programa de samba na Rádio Princesa, foi convidado para apresentar a programação de carnaval da emissora.

Entre as coberturas carnavalescas, segundo ele, há uma delas que merece destaque por ter se tornado um case jornalístico. “Foi no carnaval do Rio de Janeiro, o ano não me lembro ao certo. Era o desfile da Mangueira e a rede Globo anunciava que ela seria a escola campeã, mas nós da Gaúcha dizíamos que não, que a Mangueira estava longe de ser a finalista”, preconizava. As notícias cruzadas ocorreram porque um dos carros da Mangueira havia quebrado. Ao contrário do rádio, que era instantâneo, as equipes de TV estavam com seus diversos câmeras espalhados pelo local e gravavam muitas reportagens ao mesmo tempo. “A Gaúcha estava com um repórter na área de concentração e o carro havia quebrado ali mesmo, antes do desfile, e nós já estávamos noticiando”, recorda. O acontecimento, em anos posteriores, mostrou a relevância do rádio e trouxe mais credibilidade a esse veículo durante as cobertura desses eventos.

Aposentado do Ministério Público, Brito retornou no ano de 1999 à RBS, apresentando algumas edições do Brasil na Madrugada. Participa de vários programas como comentarista. Em 2 de junho de 2015, Brito completou 50 anos de carreira jornalística. Conhecido entre os amigos por ser o “homem que não dorme”, com 67 anos, ele pretende seguir firme em suas atuações por mais alguns anos. “Ainda não parei para pensar quando vou largar tudo, seguirei até quando conseguir. O que pretendo fazer é diminuir o meu ritmo”, reconhece. Para ele, um grande apaixonado pelo rádio, a linha que une o carnaval, o direito e o jornalismo é a própria comunicação. E intitulando-se um eterno amante e escravo das palavras, ainda na sua visão, a profissão de comunicador é um grande passatempo para a sua vida.

Além de apresentar como titular o programa Bom Dia Segunda-feira, veiculado da meia noite às cinco da manhã na Gaúcha,  também se encarrega de fazer a tradução da linguagem jurídica para um tom mais coloquial e compreensivo dos fatos para os ouvintes. Entre os exemplos, estão os casos de grande comoção pública, como da Boate Kiss e da morte do garoto Bernardo Boldrini. Participou de programas múltiplos no rádio, na televisão e no jornal, visando prestar esclarecimentos ao público sobre esses assuntos e outros como o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Roussef ocorrido em 2016.

Está há 15 anos como comentarista do programa Bom Dia Rio Grande, de segunda a sexta-feira, na RBS TV. Na Rádio Gaúcha, tem uma programação de segunda a sábado, às 6h55min da manhã, no programa Gaúcha Hoje, de Antônio Carlos Macedo.  Cinco minutos depois, entra ao ar na Rádio Gaúcha de Caxias do Sul e, mais adiante, na Rádio Gaúcha zona sul (Pelotas e Rio Grande). A rotina de Cláudio Brito é intensa. Às tardes, faz um comentário no Chamada Geral, edição da tarde, e, à noite, no estúdio da Gaúcha. Das 12 horas de domingo às 5 da madrugada de segunda, ancora o Bom dia Segunda-Feira, que, segundo Brito, é “um espaço que tem esse propósito de fazer com que as pessoas tenham um alto astral, um otimismo na segunda-feira”. Quando chega o mês de dezembro, na data que for mais próxima do dia 2, que é o Dia Nacional do Samba, o programa Bom dia Rio Grande passa a se chamar de Gaúcha No Carnaval, indo até o final dos festejos de Momo com esse nome. Além do ambiente radiofônico, ele escreve no jornal Zero Hora, a cada 15 dias, na editoria de opinião, e colabora periodicamente com o site g1.com. A próxima tarefa é reativar o blog O Direito Fundamental, no qual fazia parceria com a jornalista Vanessa da Rocha. “Hoje o Jornalismo está mais ágil do que nunca. Está em processo de reinvenção. É diferente do passado. Cada cidadão, com um spmartphone no bolso, e uma emissora. Ele gera, recebe e compartilha”, afirma Brito.

 

Entrevista realizada por Christiane Luckow em  29 de setembro de 2015 e atualizada por Leonardo Santos do Nascimento em 12 de junho de 2016.