Honesta, polêmica e objetiva. Assim pode ser definida a entrevista concedida por Arthur de Faria Silva. O radialista da Pop Rock é portoalegrense e sagitariano. Tem 41 anos. Uma de suas características é que nunca foi fã de rádio até fazer parte dele.
Arthur só teve um emprego em rádio, o mesmo que ocupa até hoje. São 17 anos de história no veículo, e o radialista se confessa saudoso do tempo em que não havia tantos recursos tecnológicos. Para o profissional, a tecnologia fez perder a anarquia do ambiente do trabalho e sempre que Arthur visitou redações como a do Correio do Povo e relembra o começo da carreira e sente falta da bagunça da máquina de escrever e ausência de equipamentos.
Apesar de confessar que escolheu a profissão de jornalista no último instante do vestibular, o profissional tem um perfil perfeito para o rádio. Como ele mesmo diz: – “não posso ver um silêncio que eu preencho”. Embora seja um jornalista formado, Arthur não acredita no jornalismo da FM: “Não acho que exista jornalismo na FM, não acho que o que eu faço seja jornalismo. Tanto é que troquei de sindicato, sai do sindicato dos jornalistas para o de radialistas”, pondera o entrevistado com tom de sinceridade e objetividade que lhe é peculiar.
O apresentador dos programas Cafezinho, Café das 5 e Queimando o Filme, não faz, com certeza, parte do grupo de jornalistas que tem receio de falar o que pensa. Prova disso é que apesar de ter trabalhado por seis meses na revista de maior circulação do país, Arthur é enfático ao dizer “a Veja acabou com a minha fé no jornalismo”. O profissional explica que devido à manipulação e modificação que suas entrevistas sofreram, passou muita vergonha com suas fontes e afirma: “eu tinha que ligar para as pessoas, pedir desculpas, dizer que eu sabia que elas não tinham dito aquilo que foi publicado e que eu também não tinha escrito” revela Arthur com tom de indignação.
Outra revelação que poucos radialistas gostam de fazer foi a respeito do “jabá”. Arthur, que também é musico, revelou que isso existe, mas disse também que no Rio Grande do Sul ele foi feito em menor escala. O profissional contou saber que em São Paulo nenhuma música toca no rádio sem ser paga.
Apesar da larga experiência que os 17 anos de profissão trouxeram ao profissional, o programa ao vivo e o clima descontraído é propicio a erros e furos. “Uma vez o Nacional era patrocinador do programa, e eles recém tinham inaugurado o Nacional 24 horas. No meio do programa eu larguei: “o Nacional 24 horas é tão legal que parece Zaffari”.
Entre revelações polêmicas e divertidas, algumas curiosidades. Arthur odeia futebol e não tem um time, como também não considera o dinheiro um fator muito importante. “Ninguém faz jornalismo se acha que dinheiro é muito importante”, profetiza.
Apesar de não dizer com palavras o jornalista se mostrava muito satisfeito com a forma de trabalho da Pop Rock, bem como com os programas que vem apresentando. Arthur, que confessou jamais ter imaginado trabalhar em rádio, parece fazer parte do estúdio, pela forma descontraída, tranquila e honesta que conversou durante a entrevista que durou quase duas horas.
Entre as inúmeras frases dignas de registro durante o bate papo, uma merece destaque por ser aquela que traduz a maneira que próprio Arthur define seu estilo de vida: “gosto de dizer que o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”.
Entrevista gravada nos estúdios de rádio da Famecos PUCRS em 5 de outubro de 2010


